Atualização das operações na República Centro-Africana: a situação continua preocupante para milhares de deslocados que fogem da violência em Birao

23 outubro 2019
Atualização das operações na República Centro-Africana: a situação continua preocupante para milhares de deslocados que fogem da violência em Birao
Um campo para pessoas deslocadas perto de Birao. CICV / Noura Oualot

Bangui (CICV) – Desde 1° de setembro, uma grande quantidade de pessoas em Birao, no nordeste da República Centro-Africana, foi obrigada a fugir das suas casas devido aos atuais combates entre grupos armados.

"Levou uma hora, apenas uma hora, para perdermos tudo", relata desesperado um ex-professor que perdeu tudo quando teve de abandonar a sua casa sem aviso prévio. Mais de 25.000 pessoas – quase a totalidade da população da cidade – foram obrigadas a fugir de mãos vazias para campos improvisados, deixando para trás suas casas, que foram saqueadas ou incendiadas.

"A única coisa que as pessoas pretendem é viver uma vida segura e digna. As pessoas devem ser protegidas do impacto da violência e dos conflitos", declarou Valérie Petitpierre, chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na República Centro-Africana. "Quebrar esse ciclo de violência é necessário há muito tempo; as pessoas estão presas em um estado de precariedade e sem nenhuma esperança".

Enormes necessidades humanitárias em um cenário de pânico

Nos dois campos de refugiados mais importantes, as pessoas deslocadas dependem da ajuda humanitária para sobreviver. "Devemos fornecer tudo: água, comida, abrigo e saneamento. A população de toda uma cidade fugiu em apenas alguns dias", explicou Célestin Sikubwabo, delegado do CICV, após voltar de Birao, onde coordenou a resposta da organização.

Acima de tudo, as pessoas deslocadas têm a necessidade de se sentirem seguras. Ninguém pensa em voltar para a cidade: o pânico que sentem é real e suas vidas são dominadas pelos rumores de novos combates. "É aterrorizante viver assim", disse Younous Abakar, um agricultor que deixou toda a sua vida para trás. "Quando começou ou ataque, todos fugiram e eu perdi o contato com a minha mulher e os meus filhos. Apenas sete dias atrás, eu descobri que estavam vivos e em outro campo de refugiados, a 12 quilômetros daqui, mas a insegurança é tal que eu não posso ir com eles".

Mais de 2,4 mil famílias recebem artigos essenciais

Mais de 25 mil pessoas – quase a totalidade da população de Birao – foram obrigadas a fugir de mãos vazias para campos improvisados. CICV / Olivier Kohamalet Landoma

O CICV, em cooperação com a Cruz Vermelha Centro-Africana, distribuiu artigos essenciais a 2.415 famílias deslocadas, o que representa mais de 12.000 pessoas. As famílias receberam pagnes para envolver o corpo, cobertores, bacias, tapetes para dormir, redes para mosquitos, bidões, sabão e utensílios de cozinha. Esses artigos tão necessários permitem às pessoas deslocadas cozinhar os alimentos distribuídos por outras organizações humanitárias e armazenar água da forma mais higiênica possível. Os cobertores e os tapetes para dormir oferecem proteção contra a chuva e o mau tempo.

Foi necessário realizar uma dúzia de viagens aéreas para entregar as 50 toneladas desses artigos essenciais. As estradas completamente intransitáveis, principalmente por causa da estação chuvosa, dificultaram a resposta.

O CICV também distribuiu sacos para cadáveres aos voluntários da Cruz Vermelha Centro-Africana encarregados da coleta dos restos mortais das vítimas, para que possam ser tratados com dignidade. Também forneceu medicamentos e suprimentos médicos, equipamento de primeiros socorros e 600 kg de super cereais à Cruz Vermelha Centro-Africana e ao hospital de Birao desde o início dos combates.


Para obter mais informações, entre em contato com:

Daddy Rabiou Oumarou, CICV Bangui, odaddyrabiou@icrc.org, +236 75 64 30 07