©ICRC/T. Gassmann/CER-E-00679
Em 2007, o CICV distribuiu comida para mais de 2,5 milhões de pessoas, principalmente para deslocadas internas e residentes. Outras 2,8 milhões se beneficiaram de programas sustentáveis de produção alimentar e de iniciativas micro-econômicas.
Na entrevista coletiva em Genebra para apresentar o Relatório Anual, Kellenberger afirmou que o CICV já havia lançado apelos para recursos extras para seis países em 2008 – Somália, Sudão, Iêmen, República Democrática do Congo, Quênia e um programa combinado em Mali e Níger, na região do Sahel. Para três desses países os pedidos são necessários para financiar as distribuições de comida realizadas pelo CICV a fim de responder à crescente crise alimentar.
Somália
Kellenberger citou o exemplo da Somália, que vai se tornar a terceira maior operação do CICV em 2008.
"Para começar, na Somália existe uma população extremamente vulnerável; além disso há muitos anos de conflito armado, uma seca devastadora, a depreciação da moeda local em 50%, e agora a escalada dos preços dos alimentos. Esta situação terrível nos levou à decisão de aumentar nossos gastos de 2008 em 55 milhões de francos suíços a fim de fornecer rações de comida completas para 500 mil pessoas, durante quatro meses – uma operação grande e complexa."
O presidente afirmou que a escalada nos preços dos alimentos levou a duas tendências preocupantes – um aumento no número de pessoas que dependem da assistência alimentar e que não estão em condições de produzir comida em virtude de conflitos e a possibilidade de que a crise alimentar gere violência. Ele explicou que nos contextos onde há inúmeras pessoas vulneráveis e muito pobres, onde o aumento nos preços da comida ameaça a sua sobrevivência, cresce a possibilidade de explosão da violência. Kellenberger acrescentou que o CICV não vai apenas fornecer mais comida quando for necessário, mas também vai monitorar de perto o possível impacto humanitário da violência provocada pela falta de comida sobre as pessoas vulneráveis.
Iêmen e Darfur
Kellenberger chamou a atenção para a gravidade que atingiu a crise alimentar, atingindo países como o Iêmen, que normalmente não tinham um problema sério de fornecimento de comida. Ele afirmou que o CICV iria fornecer comida para 30 mil pessoas no Iêmen, muitas das quais são deslocadas internas.
O CICV também vai continuar a fornecer comida e outros produtos importantes para o campo de deslocados Gereida, em Darfur, uma vez que as outras agências continuam sem poder ter acesso ao campo, por causa da insegurança.
O presidente sublinhou o papel do CICV no fornecimento de comida e outro tipo de assistência em contextos de conflito onde é o único humanitário a ter acesso, e que Gereida é um exemplo claro disso. Kellenberger reconheceu que o papel do Programa Mundial da Fome (WFP) como o principal ator global em termos de fornecimento de comida, e acrescentou que o CICV distribui às vezes suprimentos de comida do WFP em lugares onde a agência da ONU não consegue ter acesso.
Quando lhe perguntaram como os crescentes gastos em comida atingiriam os outros programas do CICV, Kellenberger respondeu estar confiante de que as novas despesas não iriam prejudicar as atividades de assistência e proteção em curso em todo o mundo.
Em resposta à questão sobre as quantidades de comida, o presidente respondeu que, em 2008, o CICV deve praticamente triplicar a quantidade de alimentos que fornece para países que passam por conflitos, em todo o mundo.