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Filipinas: fortes enchentes agravam saga dos civis deslocados pelo conflito

24-09-2008 Relatório de operações

As fortes enchentes estão piorando a saga de dezenas de milhares de civis deslocados pelo conflito em Mindanao. Em cooperação com a Cruz Vermelha Nacional Filipina, o CICV continua a ajudá-los a satisfazer as necessidades básicas, oferecendo água potável, comida e outros gêneros essenciais. Desde 10 de agosto, o CICV assistiu mais de 120 mil pessoas em Mindanao.

     
    ©ICRC/ R. Tolentino / V-P -PH-E-00098 
   
Lanao del Norte. Pessoas fogem do conflito. 
                       
©ICRC/ R. Tolentino / V-P -PH-E-00116 
   
Mindanao, Província Lanao del Norte, município de Linamon. Distribuição de ítems de socorro para as pessoas deslocadas. 
                       
©ICRC/ R. Tomas / V-P-PH-E-00105 
   
Mindanao central, Libungan Torreta. Famílias deslocadas improvisam tendas em terrenos inundados. 
                         
©ICRC/ R. Tomas / V-P-PH-E-00102 
   
Mindanao central, Libungan Torreta. Algumas das pessoas que ficaram sem casa sofreram inúmeras vezes as penúrias do deslocamento devido a conflitos e a desastres naturais.  
           

  Panorama  

Desde meados de setembro, as fortes enchentes provocadas por uma temporada de monções excepcionalmente severa provocaram mais deslocamentos em Mindanao. " Esta é uma praga em dobro " , afirmou Christoph Sutter, vice-chefe da delegação do CICV. " Lugares como Datu Piang, em Mindanao Central, estão literalmente se tornando ilhas circundadas por água. "  Datu Piang, que normalmente tem uma população de 8 mil habitantes, agora precisa acomodar cerca de 40 mil pessoas que foram deslocadas pelo conflito ou pelas enchentes, ou ambos. " Todas os locais públicos – incluindo mesquitas, escolas, o pátio do hospital e o mercado de peixes – estão lotados de pessoas deslocadas " , acrescentou Sutter.

Vários centros de evacuação em Datu Piang ficaram recentemente inundados e os deslocados tiveram de se mudar mais uma vez. Na vizinha Mamasapano, os deslocados moram em abrigos provisórios na estrada, o único lugar que ainda permanece acima da água. Os delegados do CICV, trabalhando com seus parceiros da Cruz Vermelha das Filipinas, começaram a distribuir ajuda em Datu Piang e Mamasapano.

Esta situação está dificultando o acesso do CICV às vítimas. " Embora ninguém tenha, deliberadamente, evitado a passagem dos nossos comboios, não conseguimos chegar a alguns lugares por causa dos combates, e em outros, por causa das enchentes " , afirmou Cedric Piralla, que chefia a sub-delegação do CICV em Davao. Cerca de 5 mil famílias deslocadas em dois vilarejos perto de Mamapasano estão agora completamente isoladas em virtude da elevação do nível da água. Nos demais lugares, as pessoas q ue precisam de ajuda precisam andar até os centros de distribuição do CICV porque os caminhões que carregam suprimentos de socorro não podem mais passar pelas estradas lamacentas.

Outro desafio provém do fato de os deslocados precisarem se mudar tanto. " As pessoas estão voltando para seus vilarejos só para precisar fugir de novo, por causa da retomada dos combates, das enchentes, ou de ambos " , afirmou Sutter. O deslocamento que se repete – algumas pessoas já tiveram de fugir de casa quatro vezes desde o começo de 2008 – poderia prejudicar seriamente os mecanismos de sobrevivência. " A situação humanitária em Mindanao teve altos e baixos durante 25 anos, mas agora está particularmente ruim " , afirmou Robert Paterson, coordenador médico do CICV.

  Resposta do CICV/Cruz Vermelha Nacional Filipina  

O CICV trabalha de quatro localidades em Mindanao: os dois escritórios em Davao e em Zamboanga são complementados por equipes permanentes na Cidade de Cotabato (Maguindanao) e em Iligan (Lanao do Norte). Entre sete e oito equipes formadas por funcionários do CICV e da Cruz Vermelha Filipina conduzem seu trabalho no terreno todos os dias, em coordenação com as forças armadas e as autoridades locais. Primeiro eles avaliam as necessidades dos deslocados e então começam a distribuir a ajuda em poucos dias. Desde 12 de agosto, entregaram comida e gêneros domésticos de primeira necessidade para mais de 84 mil pessoas.

" O que nós oferecemos, ao lado do arroz distribuído em pareceria com o Programa Mundial da Fome e as autoridades filipinas, representa 1 mil calorias, ou metade das necessidades nutricionais das famílias beneficiárias " , afirmou Isabelle Bucher, delegada de segurança econômica do CICV. " Portanto, temos muito cuidado para não destruir os mecanismos de sobrevivência e evitar um fluxo massivo de comida, que poderia resultar no colapso dos mercados locais. " Em alguns casos, as mesmas famílias já se beneficiaram de uma segunda distribuição mensal. Os beneficiários incluem tanto os deslocados que buscam refúgio nos centros de evacuação como aqueles que moram com famílias que se ofereceram para abrigá-los.

O CICV também fornece água limpa e saneamento para mais de 40 mil deslocados. Mesmo antes da atual crise, delegados do CICV já haviam montado instalações de água e saneamento em localidades que poderiam vir a receber deslocados, o que afinal acabou acontecendo. Novas obras estão em curso.

" Quando ocorre uma emergência, a primeira prioridade não é uma resposta médica em si " , afirmou Paterson. " Se você garantir que haja água, coleta de lixo, abrigo e comida, consegue, em grande medida, evitar doenças, e uma resposta médica se faz menos necessária. " Mesmo assim, algumas medidas como vacinas contra sarampo, ainda são necessárias, tendo em vista o fato de que grandes números de pessoas estão morando juntas. O sarampo pode deixar seqüelas nas crianças ou mesmo matá-las, principalmente quando elas estão enfraquecidas – e a maioria delas está, segundo Paterson. Ele acrescentou que " a resposta de todos aqueles envolvidos – governos e agências humanitárias – tem sido impressionante, especialmente quando se trata da vacina espontânea contra o sarampo. "  O CICV apoiou centros médicos e ofereceu assistência para feridos de guerra e pessoas deslocadas.

Delegados do CICV estão monitorando a situação das pessoas detidas em virtude do conflito. Além disso, estão documentando denúncias de que foram tomadas precauções insuficientes para proteger os civis das conseqüências dos combates em Mindanao Central. O CICV está debatendo esses temas de forma bilateral com as partes no conflito.

Por fim, o CICV deve lançar uma campanha com cartazes nas áreas atingidas pelo conflito em Mindanao. A campanha vai alertar a população quanto ao perigo dos dispositivos de artilharia não explodidos.

A operação de emergência do CICV e da Cruz Vermelha Filipina complementa os esforços das agências do governo filipino e de outras organizações não governamentais.

  CICV em Mindanao: fatos e números  

Desde o começo da crise em 10 de agosto de 2008, o CICV:

  dobrou o número de funcionários em Mindanao, onde conta agora com 53 funcionários, incluindo motoristas;

  ∙  distribuiu comida e gêneros domésticos essenciais para 84 mil pessoas em Cotabato Norte, Maguindanao, Lanao del Norte e Sarangani;

  forneceu água limpa e saneamento para mais de 40 mil pessoas em Cotabato Norte, Maguindanao e Lanao del Norte. Isto incluiu a construção ou a proteção de dez poços rasos equipados com bombas manuais, a instalação de tanques, o conserto da rede de distribuição de água em uma escola, o pagamento dos custos de água e eletricidade, e a construção de latrinas;

  ofereceu remédios e suprimentos para seis centros de cuidados com a saúde em Mindanao e assistência para cerca de 100 pessoas, incluindo feridos de guerra e deslocados;

  instalou um depósito em Davao do qual pode distribuir até 3 mil rações de comida ou kits de produtos domésticos essenciais todos os dias.

  Outras atividades nas Filipinas  

Continuam as atividades do CICV em outros lugares das Filipina s. Em particular, a organização está monitorando as conseqüências do conflito entre as Forças Armadas das Filipinas e o Exército do Povo Novo no sul de Luzon e os Visayas (região central das Filipinas). Delegados do CICV se encontram com as famílias atingidas, incluindo as vítimas de violações do Direito Internacional Humanitário e as pessoas deslocadas pelos combates, e conversam sobre as preocupações da organização com as partes no conflito. Outras atividades incluem projetos de água e saneamento em benefício de áreas duramente atingidas pelo conflito.

O CICV também visita pessoas sob custódia, e apóia melhorias de água, saúde e moradia em 26 prisões, beneficiando cerca de 14 mil presos. Também entregou produtos de higiene para mais de 7.500 detidos em oito prisões, desde o início de 2008. Um programa de visitas familiares possibilitou que mais de 400 famílias visitassem seus parentes em várias localidades.

O CICV desenvolve regularmente atividades com vistas a fomentar o conhecimento sobre o Direito Internacional Humanitário e os princípios humanitários básicos. Somente no mês de setembro, realizou vários eventos sobre este tema, incluindo um seminário de três dias seguido por 21 oficiais do alto escalão da polícia.

O CICV coopera diariamente com a Cruz Vermelha Filipina em Mindanao e em outros lugares no arquipélago.

  Mais informações:  

  Iolanda Jaquemet, CICV Manila, tel: +63 90 868 38264  

  Simon Schorno, CICV Genebra, tel: +41 79 251 9302