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Sudão: reunificação de crianças com suas famílias e formação de médicos

23-12-2009 Relatório de operações

O CICV continua pressionando a libertação de membros da equipe de Gauthier Lefèvre, sequestrado em Darfur Ocidental, Sudão, em 22 de outubro, e de Laurent Maurice, apreendido no leste do Chade em 9 de novembro. As atividades do CICV foram reduzidas em Darfur, mas nas outras regiões do Sudão, continuam normalmente.

 
©CICR 
   
Crianças sudanesas raptadas por grupo armado na região de Mundri, sul do Sudão, são reunificadas com suas famílias. O CICV finalmente pôde levá-las da República Democrática do Congo para suas casas no início de 2009, mais de um ano após o sequestro. 
               
©ICRC 
   
Um zelador assina um documento sobre crianças raptadas por um grupo armado durante um ataque em Mundri. As crianças foram reunificadas com suas famílias em Juba, no sul do Sudão, no início deste mês. 
           

  Reunir crianças com suas famílias  

Seis crianças separadas das suas famílias nas zonas de conflito no Sudão e na República Democrática do Congo foram reunidas com seus entes queridos em uma operação do CICV realizadas nos dois países no início de dezembro.

Três jovens sudaneses entre 13 e 15 anos foram transportados para Yambio, no sul do Sudão, em um avião do CICV em 10 de dezembro. Três adolescentes congoleses entre 16 e 17 anos foram repatriados de Yambio no mesmo dia.

Com a ajuda da Cruz Vermelha da República Democrática do Congo e do Crescente Vermelho Sudanês, o CICV conseguiu encontrar as famílias de crianças que tinham sido separadas em meio à violência armada no final do ano passado na região de Haut Uélé, no nordeste da República Democrática do Congo, e no oeste do estado de Equatoria, no Sudão.

Dois dias depois de chegar a Yambio os três jovens sudaneses foram levados para Juba para se juntarem às suas famílias. Charlotte Josué, delegada do CICV que os acompanhava, disse: " Quando você vê os pais se abraçando e beijando os seus filhos há muito tempo perdidos, você tem a certeza de que todos os seus esforços valeram a pena. "

Uma oração e uma festa foram realizadas na comunidade local para comemorar o retorno das crianças. " Eu não esperava ver as crianças de novo. Eu tinha perdido a esperança " , disse Kennedy Khamis, tio de uma das crianças, com um largo sorriso.

" Embora eu recebi mensagens Cruz Vermelha da minha filha, eu não podia a acreditar que ela estava viva até que eu falei com ela por telefone ontem " , explicou Louise Danga Stephen, a mãe de outra criança, com lágrimas de felicidade em seu olhos.

As três crianças congolesas foram reunidas às suas famílias em Nyangara e Dungu, no norte da província Orientale, após várias semanas de atraso devido à falta de segurança na área.

  Melhoria das instalações de água em Akobo  

Pontos de água em Akobo (estado de Jonglei) são usados para fornecer uma média de apenas dois litros diários de água potável por pessoa, contra um padrão mínimo de 15 a 20 litros. Devido à população da cidade de 36 mil ter aumentado com mais 20 mil deslocados internos que se estabeleceram na região para fugir dos combates no início deste ano, moradores e deslocados se aglomeraram nos pontos de água desde o amanhecer até o anoitecer. Baldes e galões foram alinhados no chão, como parte da fila diária para buscar água. A pressão sobre os pontos de água em Akobo era tão alta que as pessoas no final da fila, por vezes, perdiam a paciência e retiravam água suja direto do rio. Com certeza, não havia água potável suficiente para todos.

Uma inspeção do sistema de água da cidade pelo CICV e do conselho local da água mostrou que algumas das torneiras estavam com defeito e que o principal gerador estava quebrado. A equipe do CICV consertou o gerador, substituiu todas as torneiras de água e corrigiu vazamentos. Também foram reparados três cilindros de bomba de água de propriedade do conselho de água.

  Reforço das habilidades dos médicos para administrar ferimentos  

Houve uma onda de violência no sul do Sudão desde o início de 2009 e em várias ocasiões, como durante os combates em Malakal no início do ano ou no Bentiu em setembro, o CICV forneceu hospitais com kits médicos para garantir o tratamen to adequado dos feridos.

O CICV também forneceu treinamento para salvar vidas à combatentes e civis em áreas remotas, onde cuidados cirúrgicos adequados não estavam disponíveis. Em abril, a equipe cirúrgica de campo móvel do CICV foi enviada para Nassir, no estado de Upper Nile, para operar pacientes portadores de ferimentos provocados por armas.

A fim de reforçar suas habilidades para administrar ferimentos, vinte médicos do sul do Sudão participaram do curso sobre ferimentos na sala de emergência do CICV, realizado em Juba de 1 a 3 de dezembro. Os participantes trabalham em hospitais civis em várias cidades do sul do Sudão, incluindo Juba, Malakal, Wau e Bentiu. Alguns deles já haviam participado de um seminário de cirurgia de guerra oferecido pelo CICV no ano passado.

O treinamento foi fornecido pelos drs. Mauro Dalla Torre e Daniel Brechbuehler, dois cirurgiões do CICV que realizaram cirurgia de guerra em mais de 25 países, incluindo Afeganistão, Sudão e Chade. " O tratamento com base em uma correta avaliação inicial pode salvar muitas vidas " , explicou o dr. Dalla Torre. " Com este seminário, estamos compartilhando nossa experiência com nossos colegas do sul do Sudão. Otimizar a primeira fase de cuidados de emergência resulta na diminuição na mortalidade e morbidade dos pacientes feridos. "

O curso está baseado nos trinta anos de experiência do CICV em tratamento de vítimas de guerra, o que permitiu à organização padronizar o cuidado de paciente através de protocolos e diretrizes. Enquanto muitos cursos do sistema de saúde focam a administração de lesões resultantes de acidentes rodoviários que são feitos através do diagnóstico de alta tecnologia, o curso de ferimentos na sala de emergência foi criado especificamente para administrar pacientes feridos de guerra e mortes em massa em ambientes de baixa tecnologia.

" O curso permitirá aos médic os participantes darem um melhor atendimento e diminuir as taxas de mortalidade " , disse o dr. Lori Yatta Lugor, diretor do Hospital Escola de Juba. " Eles também aprenderão a lidar com ferimentos em várias situações diferentes " .