Iêmen: sem abrigo adequado, milhares de pessoas lutam para sobreviver
07-01-2011 Relatório de operações
No norte do país, os deslocados e os residentes que sofrem os efeitos da última ronda de conflito, que terminou há quase um ano, ainda têm esperanças de melhorar suas condições de vida.
A maioria se abrigou em barracas ou vive nas ruínas de suas casas. O inverno começa a afetar seu bem-estar. Tensões intermitentes passaram a ser parte de seu dia a dia. Ao longo dos últimos três meses, a agitação tem aumentando na província de Saada, ao norte do país, algumas vezes resultando em confrontações. Essa situação é agravada pelo rigoroso inverno, que dificulta a vida diária das pessoas. Se as plantações forem danificadas, o único meio de subsistência das pessoas mais vulneráveis pode ser destruído.
" Algumas das pessoas deslocadas pensam em voltar para suas casa em algum momento " , disse o chefe da delegação do CICV no Iêmen, Jean-Nicolas Marti. " Mas a situação é tão incerta que muitos decidiram não fazê-lo, ainda que isso signifique viver em barracas durantes os meses frios do inverno " .
" Outros deslocados estão vivendo em campos ou com seus parentes já há anos. Eles têm serviços básicos à disposição, mas isso não é suficiente para substituir a estabilidade e a segurança de suas casas " , acrescenta.
Junto com o Crescente Vermelho Iemenita, o CICV se esforça para assistir milhares de pessoas que vivem nos seis campos de deslocados internos e em outras partes. Enquanto se prestam serviços básicos – água, alimentos, abrigo e assistência médica básica – a mais de cem mil pessoas, milhares de pessoas fora dos campos ainda não têm abrigos adequados. Ainda mais do que as pessoas que estão nos campos, elas sofrem com as baixíssimas temperaturas.
Na província de Amran, sul de Saada, milhares de pessoas ainda dep endem do socorro humanitário do CICV, incluindo água potável que é fornecida diariamente a cerca de 11.200 deslocados e residentes. Para ajudar a preservar os meios de subsistência – e, portanto, as vidas – de mais de dez mil pessoas vulneráveis nos distritos de Harf Sufyan e Al Asha, no norte da província de Amran, o CICV tratou 43 mil animais contra a larva da mosca-varejeira, um parasita mortal que pode transmitir doenças aos humanos. Enquanto a maioria das pessoas na província ganha a vida com a agricultura, a maior parte das pessoas que vive em Harf Sufyan, Al Asha e em outras áreas no norte de Amran conta com o gado como maior fonte de renda. A venda de uma ovelha ou cabra, por exemplo, pode chegar a 80 e 100 dólares, o que pode pôr comida na mesa de uma família de sete pessoas por até duas semanas. Uma vaca vale pelo menos 500 dólares, sem contar o valor do leite que ela produz. Até o momento, pelo menos 10.200 pessoas se beneficiaram com a campanha de tratamento contra esse parasita.
No sul do país, o CICV monitora de perto a situação no terreno. Nos últimos meses, a organização tem proporcionado o acesso à água e apoio aos centros de saúde das províncias de Aden, Abyan, Lahj e Shabwa. Também tem ajudado os refugiados, sobretudo do Chifre da África, a manter contato com seus familiares no exterior e fornecendo alimentos e outros artigos essenciais aos migrantes nos centros de deportação.
O CICV continua comprometido a aliviar o sofrimento das pessoas afetadas adversamente pela violência armada no país.
Alimentos e outros artigos essenciais
Entre outubro e dezembro, o CICV e o Crescente Vermelho Iemenita:
distribuíram rações alimentares – compostas de grãos de trigo, arroz, feijão, óleo, açúcar e sal – suficientes para um mês para cerca de 52 mil deslocados e residentes na província de Saada, incluindo a cidade antiga de Saada e as áreas de Aal Saoud e Mandaba no noroeste da província;
proporcionou rações alimentares suficientes para um mês para cerca de 15 mil deslocados internos nos distritos de Bani Sureym, Houth, Khamer, Raydah e Namat Soufi da província de Amran e no campo de Khaiwan;
forneceu cobertores, colchões, kits de cozinha e outros utensílios domésticos essenciais para mais de 22.600 deslocados e residentes nas províncias de Saada e Amran e distribuiu cobertores extras para mais de 5.400 pessoas para ajudá-las a se protegerem do frio;
forneceu utensílios domésticos e kits de higiene básicos para mais de 1.300 migrantes em centros de detenção e de deportação.
Água potável
O CICV:
levou caminhões-pipas e forneceu diesel para as estações de bombeamento de água para assegurar que cerca de 100 mil deslocados e residentes na província de Saada tivessem acesso à água potável; apenas na cidade de Saada, aproximadamente 80 mil pessoas, incluindo 8 mil em campos, se beneficiaram dessa ação;
continuou abastecendo cerca de 11.200 deslocados e residentes nos distritos de Khaiwan Al Hamra, Khaiwan Al Medina, Khamer e Harf Sufyan da província de Amran com água potável;
administra atualmente vários projetos nas províncias de Aden, Lahj, Shabwa e Abyan, no sul e no sudoeste do país, voltados para disponibilizar água potável para cerca de 21 mil residentes por meio de caminhões-pipas e/ou reformas nas redes de água.
Assistência médica
Nos últimos três meses, o CICV:
ma nteve seu apoio aos 11 centros de saúde do Crescente Vermelho Iemenita na província de Saada, onde foram realizadas mais de 37 mil consultas;
doou leitos médicos para exames, mesas de apoio, mesas de escritório, cadeiras e outros móveis, assim como remédios, soro e outros suprimentos médicos para um novo centro de saúde do Crescente Vermelho Iemenita na cidade de Saada e forneceu remédios básicos para os centros de saúde de Al Mahader e Majz, no sudoeste e no noroeste da cidade de Saada, respectivamente;
em cooperação com o Crescente Vermelho Iemenita e o Ministério da Saúde, organizou uma oficina sobre assistência médica primária com duração de dois dias para 15 funcionários do hospital Al Jumhouri, dos centros médicos de Majz e Al Mahader na província de Saada, e realizou um curso de treinamento em primeiros socorros na província de Amran para 30 voluntários do Crescente Vermelho Iemenita, os quais receberam kits de primeiros socorros para ajudá-los a responder com eficácia as emergências médicas;
continuou apoiando dois centros de saúde em Khaiwan Al Hamra e Khaiwan Al Medina, no norte da província de Amran, que juntos fizeram mais de 5.700 consultas e lhes forneceu remédios, soro e outros suprimentos médicos;
doou soro e remédios contra a malária à filial do Crescente Vermelho Iemenita em Al Dhale, ao hospital Ibn Khaldoun, em Lahj, ao hospital Al Razi, em Abyan e ao escritório do Ministério da Saúde em Shabwa, na parte sul do país;
apoiou quatro cursos de treinamento em primeiros socorros organizados pela filial de Aden do Crescente Vermelho Iemenita em cooperação com o Ministério da Saúde prestou apoio para mais de 50 enfermeiros e para-médicos que trabalham com os serviços de emergência e de ambulância do Ministério.
Detidos e refugiados
O CICV:
retomou as visitas aos detidos em julho de 2010, depois de anos de interrupção, para avaliar as condições nas quais estão sendo mantidos e o tratamento que recebem. As observações e as recomendações serão discutidas de forma privada com as autoridades detentoras em conformidade com os procedimentos padrões do CICV;
organizou, pela primeira vez no Iêmen, vídeo-chamadas entre familiares e seus parentes mantidos em centros de detenção norte-americanos em Guantânamo, Cuba. Quatro famílias usaram o serviço;
continuou organizando telefonemas convencionais entre cidadãos iemenitas detidos em Guantânamo e no Afeganistão e seus familiares. Cerca de 50 famílias usaram o serviço;
intercambiou mais de 600 Mensagens Cruz Vermelha (contendo breves notícias familiares) entre famílias no Iêmen e seus parentes detidos em Guantânamo e cerca de outras 40 entre famílias no Iêmen e seus parentes detidos no Iraque, no Afeganistão e no Líbano;
intercambiou mais de 550 Mensagens Cruz Vermelha entre refugiados do Chifre da África e seus familiares;
conseguiu determinar o paradeiro de nove pessoas dadas como desaparecidas e restabeleceu contato entre elas e seus familiares;
continuou fornecendo alimentos, artigos de higiene e de assistência médica básica em cooperação com o Crescente Vermelho Iemenita para cerca de 500 pessoas que aguardam a deportação;
continuou trabalhando em cooperação com o Crescente Vermelho Iemenita para melhorar as habilidades de ler e escrever, costurar, bordar, tecer, fazer artesanatos, usar o computador e outras habilidades de aproximadamente 300 mulheres em dez presídios no país.
Mais informações:
Rabab Al-Rifaï, CICV Sanaa, tel: +967 1 213 844 ou +967 711 94 43 43
Sébastien Carliez, CICV Genebra. tel: +41 22 730 28 81 ou +41 79 536 92 37
Dorothea Krimitsas, CICV Genebra. tel: +41 22 730 25 90 ou +41 79 251 93 18
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