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Chade: Mais de 180 mil deslocados enfrentam a falta de segurança no leste do país

10-10-2008 Relatório de operações

Apesar das condições de segurança difíceis, equipes do CICV estão pressionando com atividades a fim de lidar com as necessidades das pessoas mais atingidas pelo conflito armado e outras situações de violência no leste do Chade. A falta de segurança continua a ser o principal fator a impedir os deslocados a voltar para casa, e o maior desafio à entrega de ajuda humanitária. As atividades do CICV de julho a setembro de 2008.

  Panorama  

Mais de 180 mil pessoas ainda estão vivendo como deslocadas internas no leste do Chade. Algumas estão voltando para casa, mas aquelas que o fazem em geral vêm de uma região: sul de Assoungha. Embora não tenha ocorrido nenhuma operação militar desde junho, a ausência de um sistema de leis, o banditismo e a falta de segurança não apenas dificultaram a volta dos deslocados para casa, mas também prejudicaram as condições de vida de todos os civis.

Nos preparativos para a estação das chuvas, o CICV trabalhou para garantir que as pessoas que estavam menos aptas a satisfazer às suas próprias necessidades como resultado do conflito armado só sobreviveriam até a época da colheita. " Agora que a temporada chuvosa terminou, as pessoas no leste do Chade precisam de segurança para poder fazer a colheita nos próximos meses " , afirmou David de Wild, que coordena as atividades de socorro do CICV no país.

A proliferação das armas, a ausência de leis em algumas partes do país, e a impunidade colaboram para a volatilidade da situação e atingem a maneira como as organizações humanitárias desempenham seu trabalho.

No dia 26 de julho, uma funcionária do CICV foi baleada e ferida em uma tentativa de seqüestro em Abéché. Se, por um lado, agora ela esteja fora de perigo, por outro, o incidente é uma situação típica pela qual passam os civis no leste do Chade, quando tentam cumprir suas tarefas diárias e ganhar o seu sustento.

Em seu diálogo com as autoridades, o CICV salientou a importância de que sejam tomadas medidas concretas para que a popu lação possa viver em segurança e a ajuda humanitária seja distribuída. 

  Trabalhando para reduzir o impacto do conflito armado e outras situações de violência nos civis  

A fim de melhorar as condições de vida dos detidos, o CICV construiu um tanque de limpeza e reformou os banheiros na prisão de Abéché. A prisão é um dos 33 centros de detenção que o CICV visita no Chade.

O CICV continuou seus esforços para descobrir onde foram parar as 405 crianças desaparecidas que foram separadas de seus pais ou que estão desacompanhadas. Algumas delas podem ter caído nas mãos das forças armadas e grupos armados. Embora esta tarefa continue a ser difícil, a organização continua incansavelmente a processar outras solicitações de busca vindas de civis que desejam restabelecer o contato com seus entes queridos.

Os funcionários do CICV continuam em diálogo humanitário com todas as partes em combate no conflito com relação à situação dos civis, para garantir um melhor respeito do Direito Internacional Humanitário e reduzir o impacto do conflito sobre suas vidas e segurança.

  Melhorando o acesso à água  

Os esforços do CICV para melhorar o acesso à água para as pessoas que moram nas áreas fronteiriças continuam sem cessar. Essas atividades são baseadas em acordos entre o CICV e as autoridades responsáveis pela água no Chade e são levadas adiante em cooperação com as comunidades locais.

     

" Tendo em vista o conflito armado e a localização remota, as autoridades públicas puderam fazer poucas coisas. Não houve nenhuma manutenção no sistema de abastecimento de água recentemente " , afirmou Ruth Merki, coordenadora do CICV para águ a e moradia no Chade.

A fim de garantir que as pessoas tenham sempre acesso à água, o CICV fez consertos em redes de água nas cidades de Adé, Adré e Iriba, de forma que o sistema será de fácil manutenção com pouca necessidade de técnicos ou supervisão. Estima-se que cerca de 57 mil pessoas serão beneficiadas, entre deslocados internos e moradores locais.

O projeto de Adé foi entregue em junho a uma organização não governamental, Solidarités, que estará a cargo da supervisão e acompanhamento.

Com a ajuda da população local, o CICV começou a construir mais dois poços nas áreas rurais de Assoungha, que devem estar concluídas por volta do final do ano.

  Melhorando os serviços de saúde  

  Ajuda aos feridos de guerra: o CICV continua a apoiar o Hospital Liberdade, em N'Djamena. Uma equipe cirúrgica de quatro pessoas está no hospital. O CICV também está enviando suprimentos para o estabelecimento. A equipe cirúrgica foi enviada cinco vezes para o Hospital Abéché a fim de oferecer cuidados cirúrgicos para 20 pacientes feridos com armas.

  Melhoria da saúde materna e infantil:   o CICV concluiu uma campanha de vacinação contra sarampo nas áreas remotas de Assungha Norte (Kawa), onde outras 1,149 crianças entre 1 e 14 anos foram imunizadas contra a doença.

  Assistência para que os feridos de guerra voltem a caminhar: o CICV manteve seu apoio para dois centros de reabilitação no Chade. No Centro de Reabilitação de N'Djamena, as vítimas de guerra continuam a receber material ortopédico e protéti co sem custos.

  Difusão do conhecimento sobre as normas de proteção de civis  

O CICV trabalha para garantir que as vítimas de conflitos armados e outras situações de violência recebam a assistência adequada e a proteção a que têm direito de acordo com o Direito Internacional Humanitário. Isto envolve a difusão das normas que protegem os civis nos períodos de conflito, particularmente apoiando os esforços para incorporá-las no treinamento, doutrina e procedimentos das forças armadas e de segurança.

     

  O CICV:  

  organizou sessões informativas em todo o país para mais de 240 membros das forças armadas e de segurança;    

  ofereceu apoio educacional para o ensino do Direito Internacional Humanitário na faculdade do Exército que faz o treinamento de instrutores em Direito Internacional Humanitário e na Universidade Abéché;    

  participou do treinamento de 120 novos policiais que devem entrar para a força policial treinada pela Missão da ONU na República Centro Africana e no Chade.