Ataques a bomba em Hiroshima/Nagasaki ainda ecoam 70 anos depois

06 agosto 2015
Ataques a bomba em Hiroshima/Nagasaki ainda ecoam 70 anos depois
Atomic bomb victim shows his bomb-survivor's health card, Nagasaki / ©Reuters

Hiroshima / Genebra (FICV/CICV) – Setenta anos depois dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, os hospitais da Cruz Vermelha Japonesa ainda tratam os efeitos duradouros dos ataques na saúde de milhares de sobreviventes, sendo quase dois terços das mortes entre eles causadas por câncer.

"Mesmo décadas depois, continuamos vendo o impacto catastrófico do uso dessas armas nucleares nessas duas cidades", afirmou o presidente do CICV, Peter Maurer. "Que argumento mais convincente poderia haver para a completa destruição de armas nucleares, sobretudo sabendo que a as bombas nos arsenais dos Estados que possuem armas nucleares hoje são mais poderosas e destrutivas?"

Com quase 200 mil sobreviventes ainda vivos, espera-se que milhares de pessoas continuem precisando de atendimento médico para tratar doenças relacionadas com a radiação nos próximos anos, ao mesmo tempo em que o impacto psicológico dos bombardeios continua atemorizando, ainda que esses sobreviventes não estejam fisicamente doentes.

"Esta comemoração é uma forma de lembrar as consequências humanitárias indiscriminadas das armas nucleares", afirmou o presidente da Federação Internacional das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Tadateru Konoé, que representa o Movimento nas Cerimônias do Memorial da Paz em Hiroshima e Nagasaki. "É uma maneira de lembrar que essas consequências viajam no tempo e no espaço e que, uma vez liberadas, nunca podem ser contidas".

Somente no ano passado, os hospitais da Cruz Vermelha Japonesa para os sobreviventes aos ataques a bombas em Hiroshima e Nagasaki atenderam respectivamente 4.657 e 6.030 sobreviventes.

Quase dois terços (63%) das mortes entre os sobreviventes dos bombardeios nos hospitais durante março de 2014 foram atribuídas a diversos tipos de câncer, dos quais o câncer de pulmão era o mais frequente (20%), seguido pelo câncer de estômago (18%), fígado (14%), leucemia (8%), intestino (7%) e linfoma maligno (6%). Durante este período, mais da metade de todas as mortes no hospital da Cruz Vermelha em Nagasaki (56%) foram decorrentes do câncer.

A Cruz Vermelha Japonesa administra hospitais para os sobreviventes dos bombardeios atômicos em Hiroshima desde 1956 e em Nagasaki desde 1969. Juntos, os dois hospitais realizaram mais de 2,5 milhões de visitas a pacientes ambulatoriais que sobreviveram aos ataques e mais de 2,6 milhões de sobreviventes foram internados nesses estabelecimentos.

O 70o aniversário dos bombardeios atômicos ocorre apenas alguns meses depois a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares não ter conseguido obter o progresso na eliminação das armas nucleares.

Mais informações::

Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV):

Francis Markus, Responsável de Relações Públicas, CICV, Genebra

Celular: +41 79 244 64 24, E-mail: fmarkus@icrc.org, Twitter: @francis_markus

Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho:

Benoit Matsha-Carpentier, Líder de Equipe, Comunicação Pública, FICV, Genebra

Celular: +41 79 213 24 13, E-mail: benoit.carpentier@ifrc.org, Twitter: @BenoistC

Consequências Duradouras das Armas Nucleares na Saúde - preparado pelo CICV em cooperação com a Cruz Vermelha Japonesa

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