Afeganistão: Somos nós os que restamos

18 março 2016
Afeganistão: Somos nós os que restamos
Fotos de Gueorgui Pinkhassov/Magnum Photos para o CICV

Durante mais de 30 anos, a população do Afeganistão vive em um estado de violência praticamente constante. Com quase um milhão de pessoas deslocadas dentro do próprio país e inúmeras outras deslocando-se, nenhum segmento da sociedade ficou ileso. Em janeiro, o fotógrafo da agência Magnum, Gueorgui Pinkhassov, esteve conosco no Afeganistão para ver o que está por trás das manchetes, capturando o dia a dia das pessoas as quais a violência abandonou.

A seguir conhecemos algumas das suas histórias.

Quando um pai desaparece

Niamatullah Rasikh trabalhava em uma organização de desminagem quando foi sequestrado e mantido em cativeiro durante 40 dias. Ele escapou, mas essa experiência deixou um impacto traumático na sua vida. Deixou o país sem contar à esposa e não entrou em contato com ela até chegar ao Iraque, quando lhe disse que tinha planejado viajar para a Europa.

Niamatullah manteve contato com a esposa até o dia em que telefonou da Turquia para contar que havia sido roubado.

Isso foi em outubro de 2015. Nunca mais tiveram notícias dele.

Longe de casa

As famílias que vivem neste campo de deslocados em Cabul foram obrigadas a abandonar as suas casas em decorrência do conflito armado há mais ou menos oito anos. Elas tiveram de deixar tudo para trás quando fugiram.

O conflito continua em curso na província de origem deles e em muitas outras áreas do sul do Afeganistão.

Nada é normal

Khalilullah mandou o filho Ahmad Faysal, de 14 anos, para a Europa.

Com três filhas e dois filhos, ele sustenta a família com o seu trabalho no centro de reabilitação física em Cabul. "Nunca soube o que é uma vida normal neste país", contou.

Não existe estabilidade, nem prosperidade. Desde que nasci existe esse conflito interminável. Não gostaria que o meu filho tivesse de passar por isso também.

Doze bocas, uma renda

Haji Ahmad Shah, de 60 anos, perdeu uma perna em um acidente com uma mina terrestre durante a guerra civil.

Ele mora em Cabul, em uma casa no alto de uma montanha, à qual o acesso é difícil para uma pessoa na sua situação. Mas este não é o seu único desafio. Ele tem cinco filhos e sete filhas, sendo que a maioria deles ainda está na escola.

É difícil sustentar uma família tão grande assim com apenas uma ou duas pessoas trabalhando. Tenho de manter a minha família praticamente sozinho, porque todos os meus filhos estão estudando.

Um país não apto para jovens

Abdul Malook atualmente trabalha como jardineiro. Ele perdeu uma perna em um acidente com uma mina terrestre durante a guerra civil.

Mandou o filho para a Europa, mas continua morando em Cabul com o resto da família.

Venho sofrendo com esse conflito prolongado," afirmou. "Não existe futuro neste país para a geração mais jovem.

 

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