Ucrânia: presidente do CICV alarmado com agravamento das condições dos civis na linha de frente

10 março 2017

O presidente do Comitê Internaciona da Cruz Vermelha (CICV), Peter Maurer, finalizou uma visita de cinco dias à Ucrânia. Com centenas de milhares de pessoas vivendo em cidades e vilarejos próximos à linha de frente, ele se mostrou alarmado com as condições de vida delas depois do drástico aumento dos combates no leste da Ucrânia desde o início do ano.

"Centenas de milhares de pessoas vivem sob a ameaça permanente de bombardeios, tiros e minas terrestres. O acesso a itens básicos como comida, água e eletricidade foram reduzidos dramaticamente", afirmou Maurer. "O funcionamento da estação de purificação de água de Donetsk, da qual dependem dezenas de milhares de pessoas, foi reiteradamente interrompido em consequência dos combates. Somente na semana passada, deixou de funcionar durante vários dias e as nossas equipes começaram a levar água em caminhões, fornecendo quase 150 mil litros em menos de uma semana", explica Maurer. Reitera também o apelo do CICV para o estabelecimento de uma série de "zonas de segurança" para proteger melhor as instalações hidráulicas, elétricas e de gás na linha de frente.

Além da ameaça para os civis do aumento nas hostilidades e das precárias condições de vida que muitos sofrem, o CICV preocupa-se com a grave limitação na capacidade das pessoas de se locomoverem, devido à situação difícil nos pontos de travessia. Maurer pede que se tome uma "ação conjunta" para melhorar a situação dos civis que tentam cruzar a linha de contato. Eles, com frequência, devem esperar durante muitas horas, expostos ao frio, calor e risco de bombas e minas terrestres.

Durante a sua visita, Maurer se reuniu com o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e outros funcionários do alto escalão. Também se encontrou com representantes locais de outros distritos das regiões de Donetsk e Lugansk.

Após os encontros em Kiev, Donetsk e Lugansk, Maurer reiterou o apelo, a todos os lados, para que os delegados do CICV tenham "acesso sistemático e desimpedido" a todos os detidos em relação com o conflito ucraniano.

Além disso, o presidente do CICV comentou a questão das pessoas desaparecidas em relação com o conflito. "Há uma grande quantidade de pessoas – mas que não se sabe exatamente quantas, talvez entre mil e duas mil – que desapareceram em consequência do conflito no leste da Ucrânia. Encontrar soluções e apoiar as famílias é uma das nossas prioridades", afirmou.

"Nosso diálogo com as autoridades nesse assunto tem sido muito construtivo até agora, Mas não devemos perder esta ocasião. Ter os meios para que os lados possam compartilhar informações sobre as pessoas desaparecidas será fundamental para resolver os casos", acrescentou Maurer.

O CICV está a postos para atuar como um intermediário neutro, entre os lados do conflito, para problemas humanitários específicos. A organização desempenhou este papel para ajudar a resolver várias questões relativas ao abastecimento de água, detenção e outras preocupações humanitárias importantes desde o início do conflito ucraniano.

Mais informações:
Sanela Bajrambašiæ, CICV Kiev, tel: +380 67 509 42 06
Jennifer Tobias, CICV Genebra, tel: +41 79 536 92 48, jtobias@icrc.org

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