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English title: Sri Lanka: ICRC continues to help civilians as crisis escalates
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17-03-2009  Relatório de operações  
Sri Lanka: CICV continua ajudando civis à medida que a crise se agrava
Os combates continuam entre as forças do governo do Sri Lanka e os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (em inglês Liberation Tigers of Tamil Eelam – LTTE), provocando temores quanto às vidas dos que estão presos na área de conflito. O CICV tem levado um pouco de esperança, ao evacuar os doentes e feridos e escoltar as embarcações que levam alimentos e poucos remédios. Atividades do CICV em janeiro e fevereiro de 2009.

O CICV continua ajudando civis à medida que a crise se agrava

Dezenas de milhares de pessoas confinadas em uma área que vem sendo reduzida cada vez mais rápido foram em direção ao litoral para escapar do combate, em busca de segurança, alimentos e cuidados médicos. Mas o número de pessoas na faixa costeira mantida pelo LTTE aumentou dramaticamente nas últimas semanas e a água limpa é escassa. A área é afetada diariamente por bombardeios e as condições limitadas e a falta de água e de saneamento adequado põem a população em risco de epidemias.

"A situação humanitária está se deteriorando a cada dia", disse Paul Castella, chefe da delegação do CICV em Colombo. "Muitas dessas pessoas são obrigadas a se abrigar em trincheiras e correm um considerável risco físico. Depois de terem sido obrigadas a se mudar em massa de um lugar para outro durante várias semanas ou meses, eles dependem completamente de alimentos provenientes de fora da área de conflito.

Os doentes e feridos continuam chegando a Putumattalan, onde os locais ajudaram a montar um centro médico improvisado em um centro comunitário e em uma escola. A equipe médica do Ministério da Saúde faz o possível para lidar com a constante chegada de pessoas feridas pelo combate, mas não há material médico suficiente para atender às suas necessidades.

Tendo a concordância do governo e dos LTTE, o CICV continua evacuando pacientes de Putumattalan (que está na área mantida pelos LTTE) para Trincomalee (na área controlada pelo governo). A barca Green Ocean fretada pelo CICV já evacuou mais de quatro mil doentes e feridos, junto com quem cuida deles, desde que as evacuações começaram, em 10 de fevereiro. As evacuações incluem mais de 1.400 pessoas que necessitam fazer cirurgias, de maneira que a equipe médica do CICV – formada por um médico, um anestesista e um enfermeiro – está ajudando a lidar com o fluxo de pacientes no Hospital Trincomalee.

Desde meados de fevereiro, em doze oportunidades, o CICV facilitou o envio de alimentos de Trincomalee para Putumattalan, entregando um total de mais de sete toneladas de farinha, dhal, açúcar e óleo fornecidos pelo governo e pelo Programa Mundial de Alimentos. Em três oportunidades foi possível entregar alguns remédios fornecidos pelo Ministério da Saúde, mas as quantidades foram limitadas se comparadas às necessidades dessa população.

"Com a constante chegada de pacientes ao centro médico improvisado em Putumattalan, é essencial que essas evacuações aconteçam regularmente e sem interferências. É encorajador ver o trânsito de alimentos e remédios até a área de conflito, mas eles devem ser entregues com regularidade se a intenção é que essas entregas tenham algum impacto", disse Morven Murchison, que coordena as atividades de saúde do CICV no Sri Lanka.

Assim como a população local, as autoridades civis e militares ajudaram com as evacuações médicas e com o envio de alimentos. O descarregamento de alimentos na praia em Putumattalan pode envolver até 275 pessoas para transportar alimentos em barcos de pesca até a costa. Essas operações são perigosas e complexas. O combate é um perigo, mas o mau tempo e o mar revolto com frequência dificultam ainda mais.

Com a ajuda da Cruz Vermelha cingalesa, o CICV pôde distribuir kits de higiene pessoa, kits de emergência com utensílios domésticos e de cozinha e kits com itens para cuidar dos bebês para 130 dos doentes e feridos evacuados. Essas pessoas receberam tratamento médico nos hospitais em Trincomalee e Vavuniya.

Um membro do CICV é morto

O funcionário do CICV, Vadivel Vijayakumar, foi morto em um bombardeio no dia 4 de março próximo ao norte de Valayanmadam, na faixa costeira do território mantido pelos LTTE. Seu filho de nove anos foi ferido no mesmo incidente. É a segunda vez em mesmo de três meses que um membro do CICV é morto no Sri Lanka. Vijayakumar era casado e tinha três filhos.

CICV como intermediário neutro entre o governo e os LTTE

O conflito impede o tráfego por Omanthai, antes o único ponto de passagem entre as áreas do governo e dos LTTE. No entanto, em janeiro o CICV facilitou a passagem de 360 civis, incluindo 70 pacientes que buscavam tratamento no hospital em Vavuniya e quase 125 veículos, incluindo ambulâncias. A equipe do CICV também transportou os corpos de 100 combatentes durante o mesmo período. O último comboio terrestre escoltado pelo CICV ocorreu no dia 29 de janeiro. Desde o dia 10 de fevereiro, o CICV tem facilitado o trânsito de doentes, feridos e socorro humanitário entre as áreas costeiras mantidas pelos LTTE e pelo governo.

Socorro emergencial para aldeãos após o ataque

Um ataque a uma aldeia em Ampara em fevereiro deixou 14 mortos e 10 feridos. O CICV forneceu kits de higiene pessoal e para cuidar de bebês para um total de 143 famílias, enquanto 20 famílias deslocadas pelo ataque receberam utensílios domésticos básicos. Cinco famílias, cujas casas foram queimadas durante o ataque, receberam uma lona, utensílios domésticos e um fogareiro a querosene.

Proteger civis e detidos

O CICV continua monitorando as denúncias de violações ao Direito Internacional Humanitário que afetam civis em todo o país. Em janeiro e fevereiro, mais de 3.900 pessoas contataram a organização alegando desaparecimento de pessoas, prisões arbitrárias, recrutamento de menores, mortes ilegítimas e maus tratos de civis por parte de portadores de armas. Para não pôr em risco as pessoas que relataram tais violações, a equipe do CICV discutiu esses relatos com ambas as partes envolvidas no conflito.

Com a cooperação de autoridades do governo e do LTTE, o CICV tem visitado pessoas presas relacionadas com o conflito armado para monitorar o tratamento que recebem e as condições de detenção. Os delegados do CICV conversaram em particular com mais de 1.400 detidos de segurança e mais de 70 centros de detenção em todo o país e lhes deu roupas, artigos de higiene pessoal e itens de recreação. O CICV arcou com as despesas de transporte de dez detidos para que esses pudessem voltar às suas casas em transporte público após a liberação e as de 635 famílias para visitarem seus parentes detidos.

Trabalhando com voluntários da Cruz Vermelha cingalesa, o CICV pôde fornecer instalações sanitárias e de água para os deslocados em centros de trânsito em Vavuniya e Jaffna. Mais de 150 banheiros foram construídos, além de tanques para armazenar água.

Restabelecimento de laços familiares através de Mensagens Cruz Vermelha

As Mensagens Cruz Vermelha ajudam os detidos e seus parentes e famílias separadas a manterem contato. Em janeiro e fevereiro o CICV e a Cruz Vermelha cingalesa recolheram mais de mil mensagens e quase 400 foram distribuídas.


Mais informações:
Merrick Peiris, Cruz Vermelha cingalesa, tel. +94 11 534 7000 ou +94 773 688 647
Sophie Romanens, CICV Colombo, tel. +94 11 250 33 46 ou +94 777 289 682
Simon Schorno, CICV Genebra, tel. +41 79 251 9302

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17-03-2009