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Geórgia: Clínica móvel do CICV presta assistência a doentes crônicos em povoado

10-09-2008 Reportagem

Para pessoas sem acesso a serviços de saúde, em povoados remotos atingidos pelo conflito na Geórgia e Ossétia do Sul, a clínica móvel organizada pela Cruz Vermelha da Noruega e pelo CICV é uma corda de salvamento em mais de um sentido.

     
    ©ICRC/J. Barry/ge-e-00349      
   
    Uma remota aldeia próxima a Gori. Após colocar cuidadosamente a bandagem no pé do paciente, o médico noroeguês da Cruz Vermelha, Richard Munz, explicou que o grupo retornaria em uma semana para checar seu progresso.      
               
    ©ICRC/J. Barry/ge-e-00348      
   
    Consultas são realizadas abaixo de uma vinha em uma remota aldeia de Gori.      
           

Médicos e enfermeiros do Ministério de Saúde em Gori acompanham os quatro médicos da Cruz Vermelha da Noruega em suas visitas ao terreno. O fato de os médicos estarem em companhia da equipe da Cruz Vermelha alivia a preocupação em viajar a áreas ainda inseguras, em meio aos combates.

" As pessoas precisam saber que não foram esquecidas. Isso é tão importante quanto as consultas médicas que realizamos " , diz o chefe da equipe, Dr. Richard Munz.

" Nós abrimos portas, de certa forma " , explica o Dr. Munz. " Facilitamos o acesso de médicos locais que teriam dificuldades em chegar às áreas remotas sem ajuda. Em nossa companhia eles estão sob a proteção da Cruz Vermelha. "

Quando chega a um povoado, a equipe instala a clínica em um lugar protegido, ao lado de um edifício ou debaixo das árvores. Recentemente, em um povoado, a instalação foi feita sob a sombra de uma videira.

" Antes do início do conflito, os serviços de saúde funcionavam bem nos povoados " , afirma o Dr. Munz. " As igrejas também assumiam um papel de apoio importante. Problemas crônicos de saúde estavam sob controle, o que hoje não é o caso. Estamos tentando colocar essa rede de volta em funcionamento. "

  A Cruz Vermelha trabalha em conjunto com as autoridades sanitárias locais para prestar assistência e dar segurança às pessoas cansadas  

Os médicos realizam as consultas. " Não teria sentido algum realizarmos as consultas por nossa conta " , diz o Dr . Munz. " Nosso papel é dar assistência " .

O CICV também abastece a clínica com medicamentos por meio das autoridades sanitárias locais em Gori.

As pessoas que foram deixadas para trás são em sua maioria idosas. As demais fugiram no início da guerra. Dentre elas, aquelas com problemas crônicos de saúde estão cada vez mais em risco por estarem longe dos serviços de saúde em Gori ou Tskhinvali e sem poder encontrar medicamentos nas redondezas.

Além disso, o estresse de viver no meio de uma guerra e suas conseqüências causa sérios problemas nervosos. A maioria dos pacientes da clínica móvel sofre de hipertensão.

Os médicos também começam a observar problemas de estômago. Em povoados que estão sem eletricidade, bombas de água não funcionam e não há água corrente. A população precisa beber a água do poço, que muitas vezes não é limpa.

No primeiro dia, quando a equipe atendeu a mais de 70 pacientes e uma emergência inesperada, viu-se claramente que seus serviços eram muito necessários.

Os médicos perceberam que só podiam ajudar deste modo graças ao trabalho em equipe e ao fato de não estarem sós. " Nossa presença aqui nos dá grande satisfação. Tudo vai bem " , afirma o Dr. Nanula Koshoridze, enquanto entrega medicamentos. " Estamos muito ocupados. "

" Já temos uma nova clínica móvel, depois do dia 28 de agosto quando a primeira começou a funcionar. Até hoje, duas equipes médicas realizaram mais de 600 consultas em 18 povoados. Na semana passada, em apenas um dia, elas atenderam a 252 pacientes. "

O simples fato de poder falar sobre suas preocupações e medos com pessoas que têm tempo para prestar atenção é muito importante para a população idosa. " O efeito de ver o médico se aproximar foi melhor que qualquer remédio " , comentou uma idosa.

Hoje o serviço funciona e a equipe pretende fazer visitas regulares a cada povoado. " As pessoas dependem de nós e temos de manter nossas promessas até haver serviços médicos operando nesses lugares”, reflete o Dr. Munz, enquanto enfaixa o pé de uma idosa que foi pisada pelo gado.