10-08-2009 Relatório Nosso mundo. Perspectivas do terreno. Resumo do relatório: Afeganistão, Colômbia, Filipinas, Geórgia, Haiti, Líbano, Libéria e República Democrática do Congo (em formato PDF/427 k) Ajuda PDF Informe resumido: Afganistán, Colombia, Filipinas, Georgia, Haití, Líbano, Liberia y República Democrática del Congo
Parte 1 – O impacto do Conflito Armado
Assim como o deslocamento, muitos entrevistados sofreram danos graves a sua propriedade ou viram suas casas sendo saqueadas. A falta de acesso a necessidades básicas e a cuidados médicos também é um problema generalizado, sobretudo no Afeganistão e Haiti, onde a maioria das pessoas sofreu a falta de ambos. Por último, mas não menos importante, há um impacto enorme sobre as pessoas. Muitas perderam sua fonte de renda devido ao conflito armado, incluindo mais da metade no Afeganistão (60%) e Líbano (51%) e dois quintos no Haiti (40%). Mesmo assim, o caráter das pessoas é, às vezes, fortalecido. Apesar das circunstâncias quase sempre terríveis pelas quais passam, no geral, as pessoas parecem ser mais otimistas do que pessimistas em relação ao futuro (45% X 27%). Elas também valorizam mais o dia-a-dia (50% o afirmam) e dizem se sentir, em geral, menos vingativas (32%) e menos agressivas (36%). No entanto, é inevitável haver emoções negativas em função dos conflitos. As pessoas ficam mais ansiosas em virtude dos conflitos armados (49%) e mais tristes (56%). No Haiti, esses números chegam a 73% e 81%, respectivamente. A confiança também cai: 46% dos entrevistados afirmaram que agora são menos confiantes. Na Geórgia (67%), no Líbano (54%) e na Colômbia (53%). As pessoas têm muitos medos advindos dos eventos traumáticos a sua volta. Diante de tantas ameaças, o que as pessoas mais temem nos conflitos armados? Além disso, existem medos dignos de menção em alguns países em particular: Foi realizada uma comparação entre os medos das pessoas e suas experiências reais. Em muitos casos, são semelhantes. Às vezes, os medos e as experiências são os mesmos. O deslocamento e as dificuldades econômicas, por exemplo, são um medo e uma realidade nos oito países. Também há exemplos específicos como o da República Democrática do Congo, onde a experiência e o medo da violência sexual são ambos muito altos, com índices de 28% e 36%, respectivamente. Em outros casos, o medo e a experiência não são os mesmos. Nos oito países, por exemplo, o medo de ser privado do acesso às necessidades básicas / cuidados com a saúde prevalece bem menos que a realidade baseada na resposta dos entrevistados. É compreensível que as pessoas sintam com mais frequência o medo da morte de um parente que de se separar deles – mas, na realidade, a separação tende a acontecer mais. As pessoas recorrem às próprias famílias / comunidades e organizações formais em busca de ajuda. Em geral, aqueles que estão "mais perto de casa" – os familiares – quase sempre são chamados inicialmente para dar apoio. O CICV, que presta ajuda para 15% daqueles atingidos por conflitos armados, e as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha / Crescente Vermelho, que o fazem para 19%, também são fontes de apoio. Sendo assim, no total 24% dos entrevistados procuram o CICV e / ou as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha / Crescente Vermelho para obter ajuda. Outras fontes de ajuda são o governo (15%), as entidades religiosas (21%), as Nações Unidas (18%), as ONGs (18%) – e até os militares (12%). Novamente aqui, os dados variam conforme o país. No Afeganistão e na República Democrática do Congo, um em cada três (34%) entrevistados recebeu ajuda do CICV e / ou das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha / Crescente Vermelho. O CICV e as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha / Crescente Vermelho também são bem vistas por entender as necessidades das pessoas. Entre os beneficiários da assistência da Cruz Vermelha / Crescente Vermelho na República Democrática do Congo, por exemplo, 83% sentem que as duas organizações entendem "totalmente" suas necessidades. As opiniões também são favoráveis no Líbano (80%), Libéria (72%) e Haiti (58%). De fato, no Haiti quase o mesmo percentual de entrevistados afirma que o CICV e a Cruz Vermelha Haitiana entendem suas necessidades da mesma forma que seus próprios familiares. Acima de tudo, as pessoas que se veem em meio aos conflitos armados precisam de provisões básicas e proteção. Para as necessidades básicas, as pessoas mencionam fundamentalmente: Existem também outras necessidades. As pessoas afirmam que as famílias devem permanecer unidas (18%) e que o respeito / dignidade deve ser mantido (14%). O apoio psicológico é mencionado por 12% ao todo. Nos países em si, outros fatores também vêm à tona. A ajuda econômica é registrada como uma necessidade particular na Colômbia (35%) e aqueles entrevistados na Geórgia se concentram especialmente em uma solução para o conflito (23%). No entanto, as pessoas enfrentam muitos obstáculos na hora de receber ajuda. Para as pessoas com necessidades, receber ajuda nem sempre acontece de forma honesta. Cerca de 59% dos entrevistados nos oito países pesquisados mencionam a corrupção como um obstáculo para receber ajuda. Este número inclui 85% nas Filipinas, 82% na Colômbia, 81% na Libéria, 75% no Haiti e um pouco mais da metade no Afeganistão e na República Democrática do Congo. As pessoas também sofrem restrições por causa do status social / discriminação (37%) e do mercado negro (33%). Outros fatores incluem as dificuldades de acesso aos lugares (39%) ou simplesmente falta de conhecimento quanto à disponibilidade de ajuda. Este último fator é o mais citado no Haiti (50%), na Colômbia (41%), na República Democrática do Congo e nas Filipinas (37% cada um). Algumas pessoas também temem que aceitar ajuda possa ter repercussões para elas, tais como a rejeição por parte da comunidade (13%) ou a percepção de que estão alinhadas com o "lado errado" (20%). No entanto, raramente a ajuda é recusada por não ser necessária ou desejada; menos de 10% na maioria dos países afirmaram isto. Aqueles que ajudam também podem reduzir o sofrimento As famílias são essenciais para reduzir o sofrimento durante os conflitos armados. Entre os outros grupos mencionados, os líderes religiosos, as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha / Crescente Vermelho e o CICV, as organizações humanitárias internacionais, as Nações Unidas e as autoridades governamentais também são amplamente citadas. Muitas pessoas procuram as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha / Crescente Vermelho e o CICV, principalmente no Líbano, onde 46% mencionam em primeiro lugar a Cruz Vermelha libanesa, e na Colômbia, onde 22% citam tanto a Cruz Vermelha colombiana como o CICV. De forma contrastante, e incomum, aproximadamente 42% dos entrevistados no Haiti mencionam em primeiro lugar o Exército como fonte de assistência. Também há uma "segunda fileira" de grupos. Entre estes estão os jornalistas e a mídia. Muitas pessoas consideram que eles têm algum papel a desempenhar. Isto é evidente, em particular, nas Filipinas (42%), Haiti (32%) e Afeganistão (22%). Apoio amplo para a ação direta da "comunidade internacional" Para as pessoas está claro o tipo de envolvimento direto que a comunidade internacional deveria ter. Gostariam, em particular, que a comunidade internacional: As pessoas também querem conversações / negociações de paz (34%), julgamentos de líderes acusados de crimes de guerra (25%), apoio financeiro para as organizações humanitárias (25%) e campanhas de conscientização sobre o sofrimento dos civis (17%). Estas ações são apoiadas nos oito países. Na Libéria, a maioria das pessoas quer forças de paz (65%) e nas Filipinas e no Afeganistão, a metade pede socorro emergencial (52% cada). A intervenção militar tem um apoio mais amplo na Libéria (37%), na República Democrática do Congo (36%) e no Afeganistão (34%). No entanto, geralmente as pessoas não querem sanções econômicas, apenas 10% dos pesquisados aprovam o emprego das mesmas. Isto talvez reflita o medo das pessoas com relação ao impacto financeiro tanto sobre suas próprias famílias como sobre a economia de seus países. As pessoas também não querem que a comunidade internacional reconstrua a infraestrutura nacional. Como aqueles que vivem fora das zonas de conflito armado, isto é, cidadãos de outros países, podem ajudar da melhor forma? Os entrevistados em todos os oito países enfatizam: Cerca de 39% dos entrevistados apoiam a ideia de exercer pressão política sobre os legisladores, incluindo pelo menos a metade na Colômbia, Afeganistão e República Democrática do Congo. Parte 2 – Comportamento durante o conflito armado
As pessoas são contrárias aos ataques aos agentes de saúde e ambulâncias A maioria das pessoas afirma que os ataques aos agentes de saúde (89%) e às ambulâncias (87%) nunca são aceitáveis. Praticamente todos (98% para cima) têm esta opinião nas Filipinas, Líbano e Colômbia. No entanto, no Afeganistão, 27% afirmam que, às vezes, existem razões para atacar os agentes de saúde e 32% acreditam que, às vezes, há motivos que justificam atacar as ambulâncias. Para reduzir o risco de ataque, os entrevistados afirmam que os agentes de saúde e as ambulâncias devem:
Se essas exigências não forem atendidas, algumas pessoas, especialmente no Afeganistão, na República Democrática do Congo, no Haiti e na Libéria, consideram os ataques como aceitáveis. O apoio aos cuidados com a saúde nos conflitos armados é quase universal Em geral, a questão sobre quem os agentes de saúde e as ambulâncias devem ajudar não chega a ser um problema para os entrevistados. Há um consenso generalizado nos oito países de que os agentes de saúde devem ser protegidos mesmo quando estão tratando dos feridos ou doentes entre os combatentes inimigos, especialmente quando tratam dos inimigos civis. Praticamente todos (96%) aceitam o princípio de que todos os feridos ou doentes durante um conflito armado devem ter o direito aos cuidados com a saúde. O princípio é fortemente apoiado em todos os países (96% no Líbano a 71% no Afeganistão). Da mesma maneira, a maioria das pessoas (89%) quer que os agentes de saúde cuidem dos feridos de ambos os lados nos conflitos armados. O nível de apoio a este princípio varia de 96% na Colômbia para 84% no Afeganistão. As Convenções de Genebra Ao todo, pouco menos que a metade dos entrevistados (42%) ouviu falar das Convenções de Genebra. Mais da metade (56%) daqueles que ouviram falar afirma que as Convenções de Genebra têm um impacto em "reduzir o sofrimento dos civis em período de guerra". O conhecimento sobre as Convenções de Genebra varia bastante e vai de 69% no Líbano para 19% nas Filipinas. A grande maioria na Libéria (65%) ouviu falar das Convenções de Genebra. Os liberianos também têm as opiniões mais positivas sobre elas: oitenta e cinco por cento afirma que as Convenções de Genebra têm "muito" impacto ou "satisfatório". No Afeganistão e entre a população residente na Geórgia, as Convenções de Genebra são vistas com uma opinião favorável (70% e 67%, respectivamente). Com uma exceção (Líbano), as pessoas nos países com experiência direta de conflito armado tendem a manter uma opinião mais positiva sobre as Convenções de Genebra. |