Níger: deslocados na região de Diffa sofrem com extrema miséria

24 fevereiro 2015
Níger: deslocados na região de Diffa sofrem com extrema miséria
Aldeia de Kablewa, departamento de N’Guigmi, região de Diffa, Níger. Pessoas deslocadas extremamente miseráveis recebem alimentos do CICV e da Cruz Vermelha do Níger. [CC BY-NC-ND / CICV / Grema Ari Zarma]

Niamei (CICV) – O conflito deflagrado há meses, no nordeste da Nigéria, espalhou-se até a fronteira com o país vizinho, Níger. Desde 6 de fevereiro, várias áreas na região de Diffa, no sudeste do Níger, são palco de confrontos e violência que causaram muitas mortes e ferimentos, além do deslocamento de milhares de pessoas.

"A situação humanitária é extremamente preocupante", afirma o chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Níger, Loukas Petridis. "Pessoas foram mortas ou feridas em ataques, que são algumas vezes indiscriminados, e a organização está muito apreensiva com o drama de milhares de pessoas deslocadas".

Como explica Illa Djadi, responsável pela distribuição da ajuda: "Algumas dessas pessoas deslocadas vêm da cidade de Bosso, onde foram surpreendidas pelos confrontos. Como tiveram de fugir, deixando todos os seus pertences para trás, carecem de tudo e precisam com urgência de comida. Outras são refugiadas que já haviam fugido da violência na Nigéria e que contam com a solidariedade das comunidades que as acolhem e com a assistência das organizações humanitárias. Essas pessoas sentem que não têm escapatória do ciclo interminável de violência e deslocamento e que o futuro é ainda mais sombrio".

Aldeia de Kablewa, departamento de N'Guigmi, região de Diffa, Níger. Um homem deslocado pela violência que abalou a cidade de Bosso recebe um saco com alimentos fornecida pelo CICV.
CC BY-NC-ND / CICV / Grema Ari Zarma

Como parte das operações em curso, o CICV e a Cruz Vermelha do Níger distribuíram alimentos a cerca de cinco mil pessoas em Kablewa, Ouidi, Kawa e Djariho (departamento de N'Guigmi), área que abrigou um grande número de deslocados desde o início do confronto em Bosso, no dia 6 de fevereiro.

Ao mesmo tempo, cerca de cem famílias de moradores receberam ajuda em forma de alimentos. A colheita do ano passado foi muito escassa. O conflito é um peso para a economia da região e o fluxo de dezenas de milhares de pessoas deslocadas, que durou meses, têm repercussões sobre a vida dos moradores. Djadi, que está preocupado com o risco crescente da falta de alimentos, acrescenta: "Muitas pessoas compartilharam os seus parcos recursos com os deslocados e agora encontram cada vez mais dificuldades para se alimentar adequadamente".

Aldeia de Kablewa, departamento de N'Guigmi, região de Diffa, Níger. Pessoas deslocadas carregam uma carroça com os alimentos fornecidos pelo CICV.
CC BY-NC-ND / CICV / Grema Ari Zarma

O CICV está aumentando os contatos e as discussões com as autoridades, líderes comunitários e todas as pessoas com influência nessa região com o objetivo de obter acesso mais seguro às pessoas deslocadas, avaliar as suas necessidades e atendê-las rapidamente. Petridis reforça: "A falta de segurança não facilita as atividades da organização. Em uma região onde a maioria das organizações humanitárias teve de suspender as suas atividades devido aos riscos de segurança, é vital que todas as partes em conflito tomem medidas de segurança para proteger a ação humanitária".

Apoio à assistência à saúde

No hospital Diffa, que recebe apoio do CICV há meses, a sala de cirurgia está sempre ocupada. Entre 6 e 23 de fevereiro, a equipe do hospital atendeu mais de 110 pacientes que tinham ferimentos causadas por armas de fogo ou por explosões. O CICV enviou assistência médica adicional para ajudar a lidar com esse fluxo e disponibilizou uma tonelada de material médico e descartáveis em Diffa para tratar de cerca de 50 pessoas gravemente feridas.

Hospital regional de Diffa, Níger. A sala de operações no hospital de Diffa está sempre ocupada desde o início dos enfrentamentos. Os cirurgiões, que contam com o apoio de uma equipe médica de emergência do CICV, muitas vezes trabalham de maneira ininterrupta. CC BY-NC-ND / CICV / Grema Ari Zarma

No dia 20 de fevereiro, uma equipe médica do CICV foi enviada para ajudar no hospital. Um anestesista-ressuscitador e um enfermeiro cirúrgico estão ajudando a equipe cirúrgica local. O Dr. Assoumana Amadou, cirurgião-chefe do hospital regional de Diffa, comenta: "Este apoio é bem-vindo, já que tira a pressão da equipe local, que muitas vezes teve de trabalhar dia e noite nos últimos dias".

Visitas aos centros de detenção

Desde 6 de fevereiro, dezenas de pessoas foram detidas em conexão com o conflito na região de Diffa. Em conformidade com o seu mandato, o CICV começou a visitar essas pessoas para conhecer as condições de detenção e o tratamento que recebem. Uma vez declarado o estado de emergência pelo governo em toda a região de Diffa, em 10 de fevereiro, as forças armadas e de segurança passaram a ter poder de polícia, sobretudo no que diz respeito a buscas, prisões e detenções.

Petridis enfatizou: "As operações militares e de segurança devem cumprir com a legislação nacional e as convenções internacionais. Em conformidade com o Direito Internacional Humanitário (DIH), os civis, os feridos e os detidos devem ser protegidos e tratados com humanidade".

Mais informações:
Oumarou Daddy Rabiou, CICV Niamei, tel: +227 96 66 99 12
Jean-Yves Clémenzo, CICV Genebra, tel: +41 22 730 22 71 ou +41 79 217 32 17