Comunicado de imprensa

Brasil: mostra internacional em Brasília retrata consequências humanitárias da guerra

Artur Menescal

Brasília, 18 de maio de 2026 - De Gaza à Colômbia, do Iêmen à Síria, rostos marcados pela guerra revelam histórias que vão além das estatísticas. Em um mundo onde mais de 204 milhões de pessoas vivem atualmente em áreas afetadas por conflito armado, mulheres, idosos e crianças aparecem em cenas de deslocamento, luto, resistência e sobrevivência, registradas pelas lentes de fotógrafos que acompanharam de perto os impactos humanitários dos conflitos armados.

Reunidas na exposição Humanidade na Guerra, em exibição no Panteão da Pátria e da Liberdade, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), as imagens convidam o público a olhar para as consequências dos conflitos armados a partir da experiência de quem vive esses contextos.

Promovida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a mostra reúne 45 fotografias premiadas ao longo dos 15 anos do Visa d’Or Humanitário CICV, uma das categorias do festival internacional de fotojornalismo Visa pour l’Image, realizado anualmente em Perpignan, na França. A exposição segue aberta ao público até 7 de junho, com entrada gratuita, antes de embarcar para São Paulo.

Entre os fotógrafos presentes na exposição está Saher Alghorra, vencedor do Prêmio Pulitzer 2026 na categoria Breaking News Photography pelas imagens produzidas na Faixa de Gaza. O trabalho do fotógrafo palestino retrata o impacto da guerra sobre a população civil em meio à destruição provocada pelos confrontos. 

As fotografias percorrem diferentes contextos de conflito armado ao redor do mundo, entre eles Armênia, Colômbia, Iêmen, Síria e República Democrática do Congo. Os registros mostram desde missões médicas e deslocamentos forçados até o cotidiano de famílias separadas pela guerra e o impacto da violência sobre civis. A proposta da mostra é ampliar o olhar sobre as consequências humanitárias dos conflitos contemporâneos e reforçar a importância do Direito Internacional Humanitário (DIH), conjunto de normas que busca limitar os efeitos da guerra.

Além do público brasiliense, a mostra tem atraído turistas internacionais e visitantes de diferentes estados do Brasil.   

Foi o caso de Giovani Batista, do Paraná, que visitava Brasília a trabalho e aproveitou um dia de folga para conhecer os monumentos da capital. Durante o passeio na Praça dos Três Poderes, decidiu visitar o Panteão para conhecer a exposição. “Pelas imagens que estou vendo aqui, é uma realidade que as pessoas não estão acostumadas a enxergar. Muitas vezes, elas olham para o conflito apenas pela perspectiva política, e não pelo lado humanitário, pelo que as pessoas realmente vivem nesses contextos”, disse.

Os paranaenses Claudia e Bruno Slongo também conheceram a mostra durante uma viagem turística à capital federal. Engenheira civil e apaixonada por arquitetura e fotografia, Claudia acredita que as imagens conseguem revelar a realidade de forma direta e sensível. O casal acompanha noticiários sobre conflitos armados e classificou a exposição como impactante.

“Existem coisas que acontecem no mundo que não têm palavras que descrevam. A fotografia permite que você exponha essas verdades, onde o indescritível está descrito diante dos seus olhos”, afirmou Bruno.

Para o diretor-geral do CICV, Pierre Krähenbühl, que inaugurou a exposição, um dos principais objetivos é romper com a banalização do sofrimento humano em contextos de guerra. “Um dos aspectos mais importantes dessas fotografias é nos convidar a recusar o anonimato do sofrimento. Com muita frequência, reduzimos as consequências da guerra a estatísticas e acabamos ignorando que, por trás de cada número, existem pessoas que tiveram suas vidas devastadas pelos conflitos armados, famílias separadas e marcadas por perdas, humilhações, tortura e desaparecimentos”, afirmou na cerimônia de abertura da exposição.

Krähenbühl também destacou o papel do fotojornalismo na documentação das violações humanitárias: “Ao apresentar essas imagens como evidência e testemunho, a exposição reforça o papel da fotografia em documentar violações do Direito Internacional Humanitário e em ampliar a conscientização sobre as regras que buscam limitar os efeitos dos conflitos armados.”

A exposição ocorre em um momento de agravamento da violência em diferentes regiões do mundo. Segundo o Panorama Humanitário 2026 do CICV, o número de conflitos armados chegou a quase 130 em 2024, mais que o dobro do registrado há 15 anos. Mais de 20 desses conflitos já duram há mais de duas décadas, afetando gerações inteiras que cresceram em meio à violência.

Mais informações

Fabíola Góis
Assessora de Comunicação do CICV
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