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RD Congo: civis sofrem com a violência em diferentes regiões do país

01-02-2013 Relatório de operações

Para dezenas de milhares de deslocados e famílias residentes no leste do país, o mês de janeiro significou enfrentar constantes dificuldades para encontrar comida, água e alguma segurança. A cidade de Goma e as áreas próximas de Kivu do Norte estiveram relativamente calmas, tendo a violência se trasladado a outras regiões.

“Na área de Masisi no Kivu do Norte, onde recentemente ocorreram confrontos entre as forças armadas e os grupos armados, ou em Katanga onde persiste a violência, muitas pessoas tiveram que fugir, temendo por sua segurança”, afirmou o chefe da delegação do CICV na República Democrática do Congo, Franz Rauchenstein. “Os civis também sofreram com a violência, saques e extorsão.”

Cirurgias em mais de 100 vítimas

Uma equipe cirúrgica do CICV continua seu trabalho no Hospital N’Dosho de Goma, com mais de cem vítimas operadas em janeiro. O hospital também fornece apoio psicológico, em especial para crianças. Muitas das crianças feridas estão traumatizadas pela violência que sofreram. Um menino de nove anos chegou ao hospital em estado de choque após testemunhar as mortes das irmã menor e outros membros da sua família. Ainda, foi necessário amputar-lhe uma perna e um pé.

Visita aos detidos

O CICV continuou visitando os centros de detenção, incluindo a prisão central de Goma. Na prisão central de Bunia, a organização consertou latrinas, instalou dois pontos de distribuição de água e construiu um abrigo para que os detidos deste estabelecimento superlotado tivessem mais espaço.

Ajuda aos deslocados e evacuações médicas em Kivu do Sul

Na área de Masisi, mais de 23,5 mil pessoas que se deslocaram nos últimos três meses de 2012, devido aos confrontos entre as comunidades, receberam alimentos de emergência e lonas no final de dezembro. Também foram entregues panelas, baldes, colchonetes e outros artigos em janeiro.

“A violência entre os grupos armados está aumentando de novo em Kivu do Sul”, declarou a chefe da subdelegação do CICV na província, Laetitia Courtois. “Os combates estão cada vez mais próximos à cidade de Bukavu. Ao mesmo tempo, os confrontos afetam as aéreas remotas como o território de Kalehe no norte de Bukavu, e os territórios de Walungu e Shabunda no sudoeste.”

Durante janeiro, o CICV transferiu uma dúzia de feridos pelos combates de Walungu aos hospitais em Bukavu. Além disso, o Comitê removeu seis crianças gravemente desnutridas do território Kabare, onde o acesso é extremamente difícil, a Bukavu.
Mais de 5,5 mil pessoas no território Ninja, no nordeste de Bukavu, receberam sementes de legumes e mudas de batata-doce. Elas poderão cultivar estes alimentos durante todo o ano em pequenos pedaços de terra, estando as primeiras colheitas prontas três meses após a semeadura. O CICV também consertou os tanques de pesca na área e distribuiu alevinos de tilápia a 60 famílias.

Nas províncias de Kivu do Norte e do Sul, a calma relativa em certas áreas possibilitou que o CICV retome o apoio aos centros de saúde e centros de amparo às vítimas de estupro. A situação de segurança extremamente volátil e a necessidade urgente de tratar de feridos haviam interrompido estas atividades em novembro e dezembro.

Ajuda aos deslocados na Província de Katanga

O aumento da violência em Katanga obrigou as pessoas a fugirem e a situação vem se deteriorando. O CICV monitora de perto os acontecimentos.

Na cidade de Bunkeya, no distrito de Kolwezi ao norte de Likasi, a Cruz Vermelha da República Democrática do Congo distribuiu mantimentos de emergência fornecidos pelo CICV a mais de 850 pessoas que fugiram dos combates mais ao norte, no território de Mitwaba, e que já haviam tido que fugir antes por causa dos confrontos em Bunkeya.

Outras atividades

Desde o início do ano, o CICV também:

  • reuniu com suas famílias 40 por cento das crianças que estavam separadas pelos confrontos em Goma e arredores no final de 2012, com a ajuda dos voluntários da Cruz Vermelha do Congo;
  • finalizou a primeira etapa de um projeto para renovar nove torneiras e substituir uma parte da tubulação que une o ponto de entrada com o reservatório operado por Regideso (órgão de abastecimento de água) na cidade de Walikale que atende aproximadamente 60 mil pessoas;
  • ofereceu treinamento em primeiros socorros para os carregadores de macas das forças armadas do Congo baseados no território de Ruthhuru de Kivu do Norte;
  • realizou palestras sobre o Direito Internacional Humanitário, incluindo uma na Universidade de Kananga, no Kasai Ocidental, para os alunos de Direito Internacional e outra em Dungu, Província Oriental, para os oficiais do contingente marroquino da Missão de Estabilização da ONU na República Democrática do Congo (MONUSCO).

Mais informações:
Annick Bouvier, CICV Kinshasa, tel.: +243 81 700 85 36
Thomas Glass, CICV Goma, tel.: +243 81 700 77 86
Jean-Yves Clémenzo, CICV Genebra, tel.: +41 22 730 22 71 ou +41 79 217 32 17


Foto

Kivu do Sul. Muitos dos deslocados, debilitados pela longa caminhada e doenças, tinham que ser carregados em macas pelos funcionários do CICV e voluntários da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo. 

Kivu do Sul. Muitos dos deslocados, debilitados pela longa caminhada e doenças, tinham que ser carregados em macas pelos funcionários do CICV e voluntários da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo.
© CICV / C. Cardon

Kivu do Sul. Três de cada quatro adultos tinham que ser carregados em macas, e todas as crianças nas costas dos voluntários. 

Kivu do Sul. Três de cada quatro adultos tinham que ser carregados em macas, e todas as crianças nas costas dos voluntários.
© CICV / C. Cardon

Kivu do Sul. Após três dias de caminhada, as crianças, doentes e gravemente desnutridas, não podiam continuar, tendo que parar para descansar numa igreja em Miranda. 

Kivu do Sul. Após três dias de caminhada, as crianças, doentes e gravemente desnutridas, não podiam continuar, tendo que parar para descansar numa igreja em Miranda.
© CICV / H. Lukula

Hospital Ndosho, Goma, Kivu do Norte. Esta criança teve ambas pernas amputadas, após ter sido ferida quando uma bomba destruiu sua casa. 

Hospital Ndosho, Goma, Kivu do Norte. Esta criança teve ambas pernas amputadas, após ter sido ferida quando uma bomba destruiu sua casa.
© CICV / D. Revol

Explicações em Lwizi (Kivu do Sul) antes de iniciar a longa caminhada até Miranda. 

Explicações em Lwizi (Kivu do Sul) antes de iniciar a longa caminhada até Miranda.
© CICV / H. Lukula