Crise no Sudão do Sul, um ano depois: enormes necessidades não podem ser esquecidas

14 dezembro 2014

Juba /Genebra - (CICV) Um ano depois do início da atual crise no Sudão do Sul, as necessidades de centenas de milhares de pessoas ainda são imensas nesse país. O Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho continua trabalhando arduamente com centenas de voluntários e quase cem colaboradores para responder às necessidades das pessoas afetadas pelo conflito em todos os dez estados do país.

No dia 15 de dezembro de 2013, a mais nova nação do mundo mergulhou em uma crise em meio a uma disputa entre o presidente do país, Salva Kiir, e o seu antecessor interino, Riek Machar. Desde então, de acordo com as Nações Unidas, 1,5 milhão de pessoas tiveram de se deslocar internamente e quase meio milhão fugiram para países vizinhos.

"Mais do que nunca, precisamos de investimento para ajudar as pessoas a lidarem com essa situação e reconstruirem as suas vidas", afirmou o secretário-geral do Crescente Vermelho do Sudão do Sul, John Lobor. Centenas de voluntários prestam serviços essenciais todos os dias à população afetada, como primeiros socorros, água ou tentativas de restabelecimento de laços familiares. "Ao mesmo tempo em que algumas famílias estão deslocadas, outras já começaram a retornar às suas aldeias. Elas precisam de apoio, incluindo a intervenção sustentável para ajudá-las a serem resilientes e independentes", observa Lobor.

"As principais necessidades são essencialmente muito básicas: alimentos, água potável, prestação de assistência à saúde e contato com entre familiares", reforça o chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Sudão do Sul, Franz Rauchenstein. Em colaboração com a Cruz Vermelha do Sudão Sul, o CICV distribuiu alimentos a mais de 600 mil pessoas desde o início da crise. "Enquanto que a segurança alimentar continua sendo uma importante preocupação em algumas partes do país, as intervenções trouxeram resultados positivos. Em alguns lugares nos estados de Jonglei e Unity, a situação nutricional da população está melhorando e, graças às ferramentas e sementes, as pessoas estão cultivando o seu próprio alimento".

O CICV concentra agora a sua intervenção no fornecimento de água potável e na vacinação de animais para melhorar os meios de subsistência. As equipes móveis de cirurgia do CICV realizaram mais de três mil operações e a equipe da organização, em conjunto com a Cruz Vermelha do Sudão do Sul, restabeleceram os laços familiares entre mais de 12 mil pessoas.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) tem como prioridade fortalecer as capacidades da Cruz Vermelha do Sudão do Sul por meio de apoio técnico em gestão de desastres e coordenação. A organização combateu a cólera nos estados de Eastern e Equatoria distribuindo água potável para 40 mil pessoas e treinamento voluntários na difusão de mensagens sobre a prevenção contra a doença por meio de visitas domiciliares e do uso do rádio e do cinema itinerante. "Vimos que com os recursos adequados, intervenções bem-planejadas e a compreensão das necessidades das comunidades, é possível fazer mudanças positivas duradouras", afirmou a representante da FICV no Sudão do Sul, Paula Fitzgerald.

Ao todo, 13 Sociedades Nacionais do mundo todo (Áustria, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Hong Kong, Japão, Mônaco, Noruega, Países Baixos, Quênia, Suécia, Suíça e Taiwan) estão ajudando a Cruz Vermelha do Sudão do Sul com apoio técnico e financeiro.

 

Mais informações:

Pawel Krzysiek, CICV Juba: tel: +211 912 360 038 ou +211 923 158 196
Jean-Yves Clémenzo, CICV Genebra, tel: +41 22 730 22 71 ou +41 79 217 32 17
Marial Mayom, Cruz Vermelha do Sudão do Sul em Juba, tel: +211 912 184 996 ou +211 921 115 955
Aude Galli, FICV Nairobi, tel: +254 731 984 105
Katherine Mueller, FICV África, tel: +251 930 03 3413 ou +254 731 688 613
Benoît Matsha-Carpentier, IFRC Geneva, tel: +41 79 213 24 13