Etiópia: restabelecendo a esperança para as pessoas deslocadas pela violência étnica

23 maio 2018
Etiópia: restabelecendo a esperança para as pessoas deslocadas pela violência étnica
Aysha com três dos seus filhos em Darolebu, Zona de West Hararghe. CC BY-NC-ND / CICV / Alemayehu Takele

Aysha Ibrahim é uma mãe de dez filhos que vive no distrito de Darolebu, uma área localizada no leste da Etiópia, onde as etnias oromo e somali convivem. A mulher de 42 anos faz parte das 8.433 famílias deslocadas pela violência étnica de dezembro de 2017. Aysha, que perdeu o marido por causa da violência, é uma das beneficiárias da assistência emergencial fornecida conjuntamente pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e Cruz Vermelha da Etiópia depois dos acontecimentos.

"Perdemos tudo que tínhamos de repente", conta Aysha. "A nossa casa foi queimada com os nossos pertences. As nossas cabras foram roubadas. Meus filhos e eu ficamos sem nada. A Cruz Vermelha restabeleceu a nossa esperança ao atender às nossas necessidades imediatas."

Em resposta à situação de emergência, o CICV e a Cruz Vermelha da Etiópia distribuíram cobertores, colchonetes, lonas de plástico, bidões, utensílios domésticos e sabão para 8.433 pessoas deslocadas, ajudando aproximadamente 50 mil pessoas em total, nas woredas (distritos) de Hawigudina e Darolebu da zona de West Hararghe, segundo Jean Pierre Soumah, agrônomo do CICV.

Abdulahi Mulugeta, chefe do governo local (Tao Kebele), disse que a Cruz Vermelha foi a primeira organização a responder a uma situação de emergência. "Se não fosse a Cruz Vermelha, seria muito difícil para nós, que temos uma capacidade limitada, de mitigar os efeitos da violência nas pessoas deslocadas", acrescentou.

Kedir (centro) junto com outros beneficiários durante a distribuição de assistência de emergência em Korke, Zona de West Hararghe. CC BY-NC-ND / CICV / Alemayehu Takele

Kedir Ahmed,* pai de três filhos, é um morador de uma área chamada Korke na woreda Hawigudina. Ele também se beneficiou da ajuda prestada às pessoas deslocadas. "Não passamos mais frio agora que temos um teto de plástico e cobertores. Não temos mais sede porque temos bidões para buscar água. Muito obrigado às pessoas que nos deram tudo isso. Se não fosse por elas, a nossa vida seria horrível", diz.

O CICV, junto com a Cruz Vermelha da Etiópia, também planeja distribuir, em junho deste ano, sementes e ferramentas agrícolas para as mesmas famílias afetadas pela violência, para que possam ser utilizadas na próxima estação Meher (verão). Esta assistência tem a finalidade de restabelecer os meios de subsistência dos membros da comunidade.

As etnias oromo e somali que vivem nas áreas ao longo da fronteira entre as duas regiões, formadas principalmente por comunidades agropastoris, se envolveram em violência relacionada à terra para pasto e cultivos, bem como ao acesso à distribuição de água. A violência deixou centenas de pessoas mortas e um total de 700 mil deslocados, segundo dados oficiais.

Pessoas deslocadas pela violência étnica recebem utensílios domésticos básicos do CICV e Cruz Vermelha da Etiópia em Hawigudina, Zona de West Hararghe. CC BY-NC-ND / CICV / Andrea Minetti

No seu programa de segurança econômica na Etiópia, o CICV, em parceria com a Cruz Vermelha desse país, presta assistência principalmente às pessoas afetadas por confrontos intercomunitários, bem como estabelece um diálogo com as autoridades relevantes para sensibilizá-las sobre as necessidades das pessoas deslocadas e sobre os esforços para proteger os centros de saúde e permitir a circulação das ambulâncias que transportam os feridos e doentes.

*Os nomes foram modificados