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RD Congo: preocupante situação nas Kivus do Norte e do Sul

06-12-2012 Relatório de operações N° 07/12

Enquanto várias iniciativas políticas estão em curso na região dos Grandes Lagos para tratar a questão no leste do país, o sofrimento de milhares de pessoas – tanto residentes como deslocadas – continua sendo motivo de preocupação nas Kivus do Norte e do Sul.

"A situação nas províncias de Kivu ainda é muito complexa e difícil”, disse o chefe de delegação do CICV na República Democrática do Congo, Franz Rauchenstein. “As coisas estão relativamente calmas nas áreas que foram antes gravemente afetadas, enquanto que as comunidades em outras partes das províncias têm de lidar com confrontos e atos de extrema violência. Ninguém é poupado das consequências – nem mesmo as mulheres e as crianças. Também estamos preocupados de que haja um novo surto de criminalidade na cidade de Goma.”

“Milhares de pessoas deslocadas pelo conflito agora começam a voltar para casa, sobretudo em Rutshuru, para o norte de Goma”, explicou o chefe da subdelegação do CICV em Kivu do Norte, Frédéric Boyer. “No entanto, não há garantias de que elas poderão retomar a sua vida normal uma vez que cheguem lá. Outras tiveram de deixar Goma e voltaram para os campos na periferia da cidade.”

Em Sake, a oeste de Goma, muitas casas foram saqueadas ou incendiadas. Estão previstas para os próximos dias várias distribuições de alimentos para cerca de 4 mil famílias. As equipes do CICV se encontram atualmente em Masisi (Kivu do Norte) e Minova (Kivu do Sul) para avaliar as necessidades humanitárias e organizar as distribuições.

Duas equipes cirúrgicas estão agora trabalhando em Goma – uma no hospital N’Dosho e outra no hospital militar de Katindo. Para o CICV, é preocupante que alguns profissionais locais ainda não tenham conseguido voltar a trabalhar no hospital Katindo. “A equipe de prestação de assistência, tanto civil como militar, deve poder atender as pessoas feridas e doentes nos estabelecimentos onde trabalham e responder às necessidades dos pacientes”, disse Boyer.

Em Bukavu, na Kivu do Sul, o CICV avaliou as necessidades e a capacidade de tratamento do hospital geral de referência da província e do hospital militar.

“As crianças chegam a Goma e descobrem que os seus familiares se mudaram para Minova ou Sake ou buscaram refúgio em outras cidades vizinhas", disse um voluntário da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo, Benoit Mugisho, que ajuda no restabelecimento de laços familiares. “Algumas são tão pequenas que não sabem nem dizer o que precisamos saber para buscar os seus parentes.”

Esta situação surgiu quando as pessoas deslocadas, que se refugiaram nos campos de Kanyaruchinya e Kibati, no norte de Goma, foram obrigadas a fugir de novo em decorrência dos mais recentes confrontos. Foi durante este segundo – e repentino – deslocamento em massa que muitas crianças se separaram das suas famílias. Apesar da situação de segurança instável, os voluntários da Cruz Vermelha nas Kivus do Norte e do Sul, com o apoio do CICV, cadastraram 300 menores, dos quais cerca de 30 já puderam ser reunidos com os seus parentes em Goma e Bukavu. "Outras crianças tiveram de esperar para que reuníssemos as suas famílias", disse Boyer. "Enquanto isso, estão sendo atendidas por associações locais ou famílias que as acolhem. Os telefones que proporcionamos nos permitiram buscar os seus parentes.”

Desde o dia 19 de novembro, o CICV também:

  • manteve os esforços para obter acesso às pessoas detidas em Goma;
  • operou 60 pacientes feridos de guerra no hospital N'Dosho;
  • distribuiu mais de um milhão de litros de água potável para as pessoas em Goma, em particular, no centro Dom Bosco (que abriga cerca de 11 mil pessoas atualmente), para o hospital N'Dosho e, por única vez, aos campos para pessoas deslocadas, como Mugunga 1 ou Lac Vert, a oeste de Goma;
  • consertou latrinas e o tanque de água no hospital militar de Bukavu, e instalou um tanque de água de 5 mil litros no centro em Bukavu, administrado pela Agência de Serviço Voluntário para Crianças e Saúde (BVES), onde estão sendo atendidos 30 menores desacompanhados;
  • organizou uma oficina sobre os riscos associados aos materiais bélicos não detonados para voluntários da Sociedade Nacional que são responsáveis por recolher e enterrar restos mortais (um especialista do CICV neste assunto chegará a Goma para ajudar nesse trabalho).

Mais informações:
Annick Bouvier, CICV Kinshasa, tel: +243 81 700 85 36
Thomas Glass, CICV Goma, tel: +243 81 700 77 86
Marie-Servane Desjonquères, CICV Genebra, tel: +41 22 730 31 60