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“Já estou ferido. A ideia de contrair ebola é impensável.” As Kivus enfrentam uma dupla crise: conflitos e uma epidemia.

Adela Yang and her son Ebwela Liko at Fizi general hospital.  Adela’s son is 14 years old, and was hit by a bullet in the leg whilst he was sheltering at home from fighting in his home village of Kaguli. “We were hiding at home, but he stood up to run away, and so was hurt by a bullet. Others in the village, including his teacher came and helped carry him to the health centre. It was 5 kilometres away. We stayed there for 1 week while they stabilised him. A CICR ambulance brought him to the
Fizi, Província de Kivu do Sul, República Democrática do Congo, 20 de maio de 2026. @Hugh Kinsella Cunningham - CICV.

Kinshasa (CICV) – Entre 15 de maio e 15 de junho de 2026, os cinco hospitais que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) apoia nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, República Democrática do Congo (RDC), registraram um total de 303 mortes – 30% a mais do que no período de 15 de abril a 14 de maio. Embora a epidemia de ebola nessas províncias exija uma maior vigilância, o CICV teme que ela possa estar mascarando as necessidades urgentes e contínuas das pessoas afetadas por conflitos armados e outras formas de violência.

Mais uma vez, quase todos os leitos nos hospitais que recebem apoio do CICV estão ocupados. “A crise de saúde resultante do ebola não reduziu o número de casos de emergência relacionados a conflitos. As nossas equipes cirúrgicas estão sob pressão constante, com um fluxo contínuo de pacientes feridos por armas”, explica o coordenador médico do CICV na RDC, Moussa Badji.

Pode-se ver a intensificação das hostilidades na região de Hauts Plateaux: os hospitais de Bukavu, Uvira e Fizi, em Kivu do Sul, admitiram 170 vítimas – 56% dos 303 pacientes admitidos em estabelecimentos de saúde que recebem apoio do CICV.

A atual epidemia de ebola – a décima sétima até o momento – está agravando a vulnerabilidade de pessoas já afetadas por conflitos armados, outras formas de violência, deslocamento e a limitada disponibilidade de serviços essenciais.

“Simplesmente não sei para onde vou quando receber alta do hospital”

 explica Nzigire, internada no Hospital Geral Provincial de Bukavu, em Kivu do Sul, depois de sofrer graves ferimentos durante confrontos no seu vilarejo.

 “Ainda há combates acontecendo e todos tiveram que ir embora de lá.”

O ebola aumenta o sofrimento e a ansiedade, impondo mais um fardo às comunidades cuja resiliência já está no limite. Pascal é um paciente no Hospital Geral de Referência de Beni, em Kivu do Norte. Ele se sente impotente: “Já estou ferido. A ideia de contrair ebola é impensável. Já estamos sofrendo muito. E ainda tem a fome, o deslocamento, a falta de sono...”

As partes envolvidas nos conflitos nas Kivus estão usando armas explosivas em áreas povoadas, com graves consequências para a população civil. Além das mortes e ferimentos causados por essas armas, os resíduos explosivos da guerra representam um perigo em áreas agrícolas e em outros lugares. Mais de 16% dos pacientes tratados nos hospitais que recebem apoio do CICV foram feridos por explosões.

A disseminação do ebola em áreas afetadas pelos combates pode dificultar ainda mais o acesso, ressaltando a importância de manter espaço para a ação humanitária e de proteger pacientes e socorristas contra danos.

François Moreillon é o chefe da delegação do CICV na RDC: “A combinação de conflito armado e epidemia é potencialmente devastadora”, alerta. “Em uma situação tão crítica, é essencial que as partes em conflito ajam com responsabilidade, para garantir a cooperação e a coordenação ideal em questões de saúde, a adoção de todas as medidas possíveis para facilitar o trabalho das organizações humanitárias e a entrega rápida e desimpedida da assistência humanitária. Essas medidas são essenciais para que as pessoas doentes e feridas recebam atendimento médico adequado o mais rápido possível.”

A resposta do CICV nas Kivus entre janeiro e maio de 2026

Cuidado de pessoas feridas por armas

Quase 1,4 mil pessoas com ferimentos por armas receberam tratamento nos cinco hospitais que o CICV apoia nos Kivus: Hospital Geral de Referência de Beni e Hospital CBCA Ndosho de Goma (Kivu do Norte); Hospital Geral Provincial de Referência de Bukavu, Hospital Geral de Referência de Uvira e Hospital Geral de Referência de Fizi (Kivu do Sul).

Proteção dos vínculos familiares, em colaboração com as Sociedades da Cruz Vermelha da RDC, Burundi, Ruanda e Uganda

  • O CICV facilitou a reunificação familiar de 166 crianças congolesas na RDC, incluindo 99 nas Kivus.
  • Também organizou 4.045 ligações telefônicas gratuitas para famílias separadas nas Kivus, Burundi e Uganda, das quais 2.660 ligações resultaram no restabelecimento do contato entre os membros da família.

Assistência a crianças que deixaram as forças armadas/grupos armados ou que corriam o risco de serem recrutadas

  • O CICV libertou 54 crianças e adolescentes entre 9 e 19 anos de um centro de detenção no Kivu do Norte, dos quais 47 reencontraram as suas famílias.
  • Também possibilitou que 28 crianças retornassem à escola em Rutshuru e Masisi, Kivu do Norte, após receberem material escolar.
  • Além disso, duas crianças foram beneficiadas por programas de reinserção socioeconômica em Rutshuru e Masisi, Kivu do Norte.

Assistência alimentar e financeira, em colaboração com a Cruz Vermelha da RDC

  • O CICV proporcionou assistência financeira a 20.430 pessoas (deslocados internos e famílias de acolhimento) que vivem em Kivu para comprar alimentos e gêneros de primeira necessidade.
  • Também entregou alevinos e kits de ferramentas a 900 pessoas (deslocados internos e famílias de acolhimento) que vivem em Kivu para retomar a piscicultura.
  • Além disso, proporcionou assistência financeira a 240 pessoas vulneráveis (vítimas de violência sexual e outras formas de violência) que vivem em Kivu para atender às suas necessidades imediatas.

Água e habitat

  • O CICV prestou serviços de reabilitação a 40 crianças em um centro de acolhimento em Goma, Kivu do Norte.
  • Mais de 4,4 mil detentos das prisões centrais de Beni, Butembo e Goma, Kivu do Norte se beneficiaram com o fornecimento de cloro para prevenir infecções e combater doenças infecciosas.
  • Cerca de 27,2 mil pessoas se beneficiaram com a instalação de sistemas de água movidos a energia solar e pontos de distribuição de água em Mbau, Mavivi e Congo ya Sika, Kivu do Norte.
  • Cerca de 57,2 mil pessoas se beneficiaram com a instalação de pontos de água em Kalehe Centre, Kalehe Littoral e Buziralo, Kivu do Sul.
  • A companhia de água (REGIDESO, Uvira) recebeu doações de materiais e produtos químicos para tratamento de água.
  • Um grande número de pessoas que sofreram ferimentos por armas e outros pacientes s beneficiaram com a reforma e instalação de sistemas de água, encanamento e eletricidade, além de tendas adicionais, em hospitais que recebem apoio do CICV em Beni, Uvira e Fizi.

Mais informações

Robert Mwimuka, CICV Goma, tel: +243 812256360, e-mail: rmwimuka@icrc.org

Francine Kongolo, CICV Kinshasa, tel: +243 81 992 23 28 e-mail: fkongolo@icrc.org

Eléonore Asomani, CICV Dacar, tel.: +221 78 186 46 87, email: easomani@icrc.org

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