Brasil: Familiares de pessoas desaparecidas do Ceará dialogam com autoridades

Brasil: Familiares de pessoas desaparecidas do Ceará dialogam com autoridades

As respostas à problematica de desaparecimento de pessoas exigem a articulação de muitos atores e as ações e políticas de enfrentamentos devem estar pautadas principalmente nas necessidades das famílias.
Comunicado de imprensa 08 setembro 2021

Pensando nesse eixo norteador, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) promoveu nesta quarta-feira (8/9) a Roda de Conversa com familiares de pessoas desaparecidas do Ceará. Respeitando os protocolos da Covid-19, participaram 10 familiares de pessoas desaparecidas e autoridades do Ceará.

"Sentimos que esse encontro com as autoridades é muito importante porque a gente renova as esperanças de encontrar o nosso familiar", afirma Lucila França, que esteve presente no evento. Lucila busca pelo irmão de Leonardo França da Costa, de 49 anos, desde 2013.

 

Lucila França (Foto: Camila Almeidra / CICV)

Para vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, é muito significativo que o primeiro evento presencial do gabinete tenha sido para receber essas famílias, o que demonstra o compromisso do governo com as respostas desta problemática. "Nossa intenção e compromisso é apoiar a implantação do comitê intersetorial, de forma que os setores do governo e os nossos parceiros possam estar juntos com o CICV nesta agenda, nesta ação e neste compromisso para fortalecer e ter resultados mais eficazes", afirmou.

Familiar de pessoa desaparecida conversa com a vice-governadora do Ceará, Izolda Cela

 

Segundo o assessor do Programa para Pessoas Desaparecidas e Suas Famílias do CICV em Fortaleza, Daniel Mamede, a família tem de estar no centro das políticas. "O caráter desse evento é múltiplo. Queremos reduzir a distância entre os familiares de pessoas desaparecidas e as autoridades, e ao mesmo tempo colocar as famílias no centro da discussão sobre um mecanismo de busca e identificação de pessoas. Então, a ideia e a direção do CICV é sempre escutá-las e amplificar suas vozes. São as famílias quem melhor conhecem suas problemáticas e necessidades", reforça.

 (Foto: Camila Almeida / CICV)

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, divulgado em julho deste ano, mostram que o número de registros de pessoas desaparecidas no Brasil no ano passado foi de 62.587. O problema é estrutural e enfrenta desafios como falta de conexões entre órgãos responsáveis, falta de base de dados bem definidas e escassez de políticas públicas de enfrentamento.

Durante a Roda de Conversa, as famílias puderam tirar dúvidas e estabelecer o diálogo com as autoridades presentes. "É a primeira vez que vou para uma atividade presencial desde a pandemia e estou muito feliz que seja este evento. É preciso falar mais sobre o fenômeno do desaparecimento e é preciso falar de forma cada vez mais interconectada", afirmou Hugo Porto, promotor de justiça do Ministério Público do Ceará.

Além dos familiares de pessoas desaparecidas e da vice-governadora, participaram também representantes da Defensoria Pública do Ceará, do Ministério Público do Ceará, Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS).

 

Rompendo fronteiras

Ao final do evento, os familiares participaram da Conferência Global de Familiares de Pessoas Desaparecidas realizada pelo CICV com outras famílias de 35 países que também enfrentam o desaparecimento de entes queridos. O objetivo é criar o diálogo em rede entre esses familiares, tornar a busca mais acolhedora e menos solitária.

"São familiares de outras partes do mundo, que compartilham suas experiências e começam a construir uma rede global de apoio", ressalta Laurent Reza Wildhaber, chefe de operações da Delegação Regional do CICV para o Brasil e países do Cone Sul. E encerra: "Isso é muito importante para as famílias do mundo inteiro que estão vivendo com esse mesmo peso porque atemática dos desaparecidos não tem fronteiras".

 

 

Mais informações
Diogo Alcântara, CICV Brasília, (61) 98248-7600, dalcantara@icrc.org
Sandra Lefcovich, CICV Brasília, (61) 98175-1599, slefcovich@icrc.org