Costa do Marfim: 57 mil vítimas de violência interétnica recebem água potável
24-02-2011 Relatório de operações
Um mês depois dos confrontos interétnicos ocorridos no oeste e no centro oeste do país, a situação humanitária continua difícil para as pessoas deslocadas e para as famílias que as acolhem. O CICV e os voluntários da Cruz Vermelha Marfinense mantêm sua assistência para as pessoas carentes nessas áreas e em todo o país.
Lakota e Bangolo: violência e falta de segurança obrigam pessoas a fugirem
Os confrontos interétnicos que agitaram Lakota em meados de janeiro causaram mortes e ferimentos em várias pessoas e o deslocamento de centenas de outras. A maioria dos deslocados já voltou para suas casas ou está morando com famílias que os acolhem. No entanto, muitos encontraram suas casas destruídas por incêndios e perderam todos os seus pertences. " A situação em Lakota continua muito tensa e incerta " , disse o chefe do escritório do CICV em Gagnoa, Hyacinthe Komenan Gbla. " Depois de prestarmos assistência emergencial para as pessoas deslocadas na missão católica em janeiro, agora nos concentramos em assegurar que todas as pessoas na cidade tenham acesso à água potável e em atender as necessidades mais prementes das que perderam tudo " .
Na antiga " zona de confiança " que divide o país em partes norte e sul, milhares de moradores abandonaram a cidade de Bangolo desde meados de dezembro de 2010. Com medo da violência, eles se refugiaram em vilarejos próximos, muitas vezes na mata, em lugares de difícil acesso. A retirada do centro de comando integrado e a redução do número de patrulhas realizadas pelas forças da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (Unoci) nessa área fizeram com que os civis se sentissem inseguros.
As pessoas deslocadas em Duékoué ainda sofrem os efeitos da violência interétnica do início de janeiro. Ao mesmo tempo em que a situação de segurança na cidade melhorou consideravelmente, milhares de pessoas abandonaram Duékoué ou ainda se encontram deslocadas em outras partes da cidade ou nas missões católica ou protestante.
Melhora no acesso à água potável e nas condições sanitárias
O acesso à água potável e o conhecimento das regras básicas de higiene são cruciais para evitar doenças que podem ser prevenidas e outros problemas de saúde.
O CICV e a Cruz Vermelha Marfinense trataram com cloro quase mil poços usados por cerca de 27 mil pessoas em quatro bairros de Duékoué e começaram a tratar todos os poços em Lakota, usados por mais de 30 mil pessoas. Também realizaram a manutenção em tanques de água, bicas, latrinas e chuveiros disponibilizados para as pessoas deslocadas em Duékoué e aumentaram a conscientização quanto aos hábitos de higiene básicos entre a população.
Assistência emergencial para mais de 4,2 mil deslocados
Para atender às necessidades mais urgentes das pessoas deslocadas, o CICV distribuiu artigos essenciais como lonas, roupas, kits de cozinha, mosquiteiros, baldes, bacias e sabão.
Nas últimas cinco semanas, o CICV levou assistência a quase 3,7 mil pessoas de Bangolo para 13 vilarejos próximos, quase 370 pessoas deslocadas de Duékoué para Guiglo e Daloa, e 200 pessoas deslocadas na missão católica em Lakota.
Apoio aos serviços médicos
A crise pós-eleitoral não poupou o sistema público de saúde. Vários hospitais carecem de suprimentos médicos e de pessoal. Para assegurar que haja pelo menos um serviço médico básico para a população civil, o CICV e a Cruz Vermelha Marfinense forneceram para cada um dos cinco hospitais um kit com material de curativo suficiente para atender até cem vítimas. Três hospitais e um centro médico também receberam remédios básicos, equipamento para apli cações intravenosas e material cirúrgico. Um posto de saúde na missão católica em Duékoué, onde os voluntários da Cruz Vermelha Marfinense atenderam mais de 2 mil pessoas deslocadas desde janeiro, continua aberto.
O CICV manteve seu apoio às atividades de primeiros socorros da Cruz Vermelha Marfinense. Os socorristas estavam a postos para prestar assistência quando os Jovens Patriotas se reuniram na praça da República e cuidaram as pessoas feridas durante os violentos confrontos do início de fevereiro, em particular nos bairros de Bondoukou e de Abobo, na capital Abidjan. Mais de 120 pessoas foram atendidas pelos voluntários da Cruz Vermelha Marfinense após a violência pós-eleitoral desde 19 de janeiro.
Atividades de bem-estar dos detidos
Os delegados do CICV continuaram visitando as pessoas presas ou detidas para monitorar as condições nas quais estão sendo mantidas e o tratamento que recebem.
Desde 19 de janeiro, o CICV:
fez 11 visitas a 11 centros de detenção permanentes ou temporários em todo o país que, juntos, detêm 8.287 pessoas;
conversou de maneira privada com seis detidos, dos quais cinco pela primeira vez;
fez 67 telefonemas para informar aos familiares o que havia acontecido com seus parentes detidos;
distribuiu 35 Mensagens Cruz Vermelha e recolheu outras nove (mensagens com breves notícias familiares);
forneceu alimentos para 1,1 mil detidos em 10 presídios;
forneceu 1,8 mil barras de sabão, 50 vassouras e escovas e 25 baldes para 1,8 mil detidos em sete presídios;
cobriu as despesas médicas de dois detidos.
Assistência aos refugiados e às comunidades acolhedoras na Libéria
O número de refugiados marfinenses na fronteira com a Libéria continua crescendo – o Acnur a declarou que já são 38 mil pessoas. " A situação impõe um fardo pesado para as comunidades acolhedoras " , explica a chefe da delegação do CICV na Libéria, Karin Hofmann. " Para fornecer água e instalações sanitárias a esses refugiados e à população que os acolhe, o Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho está construindo e consertando bombas de água manuais, latrinas e casas de banho. A melhora nas instalações e o acesso à água potável ajudarão a evitar a disseminação de doenças contagiosas " .
Antes da próxima estação de semeadura, em abril, a Cruz Vermelha Liberiana e o CICV distribuirão ferramentas e sementes de arroz para os agricultores nas comunidades acolhedoras, além de aconselhamento técnico. O objetivo é compensar a população que os acolhe com sementes de arroz que tem sido usado para alimentar os refugiados e garantir a segurança alimentar a longo prazo.
Para facilitar o acesso às comunidades fronteiriças e assegurar que as equipes de assistência possam operar, o CICV e a Cruz Vermelha Liberiana consertaram pontes e avaliou o estado de outras pontes na região.
Os voluntários do CICV e da Cruz Vermelha Liberiana continuaram ajudando os refugiados a entrarem em contato com suas famílias. Eles cadastraram menores desacompanhados, recolheram e enviaram Mensagens Cruz Vermelha e telefonaram para as famílias na Costa do Marfim. Os voluntários treinados da Cruz Vermelha estão ajudando as pessoas com tais necessidades nas comunidades acolhedoras e no recém-aberto campo de refugiados do Acnur no condado de Nimba. Junto com a equipe do CICV, os voluntários prestam serviços de busca nos condados de Maryland, River Gee e Grand Geddeh, que acolhem um número menor de refugiados.
Mais informações:
Philippe Beauverd, CICV Abidjan, tel: +225 224 000 70
Noora Kero, CICV Monróvia, tel: +231 651 99 67 ou +231 77 55 65 33
Marçal Izard, CICV Genebra, tel: +41 22 730 24 58 ou +41 79 217 32 24

