História do CICV: Segunda Guerra Mundial

11-05-2010 Panorama

A invasão da Polônia pelas tropas alemãs em 2 de setembro de 1939 é um sinal do que está por vir. A guerra de trincheiras está prestes a ser substituída pela guerra mecanizada, precedida por bombardeios aéreos em massa que tinham como alvo principalmente a população civil. Os civis também seriam as principais vítimas de políticas de ocupação brutais, a começar pelas adotadas pelo Terceiro Reich e pelas potências do Eixo e pouco depois, em um revés do destino, pelos exércitos aliados.

Esta guerra mundial apresentou ao CICV uma série de desafios. Primeiro, a organização teve de realizar trabalhos humanitários simultaneamente nos cinco continentes, o que exigiu enormes recursos humanos e econômicos. Mais de 50 delegações do CICV estavam operando durante o conflito.

A guerra também fez com que o trabalho humanitário da organização começasse a se diversificar, realizando atividades tradicionais para prisioneiros de guerra - como visita aos campos ou a criação de uma agência central de informações sobre os prisioneiros (como em 1914-1918). O CICV também trabalhou incansavelmente para ajudar os civis a lidarem no dia a dia com a desorganização em decorrência da situação militar. Por isso, lançou mais esforços de socorro para combater a fome na Grécia e a escassez de alimentos no Canal da Mancha.

Embora essas operações de assistência fossem muito bem-sucedidas, o mesmo não aconteceu com alguns outros assuntos que fazem parte do mandato atual da organização. As tentativas de ter acesso generalizado aos prisioneiros de guerra foram recebidas com resistência, até mesmo a recusa categórica dos Estados que o custodiava. Portanto, o CICV foi incapaz de ajudar os prisioneiros de guerra alemães ou soviéticos capturados pelo outro lado. Na Ásia Oriental, os esforços para visitar os soldados aliados capturados pelo exército japonês foram prejudicados pela falta de cooperação das autoridades de Tóquio.

Impotentes para evitar a perseguição

O fracasso mais evidente do CICV foi a falha para afirmar seu direito de ação humanitária em nome dos civis nas áreas ocupadas ou deportados para os campos de extermínio. Seu fracasso como uma instituição para se opor firmemente à perseguição nazista foi apenas um pouco atenuado pela ação heróica de alguns de seus delegados, que trataram de ajudar aqueles condenados à morte. A falta de ação do CICV durante o Holocausto é sinônimo de tragédia na memória da instituição.

Quando as cidades de Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas em agosto de 1945, a Segunda Guerra Mundial chegou ao fim e começou uma nova era para as relações internacionais, dominada pela ameaça de guerra nuclear. A divisão do mundo em dois e o antagonismo entre os dois blocos influenciariam os métodos de trabalho do CICV nas décadas seguintes.

Foto

Na Segunda Guerra Mundial, os civis se tornam alvo da violência e perseguição, de uma forma sem precedentes. 

Civis fogem do conflito em Warsaw em 1944.
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