Afeganistão: 113,5 mil recém-nascidos desde janeiro, mas como vão sobreviver?

Afeganistão: 113,5 mil recém-nascidos desde janeiro, mas como vão sobreviver?

Declaração da diretora regional do CICV para a Ásia e o Pacífico, Christine Cipolla
Declaração 12 agosto 2022 Afeganistão

Há quase um ano, quando visitei o Afeganistão, o sistema de saúde estava à beira do colapso. A dedicada equipe médica do país não recebia salário havia meses, e os remédios e equipamentos necessários para um atendimento de qualidade não estavam disponíveis.

Tanto em Cabul como no restante do país, administradores de hospitais, médicos e profissionais de enfermagem estavam desesperados. Mães e gestantes nem sempre conseguiam tratamento adequado no país que já enfrentava uma das maiores taxas de mortalidade materna do mundo: por cada 100 mil nascidos vivos, 638 mulheres morriam.

Como medidas imediatas para salvar vidas e manter as instalações de saúde em funcionamento, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) passou a apoiar 33 grandes hospitais em todo o país em novembro de 2021. Isso permitiu que a equipe médica afegã voltasse a prestar atendimento de qualidade. Um resultado bastante tangível é que mais de 113,5 mil bebês nasceram nessas instalações desde janeiro.

Nos últimos 10 meses, o CICV vem pagando o salário de quase 10,5 mil profissionais de saúde (cerca de um terço são mulheres); o combustível para aquecedores, geradores de energia e ambulâncias; e os alimentos e remédios dos pacientes.

Mas não é apenas o sistema de saúde que precisa de apoio imediato. Embora os combates no Afeganistão tenham diminuído significativamente no último ano, a luta das famílias afegãs para sobreviver não arrefeceu. Um sistema bancário paralisado, a falta de emprego e dinheiro e as consequências de décadas de guerra deixaram sequelas devastadoras para as famílias afegãs. As sanções pioraram uma situação econômica que já era terrível.

Nas ruas de Cabul, vemos cada vez mais pessoas vendendo objetos pessoais como forma de conseguir dinheiro para colocar comida na mesa. Vemos longas filas de mulheres implorando por pão na frente de padarias. Nas zonas rurais, a seca severa impede que os agricultores cultivem alimentos e gerem renda. O impacto econômico do conflito entre Ucrânia e Rússia no preço das commodities básicas abalou fortemente o poder aquisitivo das famílias. Milhões de pessoas enfrentam uma escassez crescente de eletricidade e água potável, o que aumenta o risco de doenças transmitidas pela água.

Apesar dos esforços, as organizações humanitárias não têm capacidade para atender às crescentes necessidades da população afegã. Sem apoio e investimentos internacionais urgentes, milhões de crianças, mulheres e homens enfrentam problemas imediatos que põem suas vidas em risco.

Com mais da metade da população precisando de ajuda humanitária e cerca de 20 milhões de pessoas numa situação de insegurança alimentar aguda, qual futuro os pais e mães podem esperar para seus filhos e para os mais de 100 mil bebês que nasceram este ano?

É nossa obrigação moral e humanitária assegurar que os recém-nascidos do Afeganistão e suas famílias recebam a ajuda de que precisam. Os Estados e as organizações de desenvolvimento precisam voltar para o Afeganistão e continuar apoiando a população, que enfrenta uma situação insuportável.

Mais informações:

Parwiz Ahmad Faizi, CICV Cabul, pfaizi@icrc.org, Tel.: +93 729 110 672
Lucien Christen, CICV Cabul, lchristen@icrc.org, Tel.: +93 72 914 0551
Anita Dullard, CICV Bangcoc, adullard@icrc.org, Tel.: +66 659 562 064

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