Ucrânia: medo, temperaturas muito baixas e um futuro incerto para as famílias na linha de frente

Ucrânia: medo, temperaturas muito baixas e um futuro incerto para as famílias na linha de frente

Artigo 20 dezembro 2021 Ucrânia

"Quando o tiroteio começa, mandamos imediatamente as crianças para dentro de casa. O menorzinho, que tem quatro anos, grita: 'Vovó, venha cá!' Ele fica colado na parede e pede que eu fique do lado, porque tem medo das balas zunindo."

Liubov é uma avó que mora em Mariinka, no leste da Ucrânia. Ela é uma das centenas de milhares de pessoas que vivem perto da linha de contato, cujas vidas foram abaladas por sete anos de conflito armado.

Embora Liubov tenha se acostumado com o som dos tiros, seu neto de quatro anos estremece toda vez que ouve.

O conflito armado continua cobrando um alto preço mental e físico à população civil. A insegurança e a violência constante provocam mortes, ferimentos e separação de entes queridos. Devido aos danos causados nas instalações de água, gás e eletricidade, as tarefas diárias mais básicas são uma luta árdua. O inverno paira numa paisagem repleta de minas e explosivos não detonados.

Como nos anos anteriores, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) auxilia pessoas de ambos os lados da linha de contato, ajudando-as a se preparar para as baixas temperaturas do inverno. Neste inverno, o CICV reparou a casa de 1.500 pessoas, e mais de 2.500 pessoas receberam ajuda financeira para preparar suas casas e se proteger do frio.

No distrito Petrivskyi, de Donetsk, na região de Donbass, que não é controlada pelo governo, Valentyna, de 80 anos, ganhou um telhado novo. Como intensos bombardeios tinham estraçalhado as janelas e o fogo havia destruído parte do telhado, ela estava exposta às intempéries.

"Estava tudo quebrado, entravam correntes de ar por todos os lados", conta ela. "Eu esquentava garrafas de água e colocava ao meu redor para me aquecer." Agora que uma equipe do CICV refez o telhado, colocou novas janelas e trocou a porta da frente, Valentyna pode se proteger do frio em sua casa.

Enquanto o inverno se aproximava, o CICV também forneceu combustível ou ajuda financeira para comprar lenha para cerca de 10.000 famílias que vivem em ambos os lados da linha de contato. Cada família recebeu quatro toneladas de briquetes para aquecer suas casas.

Uma das pessoas beneficiadas é Svitlana, que mora na aldeia de Triokhizbenka, na região de Lugansk, no leste da Ucrânia: "Nossa casa foi muito abalada pelos bombardeios, mas este ano o CICV trocou as janelas antigas por outras de metal e plástico. Também recebemos um kit de isolamento térmico para nossa casa e 8 mil grívnias para comprar lenha. Graças a tudo isso, a casa vai conservar melhor o calor, vamos gastar menos dinheiro em aquecimento e talvez a gente até consiga economizar um pouco para fazer reparos no próximo ano."

O CICV também consertou e trocou janelas em 11 centros médicos e em 13 escolas de ambos os lados da linha de contato. Todo esse trabalho faz parte dos esforços contínuos para apoiar as pessoas enquanto elas tentam reconstruir a vida e lidar com o conflito armado. Além de residências, escolas e hospitais, o CICV ajuda a consertar as instalações de água danificadas e outras infraestruturas vitais.

Apoiamos também programas de subsistência e trabalhamos para melhorar as condições nos locais de detenção. Trabalhamos com as famílias de pessoas desaparecidas, apoiamos a saúde mental e o acesso a programas de educação e realizamos atividades de conscientização sobre o risco das minas. Desde 2014, intensificamos nossas operações na Ucrânia.