Distribuição de itens essenciais para pessoas deslocadas internas em Cabo Delgado. Foto: A. Mulua/CICV

Atualização operacional: Seis mil pessoas desalojadas de suas casas recebem bens essenciais em Moçambique

Maputo (CICV) – Para responder a uma nova onda de deslocamento no norte de Moçambique, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) distribuiu na semana passada, em cooperação com a Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), bens de primeira necessidade a 6.000 pessoas. As famílias deslocadas chegaram a Mieze, província de Cabo Delgado, depois de o conflito as ter expulsado do distrito de Ancuabe nas últimas semanas.
Comunicado de imprensa 04 julho 2022 Moçambique

"É de partir o coração ver as condições terríveis em que as pessoas chegam. Famílias inteiras deixam suas casas sem nada", diz Abdirizak Ahmed Maalim Mohamednoor, Coordenador de Segurança Econômica do CICV em Moçambique. "As pessoas em Mieze abriram suas portas aos deslocados, mas também têm famílias numerosas e, em alguns casos, as condições são precárias. Algumas famílias não têm teto sobre suas cabeças", acrescenta.

Pessoas deslocadas que moram em casas de parentes ou com famílias de acolhimento em Mieze receberam lonas, baldes, cobertores, mosquiteiros, sabonetes e utensílios de cozinha, como panelas e talheres.

O CICV está cada vez mais preocupado com o impacto humanitário cumulativo do conflito armado em curso. Muitas das famílias recém-deslocadas chegaram a Ancuabe vindas de outros lugares em busca de segurança e este foi o segundo deslocamento que sofreram. Eles tiveram que fugir a pé ou de ônibus, chegando a novos destinos sem meios de se sustentar.

Na estrada, os membros da família muitas vezes se separam, e muitas crianças ficam sem os responsáveis adultos. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), 55% dos recém-deslocados têm menos de 18 anos.

O deslocamento leva a um rápido aumento da população nas cidades e vilarejos que recebem essas pessoas, e o acesso a serviços essenciais como educação, saúde e água potável se torna um desafio. Trinta e seis mil pessoas fugiram do distrito de Ancuabe durante o mês de junho. No total, mais de 780 mil pessoas em Cabo Delgado estão deslocadas devido ao conflito armado.

Desde janeiro de 2022, o CICV:

  • Distribuiu utensílios domésticos essenciais para 21.000 pessoas;
  • Transferiu dinheiro para 2.905 famílias deslocadas em Pemba, Montepuez e Metuge;
  • Construiu bombas d'água, estruturas de armazenamento de água e poços;
  • Distribuiu um sistema com painéis solares autônomos para abastecimento hídrico a 10.000 pessoas deslocadas e ajudar a prevenir doenças transmitidas pela água;
  • Criou comitês comunitários para gerenciar e manter os sistemas de abastecimento de água;
  • Reabilitou seis centros de saúde em Pemba (Muxara, Mahate e Ingonane) e Montepuez (Niuhula, Napai e Namueto). As instalações prestam serviços de saúde a cerca de 166.000 pessoas;
  • Apoiou a vacinação de 1 milhão de pessoas que vivem em áreas afetadas por conflitos armados nas províncias de Cabo Delgado, Sofala e Manica contra a Covid-19, em parceria com a Cruz Vermelha de Moçambique. 

 

Para mais informações
Diogo Alcântara, CICV Maputo, +258 87 439 4658, dalcantara@icrc.org,
Alyona Synenko, CICV Nairóbi, +254 716 897 265, asynenko@icrc.org