Iêmen: custo oculto da guerra, milhares de pacientes de hemodiálise correm risco de vida

06 fevereiro 2018
Iêmen: custo oculto da guerra, milhares de pacientes de hemodiálise correm risco de vida
Os iemenitas que sofrem de insuficiência renal recebem tratamento de diálise no hospital Al-Joumhouri em Sana'a, Iêmen, 31 de janeiro de 2018.

Sanaa/Genebra (CICV) – Milhares de iemenitas com insuficiência renal podem morrer se os centros de diálise do país que ainda funcionam não receberem mais material médico e se os profissionais não forem pagos, afirmou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nesta terça-feira.

O conflito no Iêmen arrasou a infraestrutura do país, provocando catástrofes como a recente crise de cólera. Contudo, os danos no setor de saúde do país são enormes, fazendo com que as pessoas com doenças crônicas não tenham acesso ao tratamento que pode salvar as suas vidas.

Uma porcentagem assustadora de 25 % dos pacientes que fazem diálise no Iêmen morre, todos os anos, desde que o conflito começou em 2015. É necessária com urgência uma maior quantidade de material médico, de aparelhos de diálise que funcionem e de fundos para pagar os salários dos profissionais de saúde para garantir que a taxa de mortalidade não suba ainda mais entre os 4,4 mil pacientes com insuficiência renal no Iêmen.

"As necessidades urgentes dos pacientes de diálise revelam como o conflito arrasou com o sistema de saúde do país, afetando de modo negativo muitas pessoas com problemas crônicos de saúde", declarou o chefe da delegação no Iêmen, Alexandre Faite.

O trajeto até o centro de diálise costuma ser uma odisseia de postos de controle e insegurança. Anis Saleh Abdallah, 42, precisa viajar 250 quilômetros duas vezes por semana, desde a sua casa em Lahj, para as sessões no centro de diálise apoiado pelo CICV no Hospital Al Joumhouria em Aden.

"A viagem, além de muito cara, é longa e demasiado cansativa. Estou muito fraco para isso", diz Abdallah, que precisou suspender alguns dos tratamentos porque o percurso era muito arriscado.

Dos 32 centros de diálise que o Iêmen tinha antes da guerra, quatro fecharam; os 28 restantes enfrentam dificuldades para prover os serviços, com máquinas quebradas, falta de suprimento básicos e equipes sem receber salários. Os pacientes normalmente necessitam três sessões semanais de quatro horas cada. A situação frágil do Iêmen obrigou os pacientes a reduzirem para duas sessões.

"Reduzir as sessões semanais de diálise causa efeitos colaterais cada vez maiores e baixa a qualidade de vida. Sem esse tratamento o resultado é fatal", acrescentou Faite. "Um apoio urgente às autoridades é crucial para possibilitar o tratamento nos centros de diálise que ainda funcionam e tratar as necessidades desesperadoras dos pacientes com insuficiência renal."

O CICV apoia cinco centros de diálise no país: em Sanaa, Aden, Shabwa, Mahwitt e Hajja.


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Mais informações:
Mirella Hodeib, CICV Sanaa, +967 73 050 0719
Adnan Hizam, CICV Sanaa, +967 73 372 1659
Iolanda Jaquemet, CICV Genebra, +41 79 447 37 26