© ICRC/VII / A.Kratochvil / ge-e-00546
Nosso Mundo – Perspectivas da Geórgia
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Resumo Executivo
Formas de violência / sofrimento e suas consequências
Todos os deslocados internos tiveram experiências pessoais de conflito armado na Geórgia. Cerca de um quarto da população residente entrevistada foi afetada de alguma maneira pelo conflito armado na região. Os que tiveram experiência pessoal direta correspondem a 10% da população residente e outros também relataram que sofreram gravemente. No total, 26% dos residentes foram afetados de alguma maneira – tanto pessoalmente ou devido às amplas consequências do conflito armado. Para ambos os grupos – os deslocados internos e a população residente – essas experiências ocorreram em dois períodos-chave: no decorrer do último ano e entre 10 e 19 anos atrás.
Durante o processo de fuga de seus lares, quase todos os deslocados internos perderam todos seus pertences (99%) e viram suas propriedades gravemente danificadas (91%) ou saqueadas (93%). A maioria perdeu contato com um parente próximo (70%) e teve acesso restrito à assistência médica (70%) e às necessidades básicas (67%).
Pesquisa de opinião "Nosso mundo. Perspectivas do terreno."
Essa pesquisa foi realizada em oito países, os quais atualmente estão passando ou passaram por conflitos armados ou outras situações e violência armada. O objetivo foi desenvolver um melhor entendimento das necessidades e expectativas das pessoas, reunir opiniões e pontos de vista e dar voz àqueles que têm sido afetados negativamente pelos conflitos armados ou por outras situações de violência.
Esta pesquisa de opinião em oito países será complementada por uma pesquisa mais profunda (pesquisa qualitativa).
Este trabalho foi encomendado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) dentro do contexto da campanha Nosso mundo. Sua ação.. Lançada em 2009, o objetivo da campanha é chamar atenção do público para a vulnerabilidade e o atual sofrimento das pessoas em todo o mundo. A intenção é enfatizar a importância da ação humana e convencer as pessoas de que elas têm o poder de fazer a diferença e reduzir o sofrimento.
O ano de 2009 é importante para o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho com três aniversários significativos (os 150 anos da Batalha de Solferino, os 90 anos da fundação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e os 60 anos das Convenções de Genebra).
Em 1999, o CICV realizou uma pesquisa semelhante intitulada Pessoas em Guerra, que serve de base para comparação e como um meio de destacar as tendências das opiniões dez anos depois.
Na Geórgia , foram entrevistados 300 georgianos de diversas áreas (exceto Abkházia e Ossétia do Sul), considerados "população residente" nesse relatório.
Outras 200 entrevistas foram realizadas com deslocados internos que tiveram que se mudar da Abkházia ou de Shida Kartli (parte da região disputada na Ossétia do Sul – não foram realizadas entrevistas na Abkházia ou em Shida Kartli), considerados "deslocados internos" nesse relatório.
Entre a população residente, essas experiências ocorrem bem menos (em geral, menos de uma em cada dez pessoas teve uma experiência) – mas os residentes foram profundamente afetados em termos emocionais por essas experiências.
Os principais medos das pessoas são: perda de entes queridos (43% da população residente, 54% dos deslocados internos), deslocamento (para lugares mais distantes) (37% / 32%) e perda de propriedades (26% / 39%). Um quarto dos deslocados internos está preocupado com sua sobrevivência ao conflito – e a "incerteza" geral preocupa ambos os grupos.
Necessidades e assistência
Durante o conflito armado, as pessoas precisam fundamentalmente do "básico" – alimentos (mencionado por 44% da população residente, 46% dos deslocados internos), abrigo (48% / 42%), proteção (40% / 52%) e assistência médica (24% / 19%). Eles também consideram a "solução do conflito" uma prioridade (23% / 49%). Que grupos ou organizações devem atender a essas necessidades?
A população residente em geral recorre aos que estão "mais perto de casa" – os familiares – para apoio imediato (30%). Em comparação, 9% recebeu tal ajuda do governo e 7% do CICV e / ou da Cruz Vermelha georgiana.
Os deslocados internos precisam buscar ajuda além dos limites do campo – uma vez que quase sempre os familiares foram separados ou até mesmo mortos. O governo representa um papel fundamental quando se trata de suprir essas necessidades (82% recorreram ao governo em busca de ajuda), assim como a Cruz Vermelha georgiana (21%), o CICV (39% – 51% para a Cruz Vermelha e o CICV juntos), a ONU (38%) e ONGs (33%).
Os deslocados internos sentem que a maioria das organizações não compreende completamente suas necessidades. Apenas um em cada três deslocados internos afirma que a ONU, o governo, a Cruz Vermelha georgiana, entidades religiosas ou militares compreendem completamente suas necessidades.
Obstáculos na hora de receber ajuda
A população residente e os deslocados internos citam a corrupção (26% e 53%) e as dificuldades de acesso (39% e 21%) como barreiras na hora de receber apoio.
Os deslocados internos destacam os mercados negros (46%) e uma falta de conhecimento quanto à disponibilidade de ajuda (20%) como obstáculos na hora de receber ajuda. Raramente mencionam o orgulho / a dignidade (1%) ou a falta de necessidade (1%) como causa da recusa da ajuda.
Redução do sofrimento
As pessoas – sobretudo os deslocados internos – em geral recorrem primeiro a entidades religiosas para "reduzir o sofrimento durante o conflito armado" (19% dos entrevistados e 30% dos deslocados internos). Quarenta e um por cento dos entrevistados e 46% dos deslocados internos dizem que as entidades religiosas devem desempenhar uma função (ainda que não seja um papel primário).
A Cruz Vermelha georgiana é citada por 20% da população residente, mas por menos deslocados internos (11%). No entanto, os deslocados internos mencionaram um pouco mais o CICV (21%) do que a população residente (15%).
Cerca de um terço da população residente e dos deslocados internos mencionaram ou a Cruz Vermelha georgiana ou o CICV.
Dentro dos grupos de entrevistados, pouquíssimas pessoas sentem que os "líderes comunitários" representam um papel importante na redução do sofrimento.
A Comunidade Internacional
Tanto a população residente e – em particular – os deslocados internos querem que a comunidade internacional organize conversas ou negociações de paz (46% e 70%).
Existe um apoio considerável à intervenção direta, como a entrega de socorro emergencial (32% da população residente, 34% dos deslocados internos), envio de tropas de paz (25% / 50%) e o término do conflito através de intervenção militar (27% / 28%). No entanto, as sanções econômicas e a reconstrução da infraestrutura tiveram menos apoio.
As pessoas que vivem foram das zonas de conflito, isto é, cidadãos de outros países, também devem desempenhar uma função fundamental. Acima de tudo, pede-se que eles doem dinheiro e bens, mas também – em particular os deslocados internos – que ofereçam ajuda voluntária.