Enquanto eu estiver viva,
vou procurar você


Todos os dias, no mundo inteiro, centenas de milhares de pessoas buscam seus entes queridos desaparecidos.

Mais de 40 artistas de todos os continentes, juntamente com o CICV e o projeto Playing For Change, unem suas vozes e seus corações para acompanhar essa busca.

#ABuscaNãoPara

Milhares de pessoas desaparecem no mundo inteiro por várias razões, incluindo conflitos armados, violência, desastres naturais e migração.

No Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas, 30 de agosto, em parceria com o projeto Playing For Change lançamos uma campanha para destacar a necessidade de acompanhar a busca e dar respostas aos familiares que ainda procuram seus entes queridos.

A peça principal da campanha é um videoclipe em que artistas de todos os continentes colocam seu talento em ação para destacar essa problemática global.

“Este é o vídeo mais importante que já fizemos porque nos conecta às raízes de nossa humanidade e questiona diretamente em que tipo de mundo queremos viver. Uma coisa que aprendi é que uma música pode mudar o mundo porque juntos mudamos o mundo. Quando sentimos algo, temos o poder de agir.” Mark Johnson - Playing For Change

“I Still Haven´t Found What I´m Looking For” | CICV + Playing For Change: mais de 40 músicos do mundo todo unem suas vozes e seus corações em homenagem ao Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas (30 de agosto)

“I Still Haven´t Found What I´m Looking For” | CICV + Playing For Change: mais de 40 músicos do mundo todo unem suas vozes e seus corações em homenagem ao Dia Internacional das Pessoas Desaparecidas (30 de agosto)

Ausência, busca, esperança

As pessoas desaparecem por diversas circunstâncias. Entre elas, conflitos armados, outras situações de violência, migrações e desastres.

Devido à falta de informações centralizadas, é impossível saber o número exato de pessoas desaparecidas na maioria dos países afetados, mas a magnitude do problema é enorme.

O desaparecimento tem um impacto duradouro na vida de famílias e comunidades.

Uma pessoa desaparecida é aquela cujo paradeiro é desconhecido para seus familiares e/ou que, com base em informações confiáveis, tenha sido dada como desaparecida segundo a legislação nacional relativa a um conflito armado, a outras situações de violência, a uma catástrofe natural ou a qualquer outra situação que possa exigir a intervenção de uma autoridade competente do Estado.

E os familiares de uma pessoa desaparecida?

Vivem em um limbo, sem poder lidar com o luto devido à falta de certezas. Procuram e esperam, às vezes por muitos anos, sem saber se seu ente querido está vivo ou morto, agarrando-se à mais ínfima esperança, sem poder se conformar. Este sofrimento emocional e psicológico é grave.

Como se essa dor não bastasse, as famílias que perdem o sustento da casa costumam mergulhar em dificuldades econômicas. Também podem temer pela própria segurança, com receio de sofrer algum tipo de retaliação por procurar respostas. Sentem angústia, culpa e impotência. Em muitos casos, a indefinição da situação jurídica da pessoa desaparecida impede que os familiares tenham acesso a serviços básicos e que possam seguir em frente.

Relatório “Ainda?” Essa é a palavra que mais dói

Viver com a ausência é uma realidade dolorosa para familiares de milhares de pessoas que despareceram. No Brasil, o CICV observa o desaparecimento de pessoas como uma realidade atual, que se prolonga há décadas vinculada a diferentes fatores, incluindo a violência.

Por anos e até décadas, os familiares convivem com a incerteza sobre o destino e o paradeiro de seu ente querido. Dedicam-se exaustivamente à busca de respostas. Nesse percurso, enfrentam experiências traumáticas, de risco, desamparo e incompreensão. Mas desenvolvem uma resiliência extraordinária para lidar com problemas novos e específicos da sua condição, embora sua vida fique afetada em quase todas as áreas.

A Delegação Regional para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) realizou uma avaliação das necessidades das famílias de pessoas desaparecidas.

O relatório Relatório “Ainda?” Essa é a palavra que mais dói é resultado das entrevistas com familiares de pessoas que desapareceram no estado de São Paulo e com profissionais que trabalham na área, para compreender essas necessidades e orientar o seu trabalho no Brasil.

O desaparecimento no Brasil

Segundo dados divulgados em 2022 no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, houve 65.225 registros de desaparecimento de pessoas feitos pelas Secretarias de Segurança Pública dos 26 estados e do Distrito Federal em 2021. No mesmo período, 31.733 registros de pessoas localizadas. Atenção especial e coordenação entre as autoridades – em nível federal, estadual e municipal – são chave na busca de soluções.

Uma vida sem cor

Mulher abraça um vestido enquanto olha para o lado.

“Tudo mudou depois do desaparecimento da Eliane. O que era colorido se tornou escuro. Não é mais a vida colorida.”

Édina Torres, irmã de Eliane (Foto: Marizilda Cruppe/CICV)

Mulher abraça a foto do filho enquanto olha para baixo.

“Já faz mais de 24 anos que ele está desaparecido. Estou nessa luta, como as outras mães estão também. Na esperança de encontrar, de ter uma notícia. Hoje, eu desejo encontrá-lo e continuar a minha vida.”

Isabel Cristina, mãe de Tiago (Foto: Marizilda Cruppe/CICV)

O direito de saber

Todo mundo tem o direito de saber o destino e o paradeiro de um familiar desaparecido. Se a pessoa desaparecida faleceu, os familiares que ficaram para trás têm o direito de saber as circunstâncias e a causa da morte, de conhecer o lugar do enterro e de receber os restos mortais, independentemente das particularidades do desaparecimento.  Tanto o Direito Internacional Humanitário (DIH) como a legislação de direitos humanos exigem que os Estados tomem as medidas adequadas para investigar os casos de desaparecimento e informar as famílias sobre o avanço desses procedimentos. 

Além disso, independentemente do quadro jurídico aplicável, atividades como a busca de locais de sepultamento, a exumação de restos mortais e a recuperação e identificação dos corpos são essenciais para esclarecer o destino e o paradeiro das pessoas desaparecidas.

Consequências psicológicas e psicossociais

Não saber se um ente querido está morto ou vivo abala seriamente o bem-estar psicológico das famílias. Elas podem passar a vida inteira procurando respostas e, como resultado, tendem a se isolar social e emocionalmente. Em particular, as crianças são gravemente afetadas porque, além de lidar com um desaparecimento, também enfrentam mudanças nas relações entre os membros da família.

Como o CICV ajuda?

Há mais de 150 anos, o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho se empenha em esclarecer o destino de pessoas desaparecidas. Pela proximidade com suas comunidades, os funcionários e voluntários da Sociedade Nacional, com o apoio do CICV, costumam desempenhar um papel fundamental no apoio às famílias que buscam entes queridos desaparecidos ou separados.

Embora as autoridades sejam as principais responsáveis por dar respostas às famílias, o papel do CICV está definido em seu mandato humanitário. Oferecemos orientação e ferramentas para fortalecer as capacidades institucionais de desenvolver os mecanismos necessários para buscar pessoas vivas e identificar as pessoas falecidas.

Busca de pessoas desaparecidas e acompanhamento de familiares

Agência Central de Busca do CICV apoia o trabalho das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, ajudando as pessoas a empreender o longo e árduo processo de procurar seus familiares. Fornece conhecimentos técnicos em rastreamento, ciência forense e gestão de dados, pois a busca por pessoas desaparecidas, a gestão de pessoas falecidas e a identificação de restos mortais exigem uma abordagem coordenada, holística e multidisciplinar.

Neste cordel, literatura brasileira originária do nordeste, a autora Julie Oliveira traz versos rimados sobre a realidade das famílias de pessoas desaparecidas.

Neste cordel, literatura brasileira originária do nordeste, a autora Julie Oliveira traz versos rimados sobre a realidade das famílias de pessoas desaparecidas.

Parceria com Playing for Change

Mais de 40 músicos do mundo todo uniram suas vozes e seus corações para gravar a canção I Still Haven’t Found What I’m Looking For, da banda U2.

O vídeo foi possível graças à generosa participação dos artistas:

Roopak Naigaonkar, Mumbai, Índia

Marfa Kurakina, Rio de Janeiro, Brasil

Louis Mhlanga, Harare, Zimbábue

Kátsica Mayoral, La Paz, México

Roberto Luti, Livorno, Itália

Daniel Lanois, Toronto, Canadá

Inara George, Topanga, EUA

Tushar Lall, Mumbai, Índia

François Causse, Sète, França

Sherieta Lewis e Roselyn Williams, Kingston, Jamaica

Olivia Ruff, Kauai, EUA

Madjid Fahem, Mantes-La-Jolie, França

John Cruz, Maui, EUA

Michael Ruff, Kauai, EUA

Paulo Heman, Rio de Janeiro, Brasil

Andrea García e Rodrigo Cadena, La Paz, México

Coro Amaan, Aman, Jordânia

Glen David Andrews Band, New Orleans, EUA

Prince Diabaté, Conakry, Guiné

David Giosa, Rosario, Argentina

Chris Pierce, Venice Beach, EUA

Sosha Choir - Soshanguve - África do Sul