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CICV e Associação Médica Mundial trabalham juntos para uma prestação mais segura da assistência à saúde

26-06-2013 Comunicado de imprensa 13/113

Genebra (AMM / CICV) – O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Associação Médica Mundial (AMM) assinaram, hoje em Genebra, um memorando de entendimento com o qual as duas organizações acordam unir suas forças em uma ação mundial para combater a violência contra pacientes e profissionais da saúde.

O memorando de entendimento estabelece que a AMM ingresse como um sócio no projeto "Assistência à Saúde em Perigo" do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, uma iniciativa de quatro anos de duração para lidar com as ameaças que a violência armada traz para a assistência à saúde. Um relatório recente do CICV revelou que os ataques contra as equipes, instalações e veículos da saúde deixam milhões de pessoas em todo o mundo sem assistência quando mais precisam. Foram registrados mais de 900 incidentes violentos contra a assistência à saúde em 22 países em 2012, embora a maioria dos casos e suas consequências não são reportados.
 

"A falta de segurança, a violência e a ameaça desta impedem, todos os dias, que as pessoas comuns obtenham os serviços de assistência à saúde. Esta parceria com a AMM possibilitará que os profissionais médicos do mundo inteiro sejam parte de uma comunidade dinâmica que trate desta questão", afirmou o diretor-geral do CICV, Yves Daccord. "Os desafios de prestar a assistência de modo imparcial e eficiente são imensos, variando de país em país. Mas existem tendências comuns de atos como os ataques diretos contra os profissionais e instalações e as restrições de movimento para as ambulâncias. Precisamos de um esforço conjunto e amplo nos âmbitos local e internacional para conseguirmos resultados duradouros."
 

Ao comentar sobre o acordo, o secretário-geral da AMM, Dr. Otmar Kloiber, declarou: "juntos com o CICV, continuaremos a dar visibilidade e tratar dos danos causados à prestação da assistência à saúde em zonas de conflito, levantes e manifestações de massas em todo o mundo. Como os prestadores e estabelecimentos locais de saúde são os primeiros a serem afetados, faz sentido que as associações médicas nacionais, representadas pela AMM, desempenhem um papel fundamental ao identificar as medidas concretas no âmbito local para melhorar a segurança tanto de pacientes como de profissionais."
 

O Hospital Keysaney em Mogadíscio é um exemplo de como prestar serviços de saúde essenciais em uma das situações mais perigosas do mundo. A segurança na capital da Somália está um pouco melhor, porém o diretor do hospital desde 2004, Yusuf Mohamen Hassan, ainda se lembra dos confrontos nas proximidades do local. Ele conta que o hospital sobreviveu a 20 anos de guerra ao priorizar o atendimento apenas com critérios médicos: "o hospital atende a toda população de Mogadíscio, sem importar afiliação a clãs ou opinões políticas. Apesar dos desafios e pressões, continuamos trabalhando para salvar vidas. Acredito que podemos funcionar durante todo este tempo simplesmente por causa da nossa imparcialidade e neutralidade."
 

O assessor médico do CICV, Bruce Eshaya-Chauvin, concorda que é essencial para os profissionais da saúde respeitar a ética médica: "em situações de violência armada, os feridos ou doentes algumas vezes não recebem tratamento. Discriminação, mesmo que surja de uma polarização, é inaceitável." As parcerias atuais poderão assegurar que os profissionais sejam capacitados adequadamente sobre suas funções e responsabilidades de modo que possam gerir melhor os problemas causados pela erupção da violência.
 

Xavier Deau, médico e um dos membros eleitos do Conselho da Associação Médica, presente no ato de assinatura, afirmou que "por meio de sua rede de associações médicas em todo o mundo, a AMM contribuirá às consultas nacionais e compartilhará as melhores práticas sobre as medidas necessárias para proteger os profissionais de saúde e pacientes." Poderia haver mudanças na legislação nacional, como, por exemplo, na Colômbia. Lá, existe um exitoso decreto governamental para a promoção do uso de um emblema nacional de proteção por todos os profissionais de saúde. No Iêmen, uma declaração assinada pelo governo, em dezembro último, foi um primeiro passo para garantir o acesso à assistência à saúde no país.
 

O projeto "Assistência á Saúde em Perigo", programado até 2015, tem por finalidade melhorar a eficiência e a prestação eficaz da assistência à saúde em situações de violência armada com a convocação de vários especialistas para que elaborem uma série de medidas práticas de implementação pelos dirigentes, organizações humanitárias e profisisonais de saúde.

A Associação Médica Mundial é uma confederação independente das associações médicas mundiais de 102 países, representando mais de 9 milhões de profissionais. Ao agir em nome dos pacientes e médicos, a AMM busca alcançar os mais altos padrões de assistência à saúde, ética, educação e normas de direitos humanos relativas à saúde para todas as pessoas.

Mais informações:
Ewan Watson, CICV Genebra, tel: +41 79 244 64 70
Nigel Duncan, Consultor de Relações Públicas da AMM, tel: +44 20 8997 3653 ou +44 7984 944 403

Foto

26 de junho de 2013. O médico Otmar Kloiber, secretário-geral da AMM, e Yves Daccord, diretor-geral do CICV, assinam o memorando de entendimento entre as duas organizações na sede do CICV em Genebra. 

26 de junho de 2013. O médico Otmar Kloiber, secretário-geral da AMM, e Yves Daccord, diretor-geral do CICV, assinam o memorando de entendimento entre as duas organizações na sede do CICV em Genebra.
© CICV / T. Gassmann

26 de junho de 2013. O médico Otmar Kloiber, secretário-geral da AMM, e Yves Daccord, diretor-geral do CICV, apertam as mãos após a assinatura do memorando de entendimento entre as duas organizações na sede do CICV em Genebra. 

26 de junho de 2013. O médico Otmar Kloiber, secretário-geral da AMM, e Yves Daccord, diretor-geral do CICV, apertam as mãos após a assinatura do memorando de entendimento entre as duas organizações na sede do CICV em Genebra.
© CICV / T. Gassmann