Crise humanitária na Ucrânia e em países vizinhos

Moradores da região de Donbas e de outros lugares já sofrem com o conflito armado há oito anos. Mas a intensificação e a propagação dos combates por todo o país podem causar mortes e destruição de uma magnitude aterradora, considerando as imensas capacidades militares envolvidas.

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Em 1º de abril de 2022, uma equipe do CICV conseguiu chegar ao hospital militar de Irpin, perto da capital Kiev. Estava vazio e fortemente danificado. Enquanto a equipe dirigia pelas ruas, as pessoas começaram a se aproximar, pedindo primeiros socorros ou evacuação médica. Alyona Synenko/CICV

Começou uma nova fase dos combates na Ucrânia. A prioridade do CICV é prestar assistência a quem precisa. Se as condições de segurança permitirem, nossas equipes que atualmente estão na Ucrânia vão continuar trabalhando para reparar infraestruturas vitais, apoiar as instalações de saúde com o fornecimento de remédios e equipamentos, e prover alimentos e itens de higiene para as famílias.

 

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O CICV está profundamente alarmado com a situação em Mariupol, onde a população precisa urgentemente de assistência. O acesso humanitário imediato e desimpedido é urgentemente necessário para permitir a passagem voluntária e segura de milhares de civis e centenas de feridos para fora da cidade, inclusive da área da usina de Azovstal.

Desde o final de fevereiro, o CICV trabalha dia após dia para chegar às pessoas civis necessitadas, em Mariupol e outras cidades onde elas estão encurraladas. A organização pediu repetidamente acesso para a saída voluntária e segura de civis dessas áreas e a entrada de ajuda humanitária imparcial, instando pelo respeito ao princípio da humanidade e ao Direito Internacional Humanitário.

Estamos intensificando nossas ações em 10 lugares na Ucrânia, incluindo Kiev, Poltava, Dnipro e Odessa, para lidar com a situação em rápida evolução. Caminhões percorrem todo o país para fornecer suprimentos médicos e outros artigos. Outros comboios com ajuda essencial chegarão nos próximos dias.

À medida que o conflito armado internacional na Ucrânia avança, o nível de morte, destruição e sofrimento que continua a ser infligido às pessoas civis é aberrante e inaceitável.

Mais de 4 milhões de pessoas deixaram suas casas em países vizinhos, e mais de 6,5 milhões de pessoas ainda na Ucrânia foram deslocadas de suas casas. Centenas de milhares estão encurraladas em cidades desesperadas por conseguir uma fuga segura.

Desde o início do conflito, o CICV vem dialogando com autoridades russas e ucranianas sobre suas obrigações segundo o Direito Internacional Humanitário (DIH) e quais medidas práticas devem ser tomadas para limitar o sofrimento de civis e daquelas pessoas que não participam mais das hostilidades, incluindo feridos, doentes e prisioneiros de guerra.

Para grande preocupação do CICV, as partes ainda precisam cumprir muitas de suas principais obrigações no âmbito do DIH ou chegar a um consenso sobre questões-chave que somente elas podem cumprir de forma concreta.

Florence Gillette, chefe da delegação do CICV em Kiev:

O Direito Internacional Humanitário é claro: todas as partes em conflito têm a obrigação jurídica de planejar e conduzir as operações militares garantindo a proteção das pessoas civis e dos bens de caráter civil.

Uma mulher idosa mostra o interior de um edifício residencial danificado por um bombardeio recente em sua aldeia, na região de Donetsk, 24 de fevereiro de 2022. Credit/SNA

Em um esforço para avançar nas conversas sobre essas questões, reduzir o sofrimento e aumentar a assistência às pessoas civis necessitadas, o presidente do CICV viajou primeiro para Kiev e depois para Moscou para se reunir com as autoridades.

Suas reuniões com autoridades em Moscou provocaram profunda raiva em algumas pessoas. Queremos deixar claro que essas reuniões diplomáticas com todos as partes estão ancoradas no DIH e na firme defesa do melhor interesse dos civis encurralados no conflito.

Pedimos aos envolvidos no combate que levem em conta que:

  • As partes em conflito na Ucrânia devem respeitar o Direito Internacional Humanitário (DIH), garantir a proteção da população civil e das pessoas detidas, e abster-se de efetuar ataques ilegais. O uso de armas de amplo impacto deve ser evitado em áreas povoadas.
  • As infraestruturas essenciais – como os sistemas de água, gás e energia que são vitais para o abastecimento de casas, escolas e instalações médicas – devem ser poupadas, inclusive de ataques realizados por novas tecnologias e meios tecnológicos.
  • O espaço para a ação humanitária neutra, imparcial e independente deve ser protegido para que os organismos de ajuda, como a Cruz Vermelha Ucraniana, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho como um todo, possam continuar tendo acesso à população civil.

Ao mesmo tempo, ataques deliberados e direcionados usando narrativas falsas e desinformação para desacreditar o CICV têm o potencial de causar danos reais às equipes do CICV, aos nossos parceiros do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho que trabalham no terreno e às pessoas que assistimos.

As necessidades aumentam a cada hora, e nossa capacidade de fornecer assistência humanitária está hoje sendo prejudicada por uma onda de desinformação sobre nosso trabalho e o papel que desempenhamos para aliviar o sofrimento em conflitos armados.