Israel e territórios ocupados: CICV faz apelo para fundos para necessidades humanitárias

23 setembro 2014
Israel e territórios ocupados: CICV faz apelo para fundos para necessidades humanitárias

Genebra (CICV) – "Depois de 52 dias de conflito, a Faixa de Gaza está em ruínas", disse Robert Mardini, que chefia as operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Oriente Médio, após concluir uma missão a Israel e ao território palestino ocupado. Para responder às imensas necessidades, o CICV está aumentando o seu orçamento inicial em quase 70%, chegando à quantia de 73,3 milhões de francos suíços (aproximadamente 80,2 milhões de dólares).

“O CICV esteve no terreno em Gaza durante todo o conflito, realizando o seu trabalho humanitário como o fez em outras ocasiões. Junto com os nossos 280 colaboradores em Israel e no território palestino ocupado, estamos comprometidos a fazer todo o possível para ajudar a população a se recuperar mais uma vez", disse Mardini. "A atual situação humanitária deve ser analisada em um contexto mais amplo de contínua ocupação, oito anos de fechamento das fronteiras e de duras restrições ao movimento de mercadorias e pessoas, três conflitos em apenas três anos e uma infraestrutura já frágil".
 

O último conflito gerou importantes necessidades. Dezenas de milhares de pessoas foram obrigadas a fugir das suas casas em total penúria e milhares de casas e outras estruturas foram total ou parcialmente destruídas. A rede de abastecimento de água e as instalações elétricas sofreram grandes estragos. O setor médico foi levado ao seu limite e os hospitais foram atingidos por bombas e outros tipos de munição. As lojas foram fechadas e inúmeras pessoas perderam a sua fonte de renda. Cerca de 40%o das terras cultiváveis agora estão sem ser cultivadas e as colheitas foram destruídas. Aproximadamente 60% da população em Gaza com idade inferior a 18 anos está gravemente traumatizada, ao mesmo tempo em que os riscos impostos por material bélico abandonado e não detonado são uma ameaça à vida.
 

O CICV está designando mais recursos humanos, materiais e financeiros para responder a essas necessidades. A organização combinará a ação emergencial com projetos de médio e longo prazo com parceiros e autoridades locais.

 

O número de vítimas civis e a extensão da destruição são as piores que essa região já viu nos últimos anos. Isso indica que houve violações ao DIH.

 

A maior prioridade da organização, durante as hostilidades e no período posterior a essas, é garantir que os feridos e os doentes sejam tratados em tempo hábil. Em conformidade com essa ação, o Comitê aumentará o seu apoio ao Crescente Vermelho Palestino e aos serviços médicos emergenciais dessa Sociedade Nacional em particular. O CICV continuará fornecendo material médico, peças de reposição para geradores, combustível e assessoria técnica aos principais hospitais. Quatro hospitais fortemente danificados durante os enfrentamentos foram reparados.
 

O CICV também trabalhará em conjunto com as agências locais responsáveis pelos recursos hídricos para consertar os estragos causados na rede de abastecimento de água e proporcionar assessoria técnica sempre que necessário.
 

Em parceria com o Crescente Vermelho Palestino, o CICV distribui alimentos e utensílios domésticos aos deslocados e aos retornados. Além disso, a organização planeja apoiar os agricultores nas áreas fronteiriças.

 

O CICV manterá a sua cooperação e o seu apoio ao Magen David Adom e ao Crescente Vermelho Palestino para ajudar a garantir a prestação de serviços humanitários de maneira oportuna.

 "O número de vítimas civis e a extensão da destruição são as piores que essa região já viu nos últimos anos", disse Mardini. "Isso indica que houve violações ao Direito Internacional Humanitário (DIH), apesar de termos lembrado constantemente a todas as partes em conflito das suas obrigações de proteger a população civil e os bens civis".

Fundamentando-se em observações diretas e no monitoramento no terreno, o CICV apresentou suas preocupações a todos os envolvidos no conflito. A organização continua visitando os centros de detenção israelenses, onde atende, em particular, as pessoas detidas em relação com as recentes hostilidades.
 

O CICV dará seguimento ao seu diálogo com as autoridades israelenses sobre o impacto que as restrições ao movimento têm sobre os meios de subsistência palestinos. "É hora de encontrar uma solução adequada, já que os civis estão angustiados, e qualquer recuperação real deve ser mantida com o tempo", disse Mardini.

Mais informações:
Nada Doumani, CICV Genebra, tel: +41 22 730 37 23 ou +41 79 447 37 26
Nadia Dibsy, CICV Jerusalém, tel: +972 52 6019148

Infografia de Gaza em formato jpg

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