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Geórgia / Ossétia do Sul: o longo caminho para a recuperação

06-08-2009 Relatório de operações

Um ano depois do início das hostilidades entre Geórgia e Rússia, o CICV concentra seus esforços humanitários em ajudar as pessoas a voltarem a ter uma renda segura e estável e levar socorro aos mais necessitados.

     
©CICR/J. Powell/ge-e-00570 
   
Geórgia, Ergneti. Sirana junto à porta de sua casa destruída. Ela e seu marido voltaram depois de fugir para Tblissi durante o conflito de agosto de 2008. 
       

       
©CICR/J. Powell/ge-e-00573 
   
Ossétia do Sul, Tbet. Zoia mostra fotografias de seu filho desaparecido a uma oficial de terreno do CICV. Seu filho desapareceu na noite em que o conflito se aproximou de sua aldeia, quando ele saiu para ver como estava o gado da família. 
       

       
©CICR/T. Kirill/ge-e-00558 
   
Ossétia do Sul. Uma senhora idosa agradece a se despede de uma equipe do CICV que levou alimentos para ela em uma aldeia remota em Leningori. 
       

       
©CICR/J. Powell/ge-e-00567 
   
Geórgia, Shindisi. A água só está disponível na aldeia um dia ou outro. As famílias passam horas em uma fila para os dois únicos pontos de água e levam água para suas casas. Um novo sistema de fornecimento de água será instalado com a ajuda dos engenheiros do CICV de Wathab. 
       

       
©CICR/J. Powell/ge-e-00569 
   
Geórgia, Zemo Nikosi. Tamar, cujo jardim teve que ser limpo devido aos explosivos, antes de poder plantar as sementes que o CICV lhe havia dado no início da primavera no hemisfério norte. 
           

  Situação geral  

O fim das hostilidades não resolveu os problemas e não pôs um fim às necessidades dos mais afetados. Um ano depois de as forças georgianas e russas terem se confrontado em uma área que se estende de Gori a Tskhinvali, muitas pessoas ainda lutam para voltar a viver normalmente. A fronteira administrativa de facto que divide a Geórgia e a Ossétia do Sul dificulta o dia a dia: o acesso à assistência médica, a escolas, a mercados e o contato com outros familiares são muito complicados ou mesmo impossíveis.

Apesar de a maioria dos deslocados internos já ter retornado a suas cidades e aldeias, centenas ainda se abrigam em centros coletivos, enquanto outros não têm opção, senão encontrar novas casas em outros lugares.

Desde agosto de 2008, o CICV tem aumentado gradualmente suas atividades de ajuda aos mais vulneráveis. Depois de prestar socorro emergencial, no início, para ajudar as pessoas a lidarem com o impacto das hostilidades a curto prazo e o inverno rigoroso, a organização modificou sua abordagem para se concentrar em possibilitar que os mais afetados pudessem recuperar a autosuficiência que tinham antes do combate.

  Reunir famílias e facilitar a troca de mensagens  

Ao longo dos últimos meses, o CICV recebeu mais de 1.200 pedidos de pessoas que buscavam parentes e que queriam restabelecer contato ou se reencontrar com entes queridos. Até o momento, a organização facilitou a troca de quase duas mil mensagens Cruz Vermelha entre parentes separados e reuniu 326 pessoas com seus familiares. No entanto, ainda há 40 casos nos quais a organização não conseguiu localizar as pessoas buscadas ou esclarecer o que aconteceu com elas.

Em uma tentativa de resolver esses casos, o CICV tem mantido contato direto com as autoridades pertinentes. De acordo com seu mandato, a organização enviou para ambos os lados, em seu papel de intermediário neutro, uma lista de todas as pessoas dadas como desaparecidas como suas respectivas famílias informaram ao CICV.

  Visita aos detidos  

O CICV visita com regularidade os centros de detenção para monitorar as condições de vida dos detidos e o tratamento que recebem. A organização informa às autoridades sobre o direito que os detidos têm de manter contato regular com suas famílias. Essas visitas se concentram primeiramente em pessoas detidas relacionadas com as hostilidades. De janeiro a julho de 2009, o CICV realizou 39 visitas.

  Apoio à assistência médica  

Em maio de 2009, o CICV retomou as evacuações de pessoas que necessitam tratamentos médicos urgentes da Ossétia do Sul para hospitais em Tbilisi e Gori. Até o momento, a organização ajudou três pacientes nesse sentido. O CICV também facilitou o traslado de dois corpos da Ossétia do Sul para seus familiares em Tbilisi e Gori.

Na Ossétia do Sul, o CICV apoia o treinamento de pessoal sanitário, que há décadas não participa de nenhum curso. Quatro médicos participaram de um seminário organizado pelo CICV sobre guerra e cirurgias de emergência em Vladikavkaz em 24-26 de março.

Durante a crise, o CICV – junto com a Cruz Vermelha norueguesa e o Ministério do Trabalho, Saúde e Bem Estar social – operaram clínicas móveis nos distritos de Gori e Kareli, onde os serviços de saúde estavam suspensos. As equipes móveis realizaram mais de 6.400 consultas.

Desde então, a organização tem apoiado a retomada dos serviços de saúde regulares. Entre outubro de 2008 e janeiro de 2009, a organização realizou consertos nos centros de saúde, distribuiu equipamento médico e remédios e ministrou oficinas de treinamento para a equipe. Esse apoio continuou até janeiro de 2009. O CICV também doou equipamentos e material para centros de tratamento ambulatórios em Shamgona e Rukhi (oeste da Geórgia), que a organização havia renovado em janeiro.

  Fornecimento de alimentos e outros gêneros  

No oeste da Geórgia, o CICV assiste atualmente as pessoas recém-deslocadas a se cadastrarem com as autoridades, de modo a receberem pensões e benefícios sociais aos quais têm direito.

Depois de uma avaliação realizada em março e abril, a organização lançou um programa para ajudar a população rural afetada pela guerra na Ossétia do Sul a retomar o plantio sazonal e as atividades agrícolas, que eram uma importante fonte de renda antes do início do combate. Um total de dez mil pessoas será beneficiado.

Em julho, CICV lançou um projeto-piloto nos centros coletivos na Ossétia do Sul para dar oportunidades de geração de renda aos deslocados mais vulneráveis.

“Não faltam ideias”, diz Massimiliano Cartura, delegado do CICV para segurança econômica. “Mas nem todos entendem ou acreditam que uma pequena ajuda pode ser suficiente para permitir que as pessoas ganhem o que necessitam para cuidar de suas famílias”.

  • Ao longo dos últimos anos, o CICV forneceu comida para cerca de 46 mil pessoas e utensílios domésticos básicos para ma is de 53 mil.

  • Em dezembro e janeiro, o CICV distribuiu 4.450 metros cúbicos de lenha para mais de seis mil no distrito de Gori que não recebiam socorro de outras organizações. Essas pessoas perderam suas fontes tradicionais de lenha nas florestas da Ossétia do Sul.

  • Na Ossétia do Sul, 14 mil pessoas receberam alimentos e outros artigos de socorro em novembro e dezembro de 2008. No início de 2009, o CICV também distribuiu agasalhos para o inverno para quase 4.500 deslocados, desabrigados e pessoas portadoras de necessidades especiais, órfãos e outros que vivem em áreas rurais duramente atingidas pelo combate.

  Melhorias no saneamento  

O CICV tem renovado os edifícios destruídos pelos bombardeios do ano passado, em particular os centros coletivos que abrigam deslocados pelo conflito de 1992-1993 em Abkhazia ou pelo combate do ano passado. Na Geórgia, isso beneficiou mais de 5.300 pessoas que vivem em 17 centros coletivos, enquanto atividades semelhantes foram realizadas pela ajudar os deslocados internos e refugiados na Ossétia do Sul. O trabalho incluiu consertos de janelas e telhados, além de melhorias no fornecimento de água e eletricidade.

O CICV também respondeu aos pedidos das câmaras municipais de ajudar a melhorar o saneamento e a habitação na Ossétia do Sul. A organização aumentou seu fornecimento de madeira e chapas para telhados, que resultarão na melhoria de telhados de 55 casas em três vilarejos.

O CICV tem trabalhado com as autoridades locais para melhorar os serviços comunitários e tem melhorado a assistência à junta local para assuntos hídricos na Ossétia do Sul. “Estamos nos concentrando na construção da capacidade local para que a junta possa, por exemplo, manter as tubulações e o oferecer uma melhor qualidade de vida para os residentes”, diz o delegado do CICV para Água e Habitat, Alexander Mailyan.

  Trabalho com parceiros da Cruz Vermelha  

O CICV intensificou sua parceria operacional com a Cruz Vermelha georgiana ao arrecadar fundos para seu programa de invernização, realizado com o apoio da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Cerca de quatro mil deslocados internos em Tbilisi e arredores das cidades de Bolnisi, Gardabani e Rustavi receberam cobertores, casacos, suéteres, botas de inverno e meias.

Os voluntários da Cruz Vermelha georgiana também ajudaram o CICV a distribuir socorro para os deslocados internos que vivem em 98 centros coletivos.

  Aumentando a conscientização quanto ao perigo dos resíduos explosivos de guerra  

Com a primavera no hemisfério norte, à medida que a neve derrete e as pessoas voltam a trabalhar em seus campos, o risco de acidentes causados por resíduos explosivos de guerra.

O CICV e a Cruz Vermelha georgiana têm trabalhado juntos para aumentar a conscientização do público quanto a este tipo de perigo. Os voluntários do CICV distribuíram mais de dez mil folhetos aos deslocados internos em áreas especialmente perigosas. Enquanto isso, o CICV organizou sessões informativas sobre “o trabalho seguro em ambientes contaminados por armas” para mais de cem voluntários da Cruz Vermelha.

Na Ossétia do Sul, o CICV distribuiu kits educativos sobre o risco de minas terrestres em mais de 70 escolas com o apoio das autoridades educacionais de facto . A organização também encaminhou informações fornecidas pela população sobre a localização de resíduos explosivos de guerra às autoridades encarregadas de limpar a área.