Com duração inicial de 12 meses, o acordo prevê a contratação, pelo CICV, de profissionais especializados para auxiliar os peritos no processamento das amostras ósseas. O número de materiais analisados poderá ser ampliado conforme a capacidade operacional das equipes.
O trabalho envolverá dois núcleos da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC): o de Antropologia, responsável pelo estudo das ossadas, e o de Biologia e Bioquímica, encarregado das análises de materiais biológicos e da obtenção dos perfis genéticos.
A perita criminal Maria Paula Valadares ressalta que a cooperação permitirá ampliar a capacidade de processamento das amostras e contribuir para o avanço das investigações. “Essa parceria representa um avanço importante no trabalho de identificação dessas ossadas. Com o auxílio do Comitê, poderemos ampliar o processamento das amostras e avançar nas análises genéticas, contribuindo para esclarecer suas identidades e fornecer informações que poderão auxiliar em futuras investigações”, destacou.
As informações obtidas serão utilizadas para a comparação com perfis de familiares de pessoas desaparecidas, armazenados em bancos de dados genéticos, o que poderá contribuir para esclarecer a identidade dos restos mortais.
O coordenador de Proteção da Delegação do CICV para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, Fernando Fornaris, afirma que o trabalho representa também uma forma de preservar a dignidade das pessoas falecidas e de seus familiares. “Uma pessoa não identificada é uma possível pessoa desaparecida para alguém. Com este acordo, o CICV apoiará a Polícia Científica de São Paulo no processamento de material ósseo não identificado para análise de DNA e inclusão de perfis genéticos no banco nacional. Esse trabalho fortalece a capacidade de identificação e amplia as possibilidades de oferecer respostas às famílias de pessoas desaparecidas, tanto agora quanto no futuro”, ressaltou.