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Côte d’Ivoire: esperança de voltar à normalidade

28-07-2011 Relatório de operações

No decorrer dos últimos meses, milhares de pessoas refugiadas e deslocadas internas estão voltando gradualmente para suas casas. A Cruz Vermelha intensificou a ajuda de emergência para os refugiados no oeste do país e nos bairros mais afetados de Abidjan.

Atender as necesidades humanitárias urgentes

"No oeste do país, a área ao longo da estrada entre Guiglo e Toulepleu estava entre os lugares mais afetados pelo conflito armado. Antes, durante e após os confrontos, aldeias inteiras foram arrasadas, centros de saúde foram saqueados e o fornecimento de água potável foi interrompido", disse a chefe da subdelegação do CICV em Guiglo, Annette Corbaz.

"Agora os refugiados e os deslocados internos estão retornando para suas aldeias, mas carecem de tudo: assistência à saúde, água potável, alimentos e artigos de primeira necessidade". Em cooperação com a Cruz Vermelha Marfinense, o CICV está trabalhando para atender às várias necessidades destas pessoas.

Desde abril, duas clínicas móveis estão atendendo a área entre Guiglo e Bloléquin, ao longo da estrada entre Guiglo e Toulepleu, para realizar consultas gerais e pré-natais, curativo de feridas e até mesmo transferir pacientes para centros médicos que ainda estão funcionando. Desde junho, mais de seis mil pessoas receberam atendimento (cerca de 15 mil desde abril). Dada a importância dos hospitais em Bloléquin Toulepleu e para as pessoas que vivem e estão retornando para a região, o CICV decidiu melhorar ambos os estabelecimentos.

Para restabelecer rapidamente o acesso à água potável, o CICV e a Cruz Vermelha Marfinense lançaram uma campanha para tratar os poços com cloro e aumentar a conscientização sobre os hábitos de higiene. Até agora, mais de 2.700 poços foram clorados e cerca de 11 mil famílias foram sensibilizadas sobre as regras básicas de higiene. O CICV e a Cruz Vermelha Marfinense também iniciaram um programa para reabilitar as bombas de água manuais. Até o momento, 52 bombas em 18 aldeias ao longo da estrada de Guiglo para Bloléquin e Péhé foram restauradas. O CICV está avaliando outras bombas em andamento na área para determinar se também precisam ser reabilitadas.

Além de terem perdido seus pertences, muitas pessoas na região necessitam alimentos, porque a crise e o conflito causaram graves danos à produção agrícola. Portanto, entre 27 de junho e 8 de julho, mais de 30 mil pessoas em 31 aldeias entre Péhé e Bloléquin e outras aldeias receberam do CICV arroz, feijão, óleo de cozinha e sal, assim como esteiras de dormir, roupas, sabão, utensílios de cozinha, baldes, kits de higiene feminina, lonas e mosquiteiros.

No bairro de Yopougon, em Abidjan, quase 12 mil vulneráveis foram beneficiados por um programa de assistência do CICV e da Cruz Vermelha Marfinense. "Este bairro se encontra muito afetado pelo conflito e pela violência pós-eleitoral", disse o delegado do CICV em Abidjan, Thierry Grobet. "Muitas pessoas que voltaram para suas casas estão vivendo em condições desastrosas. Suas casas foram destruídas e seus meios de subsistência foram saqueados ou queimados".

Reunir famílias separadas: prioridade para o CICV

"Meu filho está de volta. Estou absolutamente feliz. Que alegria!", exclamou Adèle Gbato, que foi separada de seu filho Samuel em meio ao caos da crise pós-eleitoral. Como muitas outras crianças, Samuel foi obrigado a fugir de sua aldeia sem seus pais e acabou em um campo de refugiados na Guiné, onde passou os últimos sete meses.

"Em um conflito, cadastramos as crianças que foram separadas de todos os membros de suas famílias", disse Julia Unger, uma delegada do CICV. "Tiramos fotos delas e as publicamos nos lugares de origem de cada criança, para que os vizinhos ou amigos possam reconhecê-las e nos ajudar a encontrar suas famílias." Na semana passada, em colaboração com a Cruz Vermelha Guineense e com a delegação do CICV no país, três menores com idades entre 12 e 14 foram reunidos com suas famílias em Yealeu e Danipleu, na Costa do Marfim.

Os três menores estavam entre os primeiros refugiados que chegaram à Guiné, em janeiro. Elas fugiram de suas aldeias após uma onda de violência. Suas famílias também fugiram, encontrando refúgio do outro lado da fronteira com a Libéria. Quando as crianças voltaram para suas casas, não encontraram seus pais, então seguiram em frente. Como muitas outras crianças, acabaram na floresta Mount Nimba, na fronteira entre a Costa do Marfim e a Guiné, e decidiram seguir em direção à Guiné.

Em cooperação com o CICV, os voluntários das Cruz Vermelha Marfinense, Liberiana e Guineense possibilitaram que as pessoas separadas de seus familiares se contatassem por telefone ou por Mensagem Cruz Vermelha para lhes informar que estão sãos e salvos. Até agora, este ano, o CICV e a Cruz Vermelha registraram mais de 400 crianças desacompanhadas na Guiné, Libéria, Gana, Senegal, Togo e Costa do Marfim, e restabeleceram o contato entre 76 crianças e suas famílias. Até o momento, 18 menores foram reunidos aos seus pais na Costa do Marfim.

O CICV está presente na Costa do Marfim desde 1989, com um escritório em Man. Após a eclosão da crise no país em 2002, foram abertos outros escritórios em Bouaké, Gagnoa, Guiglo e Korhogo. Agora, o CICV conta com mais de 280 funcionários na Costa do Marfim.

 

Mais informações:

Kelnor Panglungtshang, CICV Abidjan, tel: +225 22 40 00 70
Christian Cardon, CICV Genebra, tel: +41 22 730 24 26 ou +41 79 251 93 02



Foto

Local branch of the Red Cross Society of Côte d’Ivoire, Yopougon, Abidjan, Côte d'Ivoire. A man and a women leave with a consignment of food and basic supplies. 

Local branch of the Red Cross Society of Côte d’Ivoire, Yopougon, Abidjan, Côte d'Ivoire. A man and a women leave with a consignment of food and basic supplies.
© ICRC / A. Stoeckli

Bloléquin, Côte d'Ivoire. A man returns to find his neighbourhood looted and in ruins. 

© CICV / K. Panglungtshang