República Centro-Africana: Cruz Vermelha impedida de prestar ajuda

09 outubro 2014

Bangui/Genebra (CICV) – Uma nova onda de violência tomou conta da capital Bangui, causando várias vítimas. Além disso, residências e comércios foram saqueados e incendiados. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho faz um apelo para que se respeite e proteja a vida e a dignidade da população civil.

Ontem, os voluntários e os serviços de emergência da Cruz Vermelha Centro-Africana sofreram ameaças diretas devido a um mal-entendido de algumas pessoas com relação às atividades de recolhimento dos corpos, impedindo o trabalho de socorro.

Durante estes momentos difíceis para a população da capital, a Cruz Vermelha Centro-Africana, com o apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e de outros parceiros, está fazendo todo o possível para recolher os restos mortais das pessoas atingidas pela violência, já que nenhum outro serviço público tem capacidade para tal. Isso é feito para assegurar que as famílias possam sepultar seus entes queridos com o devido respeito e dignidade, mantendo-se os rituais fúnebres. Os feridos são transferidos para atendimento nos centros de saúde.

A Cruz Vermelha está sumamente preocupada com as ameaças feitas que impedem as atividades de socorro de emergência. Isso significa que muitas vítimas em toda a capital são abandonadas à sua própria sorte. "É realmente lamentável que esses atos possam pôr em risco as tentativas de ajudar os feridos", afirmou o presidente nacional da Cruz Vermelha Centro-Africana, Antoine Mbao Bogo.

A Cruz Vermelha faz um apelo a todos os portadores de armas e a todas as pessoas que participam diretamente da violência para se absterem de interferir no trabalho humanitário neutro e imparcial das suas equipes. "Sem segurança, não podemos fazer nosso trabalho e salvar vidas", declarou o chefe da delegação do CICV em Bangui, Jean-François Sangsue. "As ameaças devem terminar. Pedimos à população que facilitem o trabalho dos voluntários da Cruz Vermelha. Se as ameças continuarem, seremos obrigados a suspender todas as atividades de socorro, fazendo que muitas vítimas tenham que cuidar de si mesmas."

Mais informações:
Antoine Mbao Gobo, Cruz Vermelha Centro-Africana, tel: +236 70 02 09 09
Barthelemi Saouré, CICV Bangui, tel: +236 75 27 25 79 ou +236 72 69 81 87
Benoit Matsha-Carpentier, Federação Internacional Genebra, tel: +41 79 213 24 13
Marie-Servane Desjonquères, CICV Genebra, tel: +41 79 574 06 36