Nigéria: alimentação e água

21 maio 2015
Nigéria: alimentação e água
Happy Ysuf e os seus filhos tiveram de se esconder nas montanhas com mais de outras cem pessoas durante três semanas, quando a violência atingiu a sua aldeia em Michika. CC BY-NC-ND / CICV / Jesus Serrano Redondo

Muitos refugiados e deslocados internos dizem que a falta de alimentos é a sua principal preocupação. Algumas famílias comem apenas um pouco de arroz todos os dias para sobreviver. Com tantas pessoas desarraigadas e reunidas em cidades como Yola ou Maiduguri, no estado de Borno, a infraestrutura existente enfrenta dificuldades para atender a todos.

Quando a violência chegou à sua aldeia natal, Happy Yusuf, 39, e os seus filhos fugiram para as montanhas. Estavam a salvo, mas não tinha comida, nem água potável.

"Sofremos muito", conta. "Eu estava exausta e tinha de amamentar o meu bebê".

Depois que fugiram do seu esconderijo na montanha, uma mulher ofereceu a Happy e aos seus filhos um lugar onde ficar, além de comida e água. Mas depois de passarem um mês na aldeia de Kerawa, os ataques chegaram lá também, e Happy fugiu para Yola. Eles esperam ansiosamente para retornar à sua aldeia, Michika. Mas a casa deles já não existe mais.

"O meu marido foi a Michika há uma semana para reconstruir a nossa casa, que foi bombardeada durante o ataque", conta.

Happy stayed in three different villages and had to seek refuge in Cameroon before arriving in Yola and finding her husband again.

Happy ficou em três aldeias diferentes e teve de buscar refúgio em Camarões, antes de chegar a Yola e reencontrar o seu marido. CC BY-NC-ND / CICV / Jesus Serrano Redondo

O seu marido contou que o cenário em Michika era terrível. "As nossas casas, o banco, as lojas, as escolas, a nossa igreja e a clínica foram destruídos. Ele me contou que parecia uma cidade fantasma".

Happy estava na igreja em Michika, em agosto de ano passado, quando ouviu os tiros. Ela sabia que ela e a sua família tinham de fugir, se quisessem sobreviver. Eles se esconderam nas montanhas com cerca de cem pessoas mais.

Hoje, em Yola, ela continua enfrentando dificuldades. A família precisa de arroz, feijão, panelas e colchões para dormir. Ademais, a sua preocupação é que os seus filhos peguem malária.

Women queue to collect food and other essentials in Maiduguri, Nigeria.

Mulheres fazem fila para recolher alimentos e outros artigos básicos em Maiduguri, Nigéria. CC BY-NC-ND / CICV / Jesus Serrano Redondo

"O desafio agora é que a comida que nos dão seja suficiente para todos. Há algumas pessoas aqui que não têm nada para comer desde que chegaram a Yola. Compartimos com essas pessoas o que temos para ajudá-las", conta Abdul Aziz Muhammed.

"As nossas necessidades são muitas, mas primeiro precisamos de comida. Em segundo lugar, precisamos de panelas para preparar as nossas refeições", diz Hafeesu Adamu.


Entrevistas do CICV, Yola, Nigéria, março de 2015