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As pessoas desaparecidas não podem ser esquecidas

27-08-2014 Comunicado de imprensa No. 14/145

Genebra (CICV) – Durante os preparativos para o Dia Internacional dos Desaparecidos, comemorado no dia 30 de agosto, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) exorta a comunidade internacional a demonstrar maior consciência sobre a tragédia vivida pelas pessoas desaparecidas e a difícil situação enfrentada pelas suas famílias.

Centenas de milhares de pessoas no mundo inteiro desapareceram como consequência de conflitos armados, desastres naturais ou migrações. Cada pessoa que desaparece deixa atrás de si um grande número de pessoas – em especial familiares – sofrendo a angústia de não saberem o que aconteceu.

 

Quando as pessoas desaparecem, há dois tipos de vítimas: os indivíduos desaparecidos e as suas famílias, dilaceradas entre o desespero e a esperança, convivendo com a incerteza e a dor, esperando notícias, às vezes por décadas

 “Quando as pessoas desaparecem, há dois tipos de vítimas: os indivíduos desaparecidos e as suas famílias, dilaceradas entre o desespero e a esperança, convivendo com a incerteza e a dor, esperando notícias, às vezes por décadas”, explicou Marianne Pecassou, responsável pelas atividades realizadas pelo CICV em prol das pessoas desaparecidas e das suas famílias. Embora o que as famílias mais necessitem seja descobrir exatamente o que passou com os seus parentes, elas também precisam de um modo adequado de honrar a memória dos seus entes queridos. “Estas pessoas lutam contra o esquecimento. As cerimônias comemorativas proporcionam o reconhecimento público do seu sofrimento, dão a elas uma voz e as tiram do isolamento”, afirma Pecassou.

Em alguns lugares, o número de pessoas desaparecidas é assombroso. Na Colômbia, por exemplo, mais de 68 mil pessoas continuam desaparecidas, das mais de 90 mil que haviam sido informadas inicialmente. No Sri Lanka, o destino e o paradeiro de mais de 16 mil pessoas ainda são desconhecidos. No Peru, entre 13 mil e 16 mil pessoas desapareceram e as suas famílias continuam esperando notícias. E ainda não se sabe o que aconteceu com cerca de 9 mil pessoas das mais de 22 mil que tinham sido informadas ao CICV como desaparecidas em relação com os conflitos nos Bálcãs.

“Os Estados têm a obrigação segundo o Direito Internacional Humanitário (DIH) de tomar todas as medidas factíveis para esclarecer o destino e o paradeiro de pessoas desaparecidas e dar às famílias todas as informações que têm”, afirmou Christine Beerli, vice-presidente do CICV, durante um evento comemorativo na sede da organização, do qual participaram representantes do governo e membros da comunidade humanitária e diplomática de Genebra.

A difícil situação vivida pelos desaparecidos – e o sofrimento das suas famílias, frequentemente ignorado – são preocupações constantes do CICV. A organização atualmente tenta estabelecer o destino e o paradeiro de mais de 52 mil pessoas. “Este número é apenas a ponta do iceberg, já que estes são somente os casos que foram trazidos ao conhecimento do CICV por familiares. Sabemos que muitas mais pessoas continuam desaparecidas no mundo todo”, lamenta Pecassou. 

Além de trabalhar diretamente com as famílias das pessoas desaparecidas, a organização exerce um importante papel ao trazer o assunto dos desaparecidos à agenda pública. O Comitê insta as autoridades a tomarem atitudes com o objetivo de atender às necessidades das famílias e encoraja a busca dos seus entes queridos desaparecidos.

Para marcar o Dia Internacional dos Desaparecidos, o CICV está lançando uma nova publicação com o título “Living with Absence: Helping the Families of the Missing” (“Conviver com a Ausência: Ajudando as Famílias de Desaparecidos”) que expõe a difícil situação sofrida pelos desaparecidos, enfatiza as múltiplas necessidades das famílias e descreve as respostas sob medida que o CICV oferece. O conteúdo é complementado por narrativas pessoais de familiares de desaparecidos.

  

Pessoas desaparecidas: quem são elas?

Um desaparecido é uma pessoa cuja família desconhece o seu paradeiro como consequência de um conflito armado, desastre ou outras crises.

Quem são elas?Quais são as necessidades das suas famílias?
  • Civis afetados por conflitos ou pela violência
  • Civis afetados por desastres naturais ou causados pelo homem
  • Membros de forças armadas e outros combatentes
  • Prisioneiros de guerra e outras pessoas detidas
  • Migrantes
  • Legais e administrativas
  • Socioeconômicas
  • Justiça e reconhecimento
  • Outras
  • Psicológicas, psicossociais e de bem-estar
  • A necessidade de saber

 

O CICV tem relatos de pessoas desaparecidas em 73 países e territórios

 

Mais informações:
Céline Buvelot Corthésy, CICV Genebra, tel: +41 22 730 30 84 ou +41 79 574 28 89