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7-06-2007  Entrevista  
República Centro-Africana: aproximando-se das vítimas
A combinação das conseqüências da pobreza e do conflito interno tem provocado um sofrimento tremendo na República Centro Africana - especialmente entre os grupos de pessoas que estão deslocadas no norte do país. Jean-Nicolas Marti, chefe da delegação do CICV em Bangui, explica como a organização pensa em melhorar a situação em 2007.

1. Como a situação humanitária na República Centro Africana mudou nos últimos seis meses?
Nas regiões noroeste e nordeste do país, a situação é relativamente estável em termos de deslocamentos populacionais. Aqueles que fugiram de seus vilarejos e buscaram refúgio na selva ainda estão, na maioria, na selva. As chuvas já começaram, e esta é a principal mudança. Os deslocados terão de passar por uma segunda estação chuvosa sob tendas ou abrigos improvisados. Portanto, embora tenham acontecido algumas operações militares nos últimos meses, notadamente em Birao no início de março, as necessidades humanitárias aumentaram.

A avaliação das necessidades é difícil tendo em vista o tamanho das regiões envolvidas e a relativa dispersão das organizações humanitárias no país. O CICV mantém uma presença contínua em Paoua e Kaga Bandoro e vamos abrir uma delegação em Birao, que nos dará um panorama melhor da situação. Nesta fase, é importante não esquecer a população residente, que também sofreu as conseqüências do conflito armado, ou as pessoas que voltaram para suas terras e necessitam de assistência. As necessidades são enormes uma vez que não derivam apenas do conflito, mas também de décadas de subdesenvolvimento e pobreza crônica.

2. Como o CICV está respondendo a essas necessidades?

Basicamente, o CICV tem o compromisso de ajudar 100 mil pessoas – a maioria deslocadas – em 2007. As distribuições começaram no final de abril em Paoua e outras operações estão para começar em Kaga Bandoro. Essas operações serão ampliadas para o nordeste quando tivermos os meios logísticos para tal.

Nossa resposta leva em conta vários tipos de necessidades uma vez que estamos distribuindo itens importantes como cobertores, redes de mosquito e utensílios de cozinha, mas também instrumentos agrícolas e redes de pesca, e também estamos reformando pontos de água estrategicamente localizados.

No entanto, nossa resposta procura principalmente fazer frente às necessidades de proteção. Tentamos convencer os portadores de armas a mudar seu comportamento, sejam eles membros de forças regulares, da Guarda Republicana ou de grupos rebeldes. Nas conversações bilaterais que temos com eles, sempre insistimos no destino dos civis e na necessidade de respeitar os princípios básicos que regem a conduta das hostilidades. Obviamente, também precisamos oferecer ajuda material para as vítimas do conflito.

3. Ao longo do ano, o CICV aumentou seu orçamento para a República Centro Africana. Por quê?

O aumento do orçamento chegou a CHF 5.249.321, o orçamento inicial para as nossas atividades no país havia sido fixado em CHF 5.539.000. Os fundos obtidos serão usados para incrementar nossas operações no terreno. Em virtude de a República Centro Africana não ter um porto e só uma precária rede de estradas, o país representa um desafio logístico que não enfrentamos em outros lugares. A fim de ser eficientes, não importamos apenas suprimentos de auxílio, mas também os transportamos para o interior do país.

A maior parte do tempo isso é feito de avião, o que significa que deve ser montado um sistema logístico caro. No entanto, algumas regiões do país só são acessíveis através das estradas quatro ou cinco meses por ano.

Deixe-me acrescentar que o desejo do CICV de conduzir seu trabalho de proteção e assistência tão próximo quanto possível dos beneficiários significa um investimento considerável em termos de equipe e infra-estrutura em um país onde pouco ou nada existe, mesmo se ficarmos atentos às despesas. Para concluir, o custo de nossos programas é determinado principalmente pelo número de vítimas que queremos alcançar – um número que cresceu de 40 mil para 100 mil pessoas em 2007.

4. A segurança é um problema?

As condições de segurança são complicadas e voláteis e ainda é preciso fazer muito para entender as interações locais se quisermos ser realmente eficientes. Foi preciso, por exemplo, de um ano inteiro depois de abrir nosso escritório em Paoua antes que entendêssemos todos os perigos que existem quando se viaja nesta região infestada de bandidos de estradas. Essas coisas levam tempo. É impossível entender as necessidades da população, os perigos que elas enfrentam e o contexto da segurança quando se faz uma viagem rápida pelo país.

Felizmente, a Cruz Vermelha geralmente tem uma imagem muito boa, parcialmente por causa da sua abordagem neutra e imparcial, mas também porque a Sociedade Nacional demonstrou ser eficiente apesar dos seus meios limitados. As organizações humanitárias são às vezes acusadas de parcialidade – de, por exemplo, “ajudar apenas os rebeldes” – mas essas acusações são lugar-comum em todos os contextos. Devemos, portanto, fazer um esforço constante para esclarecer os mal-entendidos com os vários atores envolvidos.

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7-06-2007