Ucrânia / Rússia: líderes concordam que a ajuda deve chegar ao leste da Ucrânia

26 fevereiro 2015
Ucrânia / Rússia: líderes concordam que a ajuda deve chegar ao leste da Ucrânia

Genebra / Kiev / Moscou (CICV) – O presidente do CICV, Peter Maurer, concluiu hoje as reuniões com autoridades em Moscou e Kiev, durante as quais se concentrou na grave crise humanitária no leste da Ucrânia e instou os governos de ambos os países a garantir que a ajuda vital chegue às pessoas que mais precisam. Durante uma visita de quatro dias à região, Maurer se reuniu com os presidentes Vladimir Putin e Petro Poroshenko, ademais de autoridades de ambos os países.

"Tanto o presidente Poroshenko como o presidente Putin manifestaram o seu compromisso para que os civis afetados pelo conflito tenham acesso à ajuda humanitária. A implementação do acordo de Minsk permitirá, portanto, que o CICV aumente ainda mais a assistência nas próximas semanas", declarou Maurer. "Este conflito já causou um derramamento de sangue inaceitável e as pessoas comuns estão pagando por isso. O CICV espera que o cessar-fogo se mantenha e está pronto para oferecer assessoria para a criação de um mecanismo internacional que canalizará a ajuda humanitária às áreas afetadas pelo conflito. No entanto, a responsabilidade por este mecanismo é das partes em conflito".

O conflito no leste da Ucrânia já cobrou a vida de pelo menos seis mil pessoas e destroçou inúmeras outras. "O CICV ainda precisa compreender o impacto completo deste confronto", disse Maurer. "Metade da população do leste da Ucrânia foi deslocada. As pessoas ainda estão sepultando os seus entes queridos e buscando parentes e amigos desaparecidos".

Maurer também manifestou a sua preocupação com respeito às armas que estão sendo usadas até o momento no conflito: "Não se podem usar foguetes, artilharia e morteiros em ruas residenciais e praças. A probabilidade de que o uso dessas armas em áreas povoadas seja impreciso e indiscriminado é tão alta que os civis inevitavelmente sofrem as consequências".

Os civis que moram nas linhas de frente ou próximo a elas estão sujeitos a intensos bombardeios com foguetes e artilharia. O acesso humanitário a essas áreas é primordial. Hospitais, escolas e outras infraestruturas vitais foram gravemente danificados e os serviços básicos, interrompidos. Isso, somado à crise econômica existente na região, implica que a reconstrução é uma tarefa intimidadora. Os efeitos do conflito serão sentidos ainda por muitos anos.

Desde o início das hostilidades, o CICV se esforça para trabalhar em ambos os lados das linhas de frente, levando ajuda para as pessoas que mais precisam e instando todas as partes a que poupem a população e a infraestrutura civis. Mas atender a essas necessidades requer um esforço conjugado de todos os lados. "Em meio a acusações e contra-acusações públicas, o drama das pessoas está sendo deixado de lado", afirma Maurer. "A extrema polarização deste conflito é alimentada por essas acusações. Por esse motivo, reforcei a importância de se respeitar a ação humanitária neutra, imparcial e independente durante as reuniões desta semana".

O presidente do CICV acrescentou que a troca de prisioneiros entre as partes em conflito foi outra disposição bem-vinda do acordo de Minsk. O CICV está preparado para agir como intermediário neutro e oferecer os seus serviços a todas as partes. Desde setembro de 2014, o CICV visita centros de detenção administrados pelo governo e visa aumentar o seu acesso às pessoas detidas em ambos os lados, com o objetivo de monitorar as condições em que estão detidos e o tratamento que recebem.

Mais informações:
Ashot Astabatsyan, CICV Kiev, tel: +380 67 509 42 06
Victoria Zotikova, CICV Moscou, tel +7 903 545 35 34
Anastasia Isyuk, CICV Genebra, tel: +41 79 251 93 02