Ao apresentar o relatório anual de 2008 do CICV, o presidente da organização, Jakob Kellenberger, disse: "O Afeganistão, a Somália e o Paquistão são três exemplos de países nos quais os desastres naturais e o aumento nos preços dos alimentos pioraram ainda mais as condições de vida das pessoas pobres, que já lutavam para lidar com os efeitos da guerra".
O relatório mostra que as despesas do CICV alcançaram um ponto máximo em 2008, chegando a mais de um bilhão de francos suíços. A África representa 47% dos gastos em terreno, enquanto que 20% foram para o Oriente Médio. O aumento nos gastos se deve à deterioração da situação humanitária em muitos países, como Sri Lanka, República Democrática do Congo e Paquistão, mas também reflete um maior acesso do CICV às pessoas afetadas pelas guerras. "O ano de 2008 mostrou claramente que a ação humanitária neutra e independente do CICV traz importantes benefícios para as vítimas de conflitos armados", disse Kellenberger. "Isso permite ao CICV ter acesso e ajudar pessoas em lugares onde outros não conseguem chegar. O Iraque, a região de Sahel, a Somália e a Geórgia são bons exemplos".
O Presidente do CICV lamenta o fato de que em 2008 inúmeros civis tenham sofrido mais uma vez, seja porque foram alvos deliberados ou porque as partes em conflito não puderam distinguir entre os civis e os bens civis dos combatentes e objetivos militares: "Grande parte desse sofrimento poderia ter sido evitado se as partes em conflito tivessem melhorado a aplicação do Direito Internacional Humanitário".
Quanto ao futuro, o Presidente do CICV disse que era difícil prever o exato impacto dessa crise econômica global sobre as pessoas já vulneráveis pela guerra. No entanto, manifestou preocupação com o aumento do número de pessoas que vive na pobreza extrema, o aumento do desemprego em todo o mundo e uma importante queda nos envios de dinheiro dos trabalhadores imigrantes para suas famílias nas áreas de conflito, o que poderia ter um grave efeito sobre as vítimas mais pobres dos conflitos armados. Kellenberger disse que a organização pôde aumentar suas atividades humanitárias quando necessário.
No ano passado, o CICV distribuiu mais de 121 mil toneladas de alimentos, mais do que o dobro de 2007, fazendo com que o número de pessoas beneficiadas pelo socorro alimentar aumentasse de 2.52 milhões (2007) para 2.79 milhões. Houve um aumento de 6% com relação a 2007 no número de deslocados internos, que em 2008 foi de 72%. Os projetos de água, saneamento e construção do CICV beneficiaram mais de 15 milhões de pessoas, enquanto os estabelecimentos médicos apoiados pela organização atenderam a quase 3.5 milhões de pacientes. O CICV visitou mais de meio milhão de detidos em 83 países e distribuiu mais de 667 mil mensagens Cruz Vermelha, das quais 218 mil foram mensagens trocadas entre detidos e suas famílias.
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Anna Schaaf, CCIV Genebra, tel: +41 22 730 22 71 ou +41 79 217 32 17