República Centro-Africana: centenas de famílias separadas pelo conflito

18 março 2015
República Centro-Africana: centenas de famílias separadas pelo conflito
Bangui. Colette Fandoma, avó de Fabrice, recebe o neto, que retorna à casa. CC BY-NC-ND/CICV/Ronald Kradjeyo

Centenas de pessoas na República Centro-Africana (RCA) não têm notícias dos seus entes queridos depois do conflito ou de outras situações de violência no país. O CICV, trabalhando em estreita parceria com a Cruz Vermelha Centro-Africana, mantém os seus esforços para ajudar essas pessoas a buscarem e contatarem os seus parentes.

Obrigadas a abandonar as suas casas em busca de um lugar mais seguro dentro do país ou em países vizinhos, muitas famílias terminam separadas durante a fuga. Tanto crianças como adultos se separam do resto da família e, em muitos casos, passam meses sem notícias uns dos outros. Esta incerteza é um tormento, fazendo com que a vida diária seja ainda mais difícil de suportar.

A preocupação e a incerteza têm um grande peso sobre toda a família. Quanto mais o tempo passa, maiores são o desespero e a angústia. As pessoas separadas dos seus parentes enfrentam um martírio. Sem a proteção e o apoio da família, essas pessoas – sobretudo as crianças – estão ainda mais vulneráveis. "Enquanto o conflito e outras situações de violência persistirem, dificilmente haverá uma solução em curto prazo para essa questão", afirma Ahmed Berrad, que coordena as atividades de proteção com CICV na RCA.

A equipe do CICV e os voluntários da Cruz Vermelha Centro-Africana enfrentam dificuldades para aliviar o sofrimento das pessoas afetadas. Tentam buscar as pessoas desaparecidas e, sempre que possível, restabelecer o contato entre familiares. "Na maioria dos casos, o simples fato de receber notícias de um ente querido já traz um enorme alívio psicológico para as famílias, que recuperam a esperança", conta Berrad. "Com o consentimento deles, priorizamos a reunificação de crianças com um familiar adulto".

Em 2014, o CICV e a Cruz Vermelha Centro-Africana cadastraram 560 pessoas separadas das suas famílias. Os esforços de busca das duas organizações, tanto dentro como fora do país, resultaram na reunificação de 108 crianças e três adultos vulneráveis, enquanto que a sorte de outras 38 pessoas, antes dadas como desaparecidas, foi esclarecida. Familiares separados pelo conflito também puderam manter contato graças à entrega de mais de 650 Mensagens Cruz Vermelha (mensagens breves por escrito, com notícias familiares) e 172 telefonemas facilitados pelo CICV.

Em um conflito que obrigou algumas pessoas a buscarem refúgio além das fronteiras da RCA, o CICV – que está presente nos países vizinhos – pôde adotar uma abordagem regional a essa questão. Dos campos de refugiados de Likouala, no extremo norte da República do Congo, aos campos de Moundou, no sul do Chade, o CICV e as Sociedades Nacionais trabalham incessantemente para buscar parentes separados pelos confrontos. Na República Democrática do Congo, em 2014, o CICV buscou e cadastrou 113 menores desacompanhados oriundos da RCA, assim como duas crianças desmobilizadas, uma das quais foi repatriada a esse país. Outras crianças que fugiram do conflito na RCA foram também cadastradas no Chade (16), Camarões (5) e República do Congo (4), sendo posteriormente reunidas com as suas famílias.

Na República Centro-Africana, entre 25 de janeiro e 28 de fevereiro, o CICV, em cooperação com a Cruz Vermelha Centro-Africana:

  • Realizou mais de 150 cirurgias no hospital comunitário de Bangui e encaminhou mais de 20 pacientes do hospital regional de Kaga Bandoro;
  • Realizou mais de 500 consultas de emergência no hospital comunitário de Bangui e mais de 3 mil consultas no hospital regional de Kaga Bandoro;
  • Realizou 700 consultas gerais e mais de 140 consultas pré-natais no centro de saúde de Dissikou;
  • Realizou 890 consultas e atendeu 758 pacientes com malária em Obo e Birao;
  • Evacuou 38 pessoas feridas para o hospital regional de Kaga Bandoro;
  • Distribuiu alimentos para 11 mil pessoas deslocadas em Bangui;
  • Distribuiu alimentos para mais de 3 mil pessoas deslocadas ao longo da estrada entre Bambari e Ippy;
  • Distribuiu alimentos para 120 famílias com crianças desnutridas que eram atendidas no hospital em Kaga Bandoro;
  • Continuou fornecendo uma média de 220 mil litros de água potável todos os dias para as pessoas deslocadas que buscaram refúgio em Bangui;
  • Garantiu o fornecimento de água potável para a população de Ndélé (250 mil litros por semana por intermédio da rede nacional de água SODECA e 4 mil litros por dia diretamente para o hospital de Ndélé);
  • Distribuiu 250 mil litros de água potável todos os dias para as pessoas deslocadas em Kaga Bandoro;
  • Forneceu entre 375 mil e 490 mil litros de água potável por semana para as pessoas deslocadas em Bambari;
  • Forneceu 20 mil litros de água potável por semana ao hospital regional de Bambari;
  • Organizou palestras de conscientização sobre o Direito Internacional Humanitário (DIH) para 470 membros das forças armadas da República Centro-Africana e 150 membros de grupos armados;
  • Trabalhou com 300 representantes de grupos de mulheres e jovens em diversos distritos de Bangui para conscientizá-los sobre a missão e o trabalho da Cruz Vermelha.

Durante esse período, ademais, os delegados do CICV visitaram 76 pessoas detidas.

Mais informações:
Germain Mwehu, CICV Bangui, tel: +236 75 64 30 07
Céline Buvelot Corthésy, CICV Genebra, tel: +41 22 730 30 84 ou +41 79 574 28 89

Bangassou. Noella, de 16 anos, se reencontra com o pai. CC BY-NC-ND/CICV/Innocent Bangalo

Bangassou. Noella, de 16 anos, se reencontra com o pai. CC BY-NC-ND/CICV/Innocent Bangalo

Bangassou. Foto das crianças que foram reunificadas com as suas famílias. CC BY-NC-ND/ICRC/Innocent Bangalo

Bangassou. Foto das crianças que foram reunificadas com as suas famílias. CC BY-NC-ND/ICRC/Innocent Bangalo