Iêmen: pausa humanitária imediata de 24 horas necessária para levar ajuda médica

04 abril 2015
Iêmen: pausa humanitária imediata de 24 horas necessária para levar ajuda médica

Sanaa / Genebra – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) está chocado com a situação humanitária calamitosa no Iêmen e faz um apelo para uma pausa humanitária imediata. Todas as rotas aéreas, terrestres e marítimas devem ser abertas sem demoras por pelo menos 24 horas para permitir que a ajuda chegue às pessoas isoladas depois de mais de uma semana de intensos ataques aéreos e ferozes confrontos terrestres em todo o país.

Apesar dos esforços intensivos e reiterados contatos na semana passada com todas as partes em conflito, ainda não foi possível entrar com o material médico e os profissionais de saúde tão necessários.

As nossas entregas de mantimentos para socorro e os cirurgiões devem ter permissão para entrar no país e chegar aos lugares mais afetados para levar ajuda. Do contrário, muitas pessoas morrerão.

"Precisamos com urgência de uma trégua nos confrontos para permitir que as famílias mais afetadas, como as de Aden, possam se aventurar a conseguir comida e água ou buscar ajuda médica", afirma o chefe de operações do CICV para o Oriente Médio, Robert Mardini. "As nossas entregas de mantimentos para socorro e os cirurgiões devem ter permissão para entrar no país e chegar aos lugares mais afetados para levar ajuda. Do contrário, para dizer claramente, muitas pessoas morrerão. Para os feridos, as suas chances de sobrevivência dependem de uma ação imediata, dentro de poucas horas, não podendo esperar dias".

Os hospitais e as clínicas que atendem o fluxo de feridos de todo o país já estão ficando sem remédios e equipamentos vitais. Em muitas partes do país, a população também sofre com a falta de combustível e de água, ao mesmo tempo em que os estoques de alimentos se esgotam rapidamente. Dezenas de pessoas são mortas e feridas todos os dias. Há cadáveres espalhados pelas ruas de Aden e as pessoas têm medo de deixar as suas casas.

Mais de 48 toneladas de remédios e material cirúrgico urgentemente necessário – suficientes para atender entre 2 mil e 3 mil pessoas – estão prontas para serem enviadas de barco e de avião para o Iêmen e aguardam autorização. O CICV também está preparado para despachar barracas, geradores e material para consertar a rede de abastecimento de água estragada. Uma equipe cirúrgica composta de quatro profissionais aguarda em Djibuti para ser enviada à cidade portuária de Aden, ao sul do país.
Cedric Schweizer, que lidera uma equipe de 300 funcionários no Iêmen, afirmou que as equipes médicas e os profissionais de resgate no Iêmen devem trabalhar com segurança: "Eles se empenham para levar os feridos para hospitais e, principalmente, recuperar os corpos que estão nas ruas de Aden, de modo que as famílias possam providenciar o sepultamento adequado dos seus entes queridos".

Tragicamente, três voluntários do Crescente Vermelho Iemenita perderam a vida na semana passada, vítimas de ataques quando levavam ajuda às pessoas feridas nos confrontos. Esse paradigma mortal deve terminar imediatamente.

A população do Iêmen já sofreu anos de conflito, seca e insegurança, o que erosionou a sua resiliência e os deixou particularmente vulneráveis ao impacto humano, econômico e ambiental deste último recrudescimento dos confrontos. A situação da população agora se tornou insuportável e ela não pode aguentar mais demoras na entrega de mantimentos para socorro.

Segundo o Direito Internacional Humanitário (DIH), a assistência humanitária deve poder chegar a todas as pessoas necessitadas. As forças armadas e os grupos armados não podem impedir deliberadamente a entrega de material de socorro. Mesmo a população que está em áreas controladas por grupos opositores tem direito a receber alimentos e remédios vitais para a sua sobrevivência.

O DIH também estabelece uma obrigação para as partes em conflito de respeitar a neutralidade médica e garantir que os profissionais, os equipamentos e os veículos de saúde tenham passagem segura. Exige também que as partes permitam que os civis que queiram deixar a zona de conflito o façam com segurança.

Além da sua resposta emergencial na primeira semana desde o início dos ataques aéreos, recentemente, o CICV entregou ajuda médica aos hospitais na província central de Shabwah e colchões e cobertores aos hospitais em Taiz e Sanaa. Três centros de reabilitação física e de colocação de membros artificiais que recebem apoio do CICV em Sanaa, Taiz e Mukalla também estão prontos para continuar o seu trabalho no longo prazo.

Mais informações:
Marie Claire Feghali, CICV Sanaa, tel: +967 71 194 4343, telefone via satélite: +8821621116248
Sitara Jabeen, CICV Genebra, tel: +41 22 730 24 78 ou +41 79 536 92 31

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