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RD Congo: assistência emergencial para quase 90 mil pessoas no leste do país

20-12-2012 Relatório de operações N° 08/12

Embora a situação nas Kivus esteja relativamente estável nos últimos dias, o crime, a justiça feita pelas multidões e a tensão interétnica em determinadas áreas criam um clima de preocupação e medo. Milhares de residentes e deslocados em todo o país vivem em condições calamitosas.

"A situação na qual se encontram os civis no leste da República Democrática do Congo, que inclui, em particular, a sua necessidade imediata de segurança, não pode ser esquecida durante as negociações em curso", disse o chefe da delegação o CICV no país, Franz Rauchenstein. "Essas pessoas, que já são afetadas por anos de conflito e outras formas de violência, agora enfrentam a crescente incerteza. Elas têm direito ao respeito e à proteção."

"Consideramos urgente que continuemos com as visitas às pessoas detidas em conexão com os conflitos no leste da República Democrática do Congo, que as pessoas feridas em combate sejam levadas para lugares seguros e recebam assistência, que as pessoas deslocadas e outras carentes recebam ajuda, e que os familiares de menores desacompanhados sejam encontrados", disse Rauchenstein.

A equipe do CICV e os voluntários da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo estão neste momento em Sake, cidade a oeste de Goma, e também no centro de Masisi (província de Kivu do Norte) e em Minova (Kivu do Sul). Estão aumentando os seus esforços para entregar assistência em forma de alimentos a quase 90 mil pessoas no total, além de artigos essenciais, como utensílios de cozinha, roupas, cobertores e lonas para algumas delas. Com a temporada de chuva em plena marcha, não será fácil distribuir grandes quantidades de artigos.

"Esta é a segunda vez que nos deslocamos", disse Kahindo, uma jovem de 16 anos que espera a distribuição de emergência para mais de 45 mil pessoas organizada no campo de futebol de uma escola em Kimoka, em Sake. "A primeira vez, fugimos com os nossos pais, mas esta vez fomos pegos de surpresa. Os nossos pais foram para os campos, onde foram mortos, e eu fugi como os meus irmãos mais novos."

Há delegados do CICV no terreno conversando com as pessoas que sofreram violência nas últimas semanas para poder levar-lhes assistência. O trabalho dos delegados também consiste em recolher informações sobre onde ocorreram as violações ao Direito Internacional Humanitário. O CICV compartilha as suas observações, tanto aqui como em outros lugares, de forma exclusiva e confidencial com as forças ou grupos armados. O objetivo principal é persuadir os portadores de armas a mudarem o seu comportamento para com os civis e outras pessoas que não participam das hostilidades.

Desde o dia 19 de novembro, o CICV também:

  • deu continuidade aos esforços de visitar pessoas capturadas durante a tomada de Goma e que permanecem detidas;
  • realizou operações nos hospitais N'Dosho e Katindo em Goma em mais de 130 pessoas feridas durante os confrontos;
  • continuou fornecendo material e prestando apoio financeiro aos estabelecimentos hospitalares em Bukavu para facilitar a assistência às vítimas dos confrontos em Kivu do Sul;
  • construiu latrinas e chuveiros, e reformou um tanque de água e aquedutos nos campos de Minova, Saïo e Nyamunyunyi, que abrigam pessoas deslocadas em Bukavu;
  • prestou apoio às atividades da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo, em particular para administrar primeiros socorros às vítimas e levá-las ao hospital;
  • cadastrou mais de 350 menores em Goma e Bukavu, e, trabalhando com a Cruz Vermelha Congolesa, reuniu mais de 100 deles com as suas famílias.

Mais informações: 

Annick Bouvier, CICV Kinshasa, tel: +243 81 700 85 36 

Marie-Servane Desjonquères, CICV Genebra, tel: +41 22 730 31 60 ou +41 79 536 92 58


Foto

Minova, Kivu do Sul. Equipes do CICV e voluntários da Cruz Vermelha da RDC prestam assistência emergencial em forma de alimentos aos deslocados. 

Minova, Kivu do Sul. Equipes do CICV e voluntários da Cruz Vermelha da RDC prestam assistência emergencial em forma de alimentos aos deslocados.
© CICV / D. Revol

O CICV reforçou seu apoio à  

O CICV reforçou seu apoio à "maison d'écoute" da Cruz Vermelha da RDC em Minova, que abriga vítimas de violência, principalmente sexual, oferece apoio psicológico e lhes facilita o acesso ao atendimento médico necessário após os atos de violência.
© CICV / D. Revol / cd-e-01500

O CICV se esforça para manter contato com todas as partes envolvidas nos conflitos nas Kivus. 

O CICV se esforça para manter contato com todas as partes envolvidas nos conflitos nas Kivus.
© CICV / D. Revol / cd-e-01503

Bukavu, Kivu do Sul. Esta jovem, ferida durante os confrontos, foi evacuada pelo CICV para receber tratamento no Hospital Panzi. 

Bukavu, Kivu do Sul. Esta jovem, ferida durante os confrontos, foi evacuada pelo CICV para receber tratamento no Hospital Panzi.
© CICV / D. Revol / cd-e-01509

Viagem de barco de Bukavu a Goma. Uma criança de dois anos é levada ao reencontro de sua mãe por um delegado do CICV, após três semanas de separação. 

Viagem de barco de Bukavu a Goma. Uma criança de dois anos é levada ao reencontro de sua mãe por um delegado do CICV, após três semanas de separação.
© CICV / D. Revol / cd-e-01512

Goma. Uma criança nos braços de sua mãe, logo após o reencontro. 

Goma. Uma criança nos braços de sua mãe, logo após o reencontro.
© CICV / D. Revol / cd-e-01513