Iêmen: milhares de pessoas precisam de alimento e abrigo à medida que o enfrentamento se intensifica

07 março 2020
Iêmen: milhares de pessoas precisam de alimento e abrigo à medida que o enfrentamento se intensifica
Uma mulher em Maarib à espera de apoio para levar de volta ao seu abrigo a assistência recebida. Iscander Al-Mamari/CICV

Sanaa/Genebra (CICV) - Um enfrentamento intenso na linha de frente entre Sanaa e a província de Al Jawf, no norte do Iêmen, forçou o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas para a província de Marib, deixando famílias sem alimentos, sem abrigo e sem acesso à assistência médica.

A província de Marib já possui uma grande população de pessoas deslocadas, e suas necessidades, sejam eles recém-deslocados ou residentes de longo prazo dos campos, são enormes.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e o Crescente Vermelho Iemenita ajudaram cerca de 70 mil pessoas, ou 10 mil famílias, com o fornecimento de alimentos, barracas, cobertores, bidões, bacias e elementos de higiene. Além disso, o CICV forneceu material cirúrgico e medicamentos ao Hospital de Marib, e sacos para cadáveres ao Crescente Vermelho Iemenita para facilitar o tratamento digno dos mortos em apoio às unidades de saúde.

"Eu conheci pessoas de todo o país que fugiram para Marib. Algumas delas estão aqui há dias, outras há semanas, meses ou anos. Os mais afortunados se encontraram com familiares e amigos, enquanto outros foram forçados a deixar tudo para trás. Uma e outra vez, os iemenitas são forçados a fugir, deixando para trás seus entes queridos e suas casas, e o único que podem manter é a esperança", disse Mariateresa Cacciapouti, chefa da subdelegação do CICV que trabalha em Marib.

Na província de Al Jawf, o aumento de conflitos dificultou os esforços para ajudar os pacientes e as pessoas necessitadas. Por causa disso, uma ambulância do Crescente Vermelho Iemenita não conseguiu realizar uma evacuação médica devido à falta de acesso seguro e o CICV não conseguiu abastecer o hospital público geral de Al-Jawf com suprimentos médicos e cirúrgicos, por exemplo.

"Em um país onde funciona apenas a metade das unidades de saúde, isto é muito preocupante. Lembramos a todas as partes envolvidas no conflito que o acesso do pessoal de saúde é essencial, e que as unidades de saúde devem permanecer abertas e nunca ser atingidas durante operações militares. O pessoal médico, as ambulâncias e as unidades de saúde devem ser protegidos sempre", disse Fabrizio Carboni, diretor regional para o Oriente Médio e Próximo do CICV.

O CICV está monitorando de perto esta situação e está profundamente preocupado com o impacto dos intensos enfrentamentos em pessoas que já se encontram em um estado extremamente frágil.

Instamos as partes envolvidas no conflito a tomar todas as medidas e precauções possíveis para proteger e respeitar os civis. Deve ser dada especial atenção àquelas pessoas que já se encontram em uma situação vulnerável, que moram em campos para pessoas deslocadas, e que correm o risco de serem afetadas pela mudança de linhas de frente e de luta direta.

Para obter mais informações, entre em contato com:
Fareed Alhomaid, porta-voz, CICV Sanaa, +967 739 164 666, falhomaid@icrc.org
Sarah Al Zawqari, porta-voz regional para o Oriente Médio e Próximo, CICV Beirute, +961 3 13 83 53, salzawqari@icrc.org
Matt Morris, chefe de comunicação, CICV Londres, +44 7753 809471, mmorris@icrc.org
Ruth Hetherington, porta-voz para o Oriente Médio e Próximo, CICV Genebra +41 79 447 3726, rhetherington@icrc.org