Nepal: primeira necessidade das pessoas é saber paradeiro de entes queridos

08 maio 2015
Nepal: primeira necessidade das pessoas é saber paradeiro de entes queridos

À medida que o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho se empenha para chegar às áreas remotas que ficaram isoladas pelo terremoto devastador, o CICV se concentra em ajudar as pessoas a descobrirem o paradeiro dos seus entes queridos.

O terremoto que atingiu o Nepal, em 25 de abril, varreu aldeias inteiras, destruiu os meios de subsistência, tornou as estradas instransitáveis e reduziu um patrimônio cultural de séculos a escombros. O número oficial de mortos chega a aproximadamente 7.650. Mais de 16 mil feridos. Mais de meio milhão de casas foram destruídas total ou parcialmente.

"Neste momento de imensas perdas, tentamos fazer todo o possível para ajudar a população nepalesa. Fazemos isso direta e indiretamente com o apoio à Cruz Vermelha Nepalesa e à Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho", afirmou a chefe da delegação do CICV no Nepal, Dragana Kojic. Segundo a distribuição de papéis dentro do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, a liderança das atividades em situações de desastres naturais em tempo de paz cabe à Cruz Vermelha Nepalesa, com o apoio da Federação. Por sua parte, o CICV se concentra no restabelecimento de laços familiares, gestão dos cadáveres e primeiros socorros em emergências.

"A primeira coisa que você faz quando sobrevive a um terremoto é procurar os seus entes queridos. É uma motivação humana mais forte até que a fome", diz a chefe da Unidade de Proteção do CICV em Nepal, Saurav Shrestha. Imediamente após o terremento de 7.9 de magnitude, a organização lançou a página familylinks, primeiro em inglês, depois em nepalês. Em menos de duas semanas, a página recebeu mais de 1.2 milhão de visitas. Esta ferramenta digital permite que as pessoas registrem os nomes dos indivíduos com os quais perderam o contato e os nomes dos que querem informar terceiros de que estão vivos, bem como buscar na lista dos desaparecidos ou dos que responderam que estavam vivos.

Os delegados do CICV e os voluntários da Cruz Vermelha Nepalesa visitaram hospitais, abrigos infantis e campos de deslocados para ajudar as pessoas que estão tentando entrar em contato com os seus parentes. Apenas transmitir uma simples mensagem de "estou vivo" já faz uma grande diferença. Desse modo, os famíliares dos feridos que tiveram de ser evacuados com urgência puderam descobrir em que estabelecimento de saúde estão os parentes. Alguns pacientes receberam ajuda financeira para voltar para casa assim que deixavam o hospital. Também foram feitos esforços para reunir as crianças com as suas famílias. Foram enviadas equipe especiais aos distritos afetados para dar apoio aos especialistas da Cruz Vermelha Nepalesa em restabelecimento de laços familiares.

A gestão de cadáveres é outro campo em que o CICV possui experiência reconhecida. "Fornecemos apoio técnico e material ao Departamento de Medicina Legal em Katmandu, com o qual temos uma relação de longa data", afirmou a coordenadora forense do CICV, Cheryl Katzmarzyk. Outro objetivo é fornecer orientações às forças de segurança e autoridades distritais afetadas de modo que elas possam identificar e dar um tratamento digno aos corpos com o pleno respeito às práticas culturais. Estão sendo transmitidas mensagens para os corpos não serem cremados antes de que sejam propriamente identificados. Do mesmo modo, é importante explicar que os cadáveres não são fonte de epidemias.

Imediatamente após o desastre, o CICV também enviou materiais de primeiros socorros aos hospitais.

"A população nepalesa mostrou uma resilência imensa e uma solidariedade impressionante ao assistir espontaneamente as pessoas afetadas pelo terremoto. Os voluntários da Cruz Vermelha Nepalesa foram os primeiros a correr para salvar vidas, mesmo quando eles próprios foram afetados seriamente", acrescentou Dragana Kojic.

Entre 25 de abril e 7 de maio de 2015, em cooperação com a Cruz Vermelha Nepalesa, o CICV:

  • Visitou 19 hospitais, 11 campos de deslocados e dois abrigos infantis para colocar famílias de volta em contato; para recolher listas de desaparecidos; e para assistir as pessoas que não podiam retornar para casa por sua própria conta;
  • Enviou equipes a alguns dos distritos mais afetados, como Sindupalchowk, Gorkha, Rasuwa, Dhading e Nuwakot para avaliar as necessidades em relação ao restabelecimento de laços familiares, visitou quatro presídios no Vale de Katmandu e Gorkha, transmitiu mensagens "sã e salvo" aos familiares dos detentos e notificou os parentes de cinco detentos falecidos depois do terremoto;
  • Entregou mais de 2 mil sacos mortuários para a Cruz Vermelha Nepalesa e hospitais;
  • Forneceu nove conjuntos de módulos curativos, oito conjuntos de moldes de gessos e lonas para os hospitais no Vale de Katmandu e distritos das cercanias.


Mais informações:
Krishna Chalisey, CICV Katmandu +977 985 100 0602 (mídia nepalesa e internacional)
Iolanda Jaquemet, CICV Katmandu +977 985 123 0042 (mídia internacional)
Alexis Heeb, CICV Genebra, +41 79 218 76 10, Twitter: @AHeebICRC