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O CICV no Paquistão

01-06-2011 Panorama

O CICV começou a trabalhar no Paquistão em 1981 para ajudar as vítimas do conflito armado no Afeganistão. As atuais operações da organização se concentram em: visitas aos detidos de segurança; assistência às pessoas deslocadas e às residentes vítimas de violência armada, apoio ao Crescente Vermelho Paquistanês, assegurando atendimento dos feridos de guerra e das pessoas com deficiências, promoção do Direito Internacional Humanitário (DIH) e apoio à ação humanitária.

Depois das inundações recordes que atingiram o Paquistão em 2010, algumas áreas da província de Sindh, ao norte, permanecem inundadas e o CICV continua apoiando estas comunidades que procuram restabelecer seus meios de subsistência. O desastre teve um enorme efeito sobre a população do país, especialmente nas comunidades rurais remotas que já estavam sofrendo os efeitos da violência armada.

A violência armada, que começou no noroeste do Paquistão em meados de 2008, teve um efeito trágico sobre a situação humanitária dessa região e de outras partes do país. Os combates entre as forças armadas do Paquistão e os grupos armados da oposição em Khyber Pakhtunkhwa (KP) desde 2009 têm provocado sucessivos deslocamentos, deixando dezenas de milhares de residentes sem serviços básicos. A repercussão dos combates em KP e o Território Federal de Áreas Tribais (FATA) pioraram a violência que afeta as grandes cidades como Karachi e Lahore. A violência sectária e etnopolítica nessas cidades grandes tem afetado mais as condições de vida de civis.

O conflito armado no Afeganistão continua sendo sentido na província de Balochistão, a sudoeste do Paquistão, onde dezenas de vítimas cruzam a fronteira em busca de assistência médica.

Trânsito da população

O acesso à população necessitada continua sendo prejudicada pelos combates e medidas de segurança relacionadas, tais como postos de controle e toque de recolher e pelos constantes movimentos da população. No entanto, em cooperação com o Crescente Vermelho Paquistanês, o CICV mantém altos níveis de assistência aos civis nas áreas atingidas pelos combates e aos deslocados internos, que encontraram refúgio em áreas mais seguras - entre as famílias acolhedoras e, em menor frequência, nos campos.

O CICV continua prestando significativo apoio médico para os hospitais de distrito em KP e no Fata, incluindo apoio e treinamento farmacêutico e de infraestrutura. As unidades de saúde do Crescente Vermelho Paquistanês que operam em KP, Fata e Balochistão também recebem apoio material do CICV.

Desde o início de 2010, o CICV fornece ajuda de emergência para mais de 200 mil deslocados internos a cada mês e tem ajudado as famílias a restabelecerem o contato depois que eles foram separados pela violência. 

O CICV apoia o retorno dos deslocados internos às suas zonas de origem, fornecendo sementes, fertilizantes e ferramentas agrícolas básicas para que possam recuperar seus meios de subsistência.

Assistência aos deficientes

Em Peshawar, o hospital cirúrgico do CICV atende pacientes feridos por armas. Seu programa de reabilitação física proporciona aos pacientes com deficiência a chance de recuperar uma vida ativa.

O CICV tem acesso a alguns detidos em Sindh, na parte da Caxemira administrada pelo Paquistão e no Gilgit-Baltistão. A organização dirige um programa que ajuda as famílias a manter contato com seus parentes detidos em presídios no Paquistão e no exterior.

A fim de aumentar o conhecimento do Direito Internacional Humanitário (DIH) e de seu próprio mandato, o CICV mantém contato com oficiais de alta patente das forças armadas e de segurança e a polícia e, em menor grau, com membros de grupos armados. Em particular, insta a que se respeitem os civis e os funcionários da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. No plano de comunicação do CICV, outros parceiros importantes são os meios de comunicação, os líderes tribais e religiosos e os acadêmicos.


Foto

O CICV distribui alimentos para vítimas do distrito de Sibi, no Paquistão 

O CICV distribui alimentos para vítimas do distrito de Sibi, no Paquistão. O oficial de terreno do CICV explica o conteúdo do pacote de alimentos para um menino.
© CICV / M. Naseer / v-p-pk-e-00976