Síria: Aleppo é "um dos conflitos urbanos mais devastadores dos nossos dias"

15 agosto 2016
Síria: Aleppo é "um dos conflitos urbanos mais devastadores dos nossos dias"
Alepo, Síria, Agosto de 2016 / CC BY-NC-ND / CICV

O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Peter Maurer, descreveu o confronto na cidade síria de Aleppo como um dos mais devastadores conflitos dos nossos tempos. O confronto se intensificou nas últimas semanas, deixando centenas de pessoas mortas e inúmeras feridas. Os serviços públicos estão colapsados. Dezenas de milhares de pessoas estão encurraladas e sem ajuda.

"Ninguém está a salvo e nenhum lugar é seguro. O bombardeio é constante e casas, escolas e hospitais estão na linha de fogo. As pessoas vivem com medo. As crianças estão traumatizadas. A escala do sofrimento é imensa. Por quatro anos, a população de Aleppo foi sendo devastadas por uma guerra brutal e a situação só piora para elas. Está é, sem dúvida, um dos conflitos urbanos mais devastadores dos nossos tempos", afirmou Maurer.

Dezenas de milhares de pessoas foram obrigadas a fugir das suas casas e muitas outras tiveram de deixar temporariamente os abrigos onde viviam.

Houve enormes estragos na infraestrutura da cidade. Com o fornecimento de água e eletricidade interrompidos ou gravemente reduzidos, a população corre o risco de consumir água sem tratamento e contaminada. As organizações humanitárias, entre elas o CICV e o Crescente Vermelho Árabe Sírio, começaram a levar água potável de caminhão como medida de emergência.

"O custo humano do confronto em Aleppo é simplesmente muito elevado. Instamos todas as partes a que parem de destruir, atacar indiscriminadamente e matar. As partes envolvidas nos enfrentamentos precisam respeitar as normas básicas de guerra, prevenindo a perda de mais vidas inocentes. Além da ameaça direta imposta pelos combates, a falta de serviços básicos, com água e eletricidade, representa um risco imediato e dramático para até dois milhões de pessoas, que enfrentam dificuldades para ter acesso ao atendimento médico básico", acrescentou Maurer.

O CICV pede a todas as partes que permitam as agências humanitárias cheguem aos civis que precisam de ajuda desesperadamente, assim como às zonas rurais. As pausas humanitárias regulares são necessárias para permitir que a ajuda humanitária entre e que haja tempo suficiente para realizar os consertos em todos os serviços básicos.

Mais informações:
Ingy Sedky, CICV Damasco +963 930 336 718
Krista Armstrong, CICV Genebra +41 79 447 37 26

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