Comunicado de imprensa

Somália: ante a ameaça de inundações causadas pelo El Niño, milhões de pessoas podem enfrentar ainda mais dificuldades e fome

A woman navigates her seat in a boat in Somalia.
CICV

Mogadíscio / Nairóbi (CICV) – Milhões de pessoas na Somália poderiam ser expostas a um desastre iminente: especialistas em clima advertem que um fenômeno El Niño recorde deve atingir o país entre outubro e dezembro.

Agricultores enfrentam um terrível dilema no vilarejo de Bayahaaw, nos arredores da cidade de Jowhar, na região central da Somália: plantar e correr o risco de perder tudo devido às enchentes ou deixar os campos vazios e enfrentar a fome no próximo ano.

Nuh Adan, agricultor e líder comunitário em Bayahaaw, teme que, se o rio transbordar agora, o impacto na agricultura local será sentido durante meses.

“Se o rio transbordar e inundação nos atingir, os efeitos durarão até a próxima estação chuvosa, em março”, diz Adan.

Um fenômeno semelhante em 2023 causou estragos em todo o país, afetando cerca de dois milhões de pessoas e provocando o deslocamento de mais de 500 mil. 

Para as comunidades ao longo dos rios Shabelle e Juba, o rompimento de diques ameaça destruir meios de subsistência e submergir vilarejos inteiros. Mas as famílias de agricultores não podem adiar o plantio.

“Vimos espigas de milho que ainda não estavam totalmente desenvolvidas, faltando apenas de 15 a 25 dias para a colheita, sendo destruídas por inundações”, diz Adan. “E simplesmente tivemos de arcar com o prejuízo. Mas abandonar as lavouras não é uma opção.”

Segundo a mais recente análise da Classificação Integrada das Fase da Segurança Alimentar (IPC), espera-se que chuvas acima da média e as consequentes inundações agravem os níveis de fome em toda a Somália. Para os 3,3 milhões de pessoas que vivem em assentamentos informais de deslocados, as chuvas iminentes poderiam provocar ainda mais sofrimento.

Em muitos desses lugares, famílias deslocadas pelo conflito vivem em abrigos precários e apertados, feitos de galhos, retalhos de tecido e chapas de ferro. O acesso limitado à água potável e a falta de saneamento adequado são situações comuns.

“Estamos aterrorizados com as chuvas que se aproximam”, diz Kamillo Muse, de 59 anos, que vive no campo de deslocados de Ceeynu Nasri, em Jowhar. “Depois de três anos sem chuvas satisfatórias, parece que elas voltarão com fúria.”

“Se cair um temporal, esqueça quem vive em campos de deslocados. Até mesmo pessoas em casas de verdade serão obrigadas a fugir. Então, o que você espera que aconteça conosco nos campos?”, diz Muse.

Agências de ajuda humanitária estão em alerta máximo, implementando medidas de ação antecipatória e aproveitando as lições aprendidas com o desastre de 2023 para mitigar danos antes da chegada das enchentes. Mas as operações humanitárias foram consideravelmente reduzidas desde então, devido aos enormes cortes que afetaram o setor.

“Melhor preparação e melhores dados. Essa é a boa notícia em comparação com 2023”, diz Antoine Grand, chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na Somália. “A má notícia é que a capacidade e o financiamento humanitários, de modo geral, sofreram uma redução significativa.”

Em parceria com o Crescente Vermelho Somali, o CICV está se preparando para as enchentes iminentes distribuindo sacos de areia, entregando artigos essenciais – como lonas, mosquiteiros e kits de higiene – em áreas propensas a inundações e abastecendo unidades de saúde com material médico e nutricional para que permaneçam operacionais. Além disso, voluntários do Crescente Vermelho Somali em Kismayo, Bardere, Jowhar e Beletweyne receberam treinamento em direção de embarcações para usarem em caso de emergências nas enchentes.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático periódico que tem origem no Pacífico equatorial e pode afetar os padrões meteorológicos em grande parte do globo, provocando secas em algumas regiões e chuvas mais intensas em outras. Na Somália, o fenômeno poderia intensificar as chuvas sazonais de Deyr (entre outubro e dezembro de 2026), causando graves inundações, sobretudo ao longo dos rios Shabelle e Juba. 

[1] Somália: OCHA – Panorama da situação das enchentes (em 22 de novembro de 2023)

[2] Somália: Situação de insegurança alimentar aguda segundo o IPC em julho–setembro de 2026 e projeção para outubro–dezembro de 2026

Mais informações:

Abdikarim Mohamed, CICV Somália, tel: +254 770 171 756, mabdikarim@icrc.org

Mateo Jaramillo, CICV Nairóbi, tel: +254 716 897 265, mjaramillo@icrc.org

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Sala de imprensa (icrcnewsroom.org)

 

Sobre o CICV

Desde 1863, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) trabalha para aliviar o sofrimento e preservar a dignidade humana durante guerras e situações de violência armada. Junto com os nossos parceiros da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, prestamos auxílio vital nas linhas de frente e nos esforçamos para reunir famílias e localizar pessoas desaparecidas.

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