Promovida pela Delegação Regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para a Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, a exposição traz uma retrospectiva das fotos premiadas nos 15 anos do Prêmio Visa d’Or Humanitário CICV - uma das categorias do prestigioso Festival Internacional de Fotojornalismo Visa pour l’Image, realizado anualmente em Perpignan, na França.
Instalada no interior do Panteão, a exposição convida o público brasiliense a refletir sobre as consequências humanitárias dos conflitos armados contemporâneos.
As fotografias revelam a face cotidiana e complexa desses conflitos: da proteção vital às missões médicas e a força resiliente das mulheres em zonas de combate, à tragédia silenciosa dos civis que enfrentam o luto e a perda de seus familiares. Os registros percorrem o cenário de escombros das guerras e a crueza dos deslocamentos forçados, reforçando uma mensagem central do Direito Internacional Humanitário (DIH), de que até as guerras têm limites.
Organizado em parceria com o Visa pour l’Image — tradicional festival internacional de fotojornalismo realizado em Perpignan, na França — o Prêmio Humanitário Visa d’Or homenageia profissionais que documentam, muitas vezes sob risco, a realidade de populações afetadas por conflitos armados ao redor do mundo.
Ao longo de suas 15 edições (2011–2025), o prêmio destacou diferentes dimensões das consequências humanitárias dos conflitos armados. Entre 2011 e 2014, o foco esteve no respeito à missão médica em tempos de guerra. De 2015 a 2017, as mulheres na guerra foram o eixo central das reportagens premiadas. Entre 2018 e 2021, a atenção se voltou para as guerras urbanas. Já em 2022 e 2023, o tema dos deslocamentos forçados de populações ganhou destaque. Nas edições mais recentes, de 2024 a 2025, o prêmio abordou o destino dos civis em conflitos armados.
“Esta exposição aqui, em Brasília, não propõe uma cronologia ou um percurso pré-definido. A mostra convida o visitante a confrontar fragmentos de uma realidade global onde a violência e a resiliência coexistem”, afirmou o chefe da Delegação Regional do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Nicolas Olivier. "Ao observar os registros de hostilidades que marcaram o período de 2011 a 2025, o público é convocado a construir sua própria compreensão sobre o impacto humanitário dos conflitos armados”, acrescentou.
Para Olivier, a seleção é, também, um tributo ao olhar e ao risco assumido pelos fotojornalistas premiados que atuaram sob ameaça à própria segurança, para documentar essas realidades. “Esses trabalhos são importantes para conectar o sofrimento distante à nossa responsabilidade comum e reforçam a necessidade irrevogável de cumprimento das normas e princípios do Direito Internacional Humanitário aplicável nos conflitos armados”, ressaltou. Ao converter fatos em documentos, essas imagens situam a fotografia como um instrumento para a construção da memória histórica contemporânea que resiste à invisibilidade.
Gaza, Síria, República Democrática do Congo, Iêmen e Colômbia estão entre os contextos retratados na mostra.
Ao ocupar um monumento cívico no coração da capital do país, na Praça dos Três Poderes, a exposição insere o debate humanitário em um dos espaços mais emblemáticos da vida democrática brasileira e reforça o papel da fotografia como instrumento de memória e reflexão, lembrando que, mesmo em tempos de guerra, a humanidade deve prevalecer.