Jordânia: refugiados sírios esperam um futuro melhor

28 dezembro 2015
Jordânia: refugiados sírios esperam um futuro melhor
Escritório do CICV em Amã, Jordânia. Abu Umran e o filho registram as impressões digitais para a emissão de documentos de viagem. CC BY-NC-ND / CICV /A. Ali

Milhares de refugiados fugiram para a Jordânia para escapar do conflito na Síria. Muitos passaram por martírios comovedores na Síria - para enfrentar mais dificuldades como refugiados na Jordânia. Reinstalar-se pode trazer alívio para esses refugiados.

Um esforço cooperativo

Depois de uma solicitação formal por escrito do Acnur ou da embaixada do país onde se reinstalarão, o CICV emite os documentos de viagem para os refugiados sírios na Jordânia que carecem de documentos de identidade adequados. Desde o início de 2015, o CICV já emitiu mais de 900 documentos dessa natureza.

A história de um refugiado

"Ser refugiado é muito difícil e enfrentamos dificuldades constantes na vida. Esses documentos de viagem certamente ajudarão a que a minha família e eu recomecemos uma vida nova", afirma Abu Umran, um refugiado sírio de quase quarenta anos. Ele, a mulher e os cinco filhos chegaram ao escritório do CICV para registrar as impressões digital para a emissão dos documentos de viagem deles.

"Fomos aceitos para reinstalar-nos nos Estados Unidos. Não sabemos o que o futuro nos guarda, mas esperamos que seja uma vida melhor."

Originalmente proveniente da cidade síria de Daraa, Umran fugiu para a Jordânia em agosto de 2012. "A nossa cidade está constantemente sendo bombardeada. Dois foguetes caíram sobre a nossa casa e a destruíram.

Quando cheguei à Jordânia, fiquei na casa do meu irmão em Irbid por dois meses. Depois, consegui alugar uma pequena casa na mesma cidade. Mas tive de me mudar muitas vezes porque os aluguéis aumentavam todos os anos.

Na Síria, eu tinha um restaurante de shawarma com o meu irmão. Éramos felizes. Tínhamos um lar. Agora, dependemos da ajuda de organizações humanitárias, já que é difícil conseguir trabalho aqui.

Nos últimos três anos, pensamos muitas vezes em voltar para a Síria. Mas a falta de segurança nos impediu. Simplesmente não é seguro para os meus filhos."


Escritório do CICV em Amã, Jordânia. Como o irmão, a filha de Abu Umran registra as impressões digital para a emissão do seu documento de viagem. CC BY-NC-ND / CICV /A. Ali

"Depois de concluir as formalidades e entrevistas necessárias com o Acnur, recebemos a notícia em setembro que fomos aceitos e podemos nos reinstalar nos Estados Unidos. Sempre que pensamos como será a nossa vida, sentimos uma mistura de medo, ansiedade, incerteza, mas também esperança. Pelo menos, temos a certeza de que teremos mais paz e segurança do que na Síria."

Umran conclui: "Quero que os meus filhos recebam uma educação adequada e tenham um futuro melhor. Mas talvez, acima de tudo, este documento de viagem representa a esperança que tenho de ver a minha família sorrindo de novo."